Grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" é retomado após ataque hacker

do BOL, em São Paulo

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    Grupo no Facebook já contava com mais de um milhão de membros que aceitaram o convite para participar

    Grupo no Facebook já contava com mais de um milhão de membros que aceitaram o convite para participar

O grupo de Facebook "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro", que já contava com um milhão de participantes oficiais e mais um milhão de possíveis interessadas, foi retirado do ar neste domingo (16), mas voltou à ativa no início da tarde. No entanto, agora está visível somente para quem é membro.

O bloqueio à página criada contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro, do PSL, aconteceu após uma série de ataques hackers, com postagens de mensagens ofensivas, troca do nome e da foto do grupo e divulgação de dados das organizadoras.

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De acordo com informações do El Pais, o Facebook afirmou que o grupo havia sido temporariamente removido após a detecção de atividade suspeita. "Estamos trabalhando para esclarecer o que aconteceu e restaurar o grupo às administradoras", informou a rede social. Pouco depois, o perfil da criadora do grupo, Ludimilla Teixeira, que fez uma série de postagens sobre o caso, também foi bloqueado, na manhã deste domingo (16). Ambos voltaram ao ar no início da tarde deste domingo.

Em comunicado à imprensa, o Facebook informou que o grupo foi restaurado e devolvido às administradoras. Ao contrário do que divulgam boatos nas redes sociais, o grupo surgiu e cresceu como "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro", não tendo sido convertido a partir de outro.

No Twitter, a hashtag "MulheresContraOBolsonaro" chegou a ocupar o segundo lugar nos Trending Topics na manhã deste domingo, reunindo mensagens de homens e mulheres em apoio à ação feminina e contra a remoção da página.

"O direito das mulheres ao voto nunca foi tão fundamental numa eleição. Obrigada, sufragistas", escreveu uma internauta. "Minha total solidariedade  às administradoras do grupo #MulheresContraOBolsonaro, que tiveram seus dados pessoais expostos e também a todas as demais do grupo. Ação mais emblemática sobre os métodos do candidato e seus apoiadores, impossível", postou outro.

Ofensas e ameaças

Os ataques começaram quando uma das administradoras do grupo teve seu perfil invadido e seus dados expostos, ainda na quinta-feira (13). Os invasores fizeram chantagem com outras administradoras, exigindo a remoção da página; caso contrário, os dados delas também seriam divulgados. As ameaças aconteceram via Whatsapp, segundo revelou o portal Catraca Livre.

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A página teve a foto de capa e o nome alterados após ataque hacker
Os invasores ainda fizeram postagens com teor ofensivo contra as participantes do grupo, como "Bando de mulher atoa q ao tem oq que fazer" (sic), e ainda alteraram a foto do grupo e o nome para "Mulheres COM Bolsonaro".

"É de conhecimento geral que os apoiadores do fascismo utilizam-se dos meios mais sórdidos para tentar calar aqueles que não aceitam passivos a disseminação do discurso de ódio proferido pelo candidato que fazemos frente de resistência absoluta", afirmaram as responsáveis pelo grupo ao portal Catraca Livre, no sábado (15), antes de a página ser removida.

"Mulheres ocupando espaços de fala nas redes sociais e na mídia, ocupando as ruas e exigindo o devido respeito aos seus direitos conquistados incomoda e muito aqueles que nos querem caladas e submissas, trancadas na esfera do privado, encarceradas. A nossa voz definitivamente não será amordaçada! Não recuaremos um segundo sequer perante ameaças! Sofremos constantes tentativas de silenciamento, assediadas diariamente, somos ameaçadas de estupro, de morte, de termos nossos nomes e informações expostas", continuaram elas.

Resposta na lei, nas urnas e nas ruas

As responsáveis pela página criaram um abaixo-assinado pedindo que o Facebook devolvesse o grupo, o que aconteceu no mesmo dia, e denunciaram o crime à Polícia Federal. O responsável já teria sido identificado e, segundo uma das organizadoras divulgou nas redes, ele teria contado com a ajuda da namorada. "O grupo original não foi excluído. Está arquivado e as administradoras estão fazendo a limpeza. O invasor e a namorada (ajudante) já foram identificados e denunciados na Polícia Federal por crime cibernético", escreveu, de acordo com informações do UOL.

No sábado, as responsáveis já haviam dito que a melhor resposta contra os ataques seria nas urnas: "Iremos mostrar a força das mulheres, pois nossa união não é feita através da violência, mas na certeza de que juntas somos mais fortes e que temos o poder de direcionar nosso país para longe de um discurso racista, misógino e homofóbico", afirmaram ao Catraca Livre.

Reprodução/Facebook
Página do Facebook "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro: Não Nos Calarão!!!"
Outras páginas no Facebook com o mesmo nome foram criadas para reunir as mulheres novamente, e as administradoras publicaram também o grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro: Não Nos Calarão!!!": "Enquanto o grupão #MulheresUnidasContraBolsonaro estiver fora do ar, vamos nos reagrupar aqui. E caso o grupão não volte a funcionar, já estaremos na nossa nova trincheira. Importante nos mantermos unidas", diz a descrição.

Antes da remoção da página, já havia o plano de levar a mobilização das redes sociais para as ruas. O ato "Mulheres contra Bolsonaro" está agendado para 29 de setembro no Largo da Batata, em São Paulo.

(Com informações de El PaisCatraca Livre e UOL)

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