Deixava o celular longe, diz aprovado em 8 vestibulares de medicina

Bruna Souza Cruz
Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Ângelo ainda aguarda confiante o resultado da Unicamp

    Ângelo ainda aguarda confiante o resultado da Unicamp

A ficha de Ângelo Thomaz Duarte Cavalcante, 20, não caiu. Apesar de ainda não acreditar, ele fará em breve sua matrícula no curso de medicina da USP (Universidade de São Paulo). Segundo ele, que estudou todo o ensino médio em escola pública, as principais estratégias adotadas foram duas: muito treino e deixar de lado o celular e as redes sociais.

A receita parece ter dado certo. Dos 13 vestibulares que prestou, foi aprovado em outras sete instituições (além da USP): nas públicas Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e UFG (Universidade Federal de Goiás), e nas particulares Anhembi Morumbi, PUC Campinas, PUC Sorocaba, Santa Casa e Unicid. E ele ainda aguarda confiante o resultado da seleção da Unicamp.

"Estou meio bobo ainda. Olha, eu via essas notícias na internet de pessoas que passavam em um monte de vestibular e eu achava que eram todas meio geniais. Agora, eu vejo que não é assim. Durante o ensino médio [cursado na Etec Presidente Vargas], eu era um estudante mediano. Nunca fui de estudar no ritmo necessário para entrar numa faculdade de medicina. Foi no cursinho que eu me dediquei mais", contou.

Ao todo, foram dois anos de cursinho desde que terminou o ensino médio, em 2013. Mas ele pegou firme mesmo durante o ano passado. "Para render melhor nos estudos desativei o Facebook, mudei o número do Whats App, desativei as notificações e só usava o celular para ler mensagens dos grupos do cursinho. Na hora de estudar, eu deixava o celular longe, mas nunca fui muito viciado também. Além disso, eu treinava muito. Fazia uma redação por semana, simulados e fiz muitas provas anteriores dos vestibulares", relembrou.

"Acho importante você saber o que está disposto a abrir mão. Tem que ter foco e tem que manter a produtividade. Usar seu tempo de maneira que ajude nos estudos. Vejo muita gente estudando 5h, mas que no fundo vale por 2h."

Ângelo não sabe até hoje quantas redações fez durante o ano passado, mas tem certeza de que foram mais de 60. Para ele, melhorar seu desempenho nessa parte foi crucial para os bons resultados que teve.

"No primeiro semestre do cursinho minhas notas na redação estavam baixas. Então decidi nas férias fazer três redações por semana, quando o cursinho pedia apenas uma. Vi que estava melhorando e em outubro aumentei ainda mais. Fiz uma redação por dia durante todo o mês. Meu desempenho me surpreendeu", contou. "É que nem um atleta. Tem que estar treinado para fazer o negócio."

O estudante conta que os estudos durante a semana faziam parte de uma verdadeira maratona. Estudava no cursinho das 7h30 às 13h40, voltava para casa para almoçar e retomava os trabalhos por volta das 15h30. Só parava às 23h30. Os domingos eram os únicos dias em que o estudante diminuía a ritmo, fazendo redações e provas anteriores dos vestibulares que desejava.

Controle Emocional

Além de toda a preparação, Ângelo acredita que ter um controle emocional bom é muito importante durante todo o processo.

"Medicina é muito concorrida. Errar uma questão define se você passa ou não. Conheço muitas pessoas no cursinho que eram até melhores do que eu e não passaram. Acho que ir confiante é uma boa coisa. Vi que muita gente ficava pensando negativo. Isso é auto-sabotagem. Por isso, procurei ir confiante para todas as provas. Alguma eu tinha que passar. Só não esperava tantas", brincou.

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