Inspirados no avô, trigêmeos passam juntos em medicina

Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Arquivo pessoal

    Amanda (à esq.), Giovanni e Ingrid Nogueira

    Amanda (à esq.), Giovanni e Ingrid Nogueira

Inspirados nos cuidados que eram prestados ao avô (morto há seis anos), Amanda, Ingrid e Giovanni Nogueira, 18, sonharam e se dedicaram para um dia fazer medicina para também cuidar das pessoas. E assim como a vida, a formação médica vai manter os trigêmeos baianos juntos, já que os três foram aprovados no Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

"Decidimos que queríamos medicina ainda quando pequenos, quando meu avô foi chegando à velhice e fomos vendo o quão importante são os cuidados e um atendimento mais humanizado", conta Amanda.

"A gente não se identifica com outra profissão, tanto que nosso plano B sempre foi fazer medicina em outro lugar."

Ingrid e Giovanni passaram na Ufal (Universidade Federal de Alagoas); já Amanda foi aprovada na UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano).

Apesar de separados nessa primeira chamada, todos sonham se reencontrar logo. "O plano é voltarmos todos pra casa, passar na UFBA [Universidade Federal da Bahia]. Mas de qualquer forma estou na lista de espera da Ufal e espero que seja chamada. Aí ficaremos juntos lá em Maceió", diz Amanda.

Histórias separadas no colégio

Os trigêmeos estudaram no Colégio Militar de Salvador, mas Amanda tem uma história diferente e que exigiu ainda mais superação.

A jovem só foi aprovada na seleção da escola um ano depois dos irmãos, em 2011, e acabou ficando um ano atrás nos estudos de Ingrid e Giovanni.

Em 2016, ela ainda cursava o segundo ano do ensino médio --o que não impediu de ser aprovada. Como ela tem 18 anos e conseguiu atingir mais de 450 pontos em cada área de conhecimento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), tem direito ao certificado de conclusão do ensino médio e não precisará fazer o 3º ano.

"Ela foi um exemplo de dedicação, tanto para mim, quanto para Ingrid. Amanda não pôde fazer um curso pré-vestibular mais focado pela grande carga horária que ainda tinha do colégio. Mesmo assim, conseguiu passar no curso desejado. Foi como ela mesma disse: nos esforçamos muito e abdicamos de muitas coisas juntos, seria injusto que os três não passassem na mesma hora", conta Giovanni.

Sempre unidos

Único homem do trio, Giovanni garante que a união com as irmãs sempre foi uma marca da família --eles moram com a mãe e a avó em Salvador. "Sempre nos demos muito bem, sempre apoiamos uns aos outros. Apoio moral e nos estudos. Isso tudo contribuiu", diz.

Segundo ele, a emoção de saber que os três foram aprovados ao mesmo tempo foi uma das melhores da vida. "É indescritível. Por sabermos da dificuldade que é passar em qualquer universidade para medicina nos dias de hoje, demos tanto valor a essa conquista", explica.

Ingrid lembra que a rotina do dia a dia antes da aprovação era puxada. "A gente saia de casa às 5 horas da manha para ir para o colégio. Depois, seguíamos para o curso. Passávamos o dia fora de casa por conta dos estudos. Já Amanda fazia dois dias de curso só na semana, era uma rotina um pouco diferente porque ainda estudava o segundo ano", conta a jovem, que tinha, junto com os irmãos, uma bolsa de estudos no curso pré-vestibular.

"Essa rotina dificultava um pouco, mas no final de semana a gente sempre se reunia para estudar", completa Giovanni.

Ingrid lembra ainda que a rotina da escola onde se formou foi crucial na sua formação. "Sou muito grata ao Colégio Militar. Além de ter-me proporcionado muitas oportunidades, o ensino de lá é de excelência. A questão da disciplina fez toda diferença", afirma.

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