'Queremos o que temos direito', diz funcionária de terceirizada da UFRJ

Maria Luisa de Melo
Do UOL, no Rio

  • Maria Luisa de Melo/UOL

    Terezinha da Costa diz estar em processo de demissão depois de ter participado de atos contra o atraso nos pagamentos

    Terezinha da Costa diz estar em processo de demissão depois de ter participado de atos contra o atraso nos pagamentos

A auxiliar de serviços gerais Terezinha da Costa é uma das funcionárias terceirizadas mais conhecidas entre os alunos da Cidade Universitária, onde fica o maior campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Aos 53 anos, ela dedicou quase dois deles à limpeza das dependências da instituição. Com a sequência de atrasos nos pagamentos dos funcionários terceirizados desde o final do ano passado, passou a cobrar informações da empresa e se tornou uma representante dos colegas.

Depois de a reitoria anunciar, na última terça-feira (19), que o pagamento dos salários havia sido normalizado, Terezinha denuncia que o pagamento do adicional de insalubridade não foi feito este mês, assim como parte do vale-alimentação e de transporte tiveram descontos em fevereiro e ainda não foram repostos.

"Muitos de nós recebemos em fevereiro só R$ 117 referentes ao vale-alimentação, quando o correto seria R$ 330. Isso até agora não foi resolvido. E o adicional de insalubridade não foi pago este mês. Também há colegas que tiveram vale-transporte descontado. Só queremos receber o que temos direito. Podem dizer que há registros de faltas de alguns colegas. Realmente teve gente que não pôde vir trabalhar durante nove dias em fevereiro. Eu moro em Bonsucesso e consegui vir trabalhar a pé. Mas não são todos que tem condições de fazer isso", relatou ela, que recebe adicional por insalubridade por realizar a limpeza de um laboratório do Instituto de Química.

"Foi aqui na UFRJ que eu aprendi que todos devemos respeitar os direitos dos outros. Mas também é aqui que estou vendo meus direitos serem desrespeitados", reclama Terezinha, que diz estar em processo de demissão depois de ter participado de atos contra o atraso nos pagamentos.

Segundo informações da reitoria, a UFRJ dispõe hoje de cerca de 1 mil funcionários terceirizados de limpeza, todos contratados pela Qualitecnica Empresa Nacional de Serviços. O salário bruto dos auxiliares de serviços gerais é de R$ 900, restando R$ 740 de salário líquido.

A não-quitação do pagamento dos terceirizados fez com que pelo menos cinco unidades da UFRJ não voltassem às aulas na última quarta-feira (20), contrariando o que havia sido anunciado anteriormente pela reitoria.

Sem a limpeza ter sido regularizada, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais só voltou às aulas na quinta (21). Já a Escola de Belas Artes, a Escola de Comunicação, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e o Colégio de Aplicação só retornarão suas atividades na próxima segunda-feira (25).

Empresa assina termo de ajuste de conduta

Procurada, a empresa Qualitécnica não respondeu às solicitações. Já a reitoria informou, via assessoria, que a empresa se comprometeu a avaliar caso a caso a diferença de pagamento alegada pelos funcionários prestadores de serviço.

Representantes da empresa também estiveram reunidos com o reitor da universidade, Carlos Levi, nesta quinta-feira (21), no Ministério Público do Trabalho. A empresa assinou um termo de ajuste de conduta, no qual se comprometeu a não atrasar mais os salários. Ainda segundo informações da reitoria, caso ela deixe de honrar o compromisso, vai autorizar a UFRJ a efetuar os pagamentos direto aos funcionários.

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