Após suicídio de reitor, UFSC é alvo de nova operação da PF

Do UOL, em São Paulo

  • Cadu Rolim/Fotoarena/Folhapress

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é alvo de uma nova operação da PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (7), dois meses após o suicídio do reitor da instituição Luiz Carlos Cancellier. Na ação de hoje, a PF, junto com a CGU (Controladoria Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União), investiga a aplicação irregular de verbas públicas federais destinadas a projetos de pesquisa desenvolvidos por fundações de apoio da UFSC.

Em outubro, Cancellier, que tinha 59 anos, pulou do quinto andar no vão central de um shopping de Florianópolis. Dias antes, ele e seis professores foram alvo de outra operação da PF que apura supostas irregularidades na concessão de bolsas de ensino a distância.

Cancellier não era suspeito de desvio de recursos, mas de tentar intervir em uma apuração interna. A PF abriu sindicância para investigar a conduta de agentes em ação na UFSC.

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Cancellier não era suspeito de desvio de recursos, mas de tentar intervir em uma apuração interna

O superintendente da PF em Santa Catarina, delegado Marcelo Mosele, declarou que a ação desta quinta-feira não tem relação com a que envolveu Cancellier, e defendeu a instituição alvo de críticas pela operação passada.

"A Polícia Federal investiga fatos. Hoje é a fase ostensiva das investigações", disse em pronunciamento à imprensa. "A PF tem o dever de prestar contas do seu trabalho. Não divulgaremos nomes dos suspeitos".

As investigações que resultaram na ação de hoje tiveram início em 2014 a partir de uma comunicação feita pelo gabinete da Reitoria da UFSC. O documento analisava aparentes irregularidades em projetos de pesquisa desenvolvidos com uso verbas públicas federais firmados em 2003 e 2004.

Entre as irregularidades apontadas, os investigadores encontraram indícios de contratações de serviços sem licitação prévia. Também são mencionados pagamentos realizados a empresas vinculadas a servidores da universidade ou das fundações de apoio, e até mesmo pagamentos efetuados a empresas fantasmas, segundo a CGU. 

De acordo com os investigadores, dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017.

"Durante esse período, foram identificadas diversas irregularidades quanto à execução financeira apontando para o desvio de verbas públicas e para a prática de outros crimes licitatórios", diz a PF em nota.

As irregularidades investigadas foram auditadas pela CGU e pelo TCU, que solicitaram a correção de práticas administrativas que poderiam levar ao mau uso do dinheiro público, "o que não foi atendido pelos administradores", segundo a PF. "A UFSC, segundo informações da CGU, é a entidade recordista em recomendações para correção de irregularidades no estado de Santa Catarina, com cerca de 120 recomendações".

Também é alvo da operação um servidor aposentado da UFSC que teve sua própria empresa contratada por cerca de R$ 20 milhões sem licitação, de acordo com a PF. Esse contrato foi questionado pelo TCU.

UOL procurou a universidade a respeito da operação desta quinta-feira, mas não obteve retorno até o momento.

Para a operação, chamada "Torre de Marfim", foram expedidos pela Justiça Federal 20 mandados, sendo 14 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento).

As ordens judiciais são cumpridas em Florianópolis e Balneário Camboriú. Os investigados devem responder por crime licitatório, peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro, bem como por atos de improbidade administrativa.

Segundo a PF, o nome da ação faz referência "a um afastamento da principal finalidade do mundo acadêmico".

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