Gleisi diz que Lula não assistiu a todo o debate da Band

Ricardo Galhardo e Katna Baran
São Paulo

  • AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

    4.ago.2018 - Presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, segura máscara com o rosto do ex-presidente Lula na convenção do partido que o oficializou como candidato

    4.ago.2018 - Presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, segura máscara com o rosto do ex-presidente Lula na convenção do partido que o oficializou como candidato

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, não assistiu a todo o debate entre os presidenciáveis na TV Bandeirantes na noite de quinta-feira (9).

"Ele não assistiu todo, assistiu umas partes só, achou que foi um debate com muita ausência de proposta e foi mesmo. Na verdade não tínhamos lá quem efetivamente era comentado no debate, comentaram programas que o PT tinha feito, tentavam a paternidade", disse Gleisi depois de fazer uma visita a Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba nesta sexta (10).

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Na sala onde cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula tem acesso a um aparelho de televisão com os canais abertos, entre eles a TV Bandeirantes. Segundo pessoas que têm acesso ao ex-presidente, a TV, livros e uma esteira na qual pratica exercícios são os únicos passatempos de Lula na prisão.

Lula foi impedido pela Justiça de participar do debate na Band. O PT, no entanto, elaborou outra estratégia: montou um evento paralelo de conversa transmitido pelas redes sociais, com a participação de Gleisi, o candidato a vice da chapa petista, Fernando Haddad, e Manuela D'Ávila (PCdoB), que desistiu da sua candidatura à Presidência para apoiar Lula, e Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e integrante da coordenação da campanha petista. A falta de um petista no embate televisivo, segundo analistas ouvidos pela reportagem, colocou o partido numa situação difícil, já que deixou o eleitor com a impressão de que Lula não será mesmo candidato.

Ao contrário do que ocorreu no primeiro debate da Band, quando o PT organizou uma conversa "paralela" com eleitores pelas redes sociais, o ex-prefeito Fernando Haddad deve substituir o ex-presidente nos próximos debates, afirmou Gleisi, depois de cerca de três horas de conversa com Lula na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. As emissoras são obrigadas a convidar os candidatos a presidente cujos partidos e coligações têm ao menos cinco parlamentares no Congresso.

A estratégia petista, no entanto, é insistir na Justiça para que Lula consiga participar dos programas, mas manter Haddad como "porta-voz" da campanha. "Vamos tomar todas as medidas necessárias para a participação do Lula e, se não conseguirmos, para a participação do Haddad. Não podemos ficar fora dos debates em respeito ao povo brasileiro", afirmou Gleisi. "Durante a campanha, nosso candidato a vice é o porta-voz do presidente", disse.

Haddad e Gleisi reforçaram que a lei eleitoral diz que, mesmo preso, o ex-presidente não teria seus direitos políticos suspensos, o que o autorizaria a participar de sabatinas e debates, e até da gravação de programas eleitorais. "Se de fato, como pensam nossos adversários, o Lula está fragilizado e é um preso comum, porque impedi-lo de participar dos debates se o Código Eleitoral garante a sua participação expressamente?", questionou Haddad.

O ex-prefeito de São Paulo disse que, durante a visita, Lula fez um apelo aos seus adversários na disputa eleitoral e aos meios de comunicação para que o ajudem a participar dos debates. "Lutar pela participação do Lula (nos debates) vai aumentar a audiência, as pessoas vão poder ouvi-lo, poder ouvir os seus adversários, que poderão questioná-lo sobre qualquer tema, e ele está muito disposto a isso. [...] (Lula pede) que lutem pelo fim da censura", afirmou.

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