Entre céticos e preocupados, generais falam sobre denúncia contra Bolsonaro

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília

  • Foto: Diego Nigro/JC Imagem

    De acordo com revista, ex-mulher acusou Bolsonaro de furtar cofre e ocultar patrimônio

    De acordo com revista, ex-mulher acusou Bolsonaro de furtar cofre e ocultar patrimônio

Generais aliados ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) ouvidos pelo UOL se dividiram entre a preocupação, o ceticismo e a revolta em relação à reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (28) que revelaram que a ex-mulher dele o acusou, entre outras coisas, de furto a um cofre em uma agência do Banco do Brasil e ocultação de bens à Justiça Eleitoral. Um deles, exaltado, disse que os generais estão "cagando" para as denúncias. 

A reportagem do UOL conversou com três generais da reserva que atuam junto à campanha de Bolsonaro. Todos aceitaram falar, desde que fosse sob a condição de anonimato. Um deles demonstrou certa preocupação com o conteúdo da matéria.

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"Conheço o Bolsonaro e o considero um homem honrado. Mas vou me informar melhor sobre o que essa reportagem trouxe. Se ficar comprovado que ele fez algo do que está dito ali, eu me retiro dessa missão", afirmou um dos generais. O que mais preocupou esse militar foram as acusações envolvendo a suposta ocultação de patrimônio e recebimento de recursos não declarados.

"Na vida militar, a gente leva uma vida muito austera. Zelamos muito pela honestidade. Quero construir um país melhor para minha família. Se eu perceber que não é com esse projeto, eu me retiro e volto à minha vida normal", disse.

Outro general adotou cautela. Disse que ainda não tinha lido a reportagem, mas que entendia que haveria o que classificou como uma "investida" da imprensa contra Bolsonaro. "Ouvi falar da reportagem, mas ainda não li. Acho que há uma investida da mídia contra ele", afirmou.

O militar disse que Bolsonaro não pode ser prejulgado sem ter direito a resposta. "Acho que o Bolsonaro deve ser tratado como qualquer outro cidadão. Como uma pessoa que merece ter direito de resposta e a não ter uma condenação antecipada", afirmou.

O general disse defender que, se houver algum indício concreto de ato ilícito, que o caso deva ser investigado, mas que até haja um "julgamento final", ele seguirá trabalhando junto à campanha.

"Não podemos ser injustos com ninguém. Com Lula, com (Fernando) Haddad, e não podemos ser injustos com o Bolsonaro. Não posso, por cada arrepio de coisa, por conta de quem quer que seja, mudar o meu posicionamento. Até que haja um julgamento final sobre essa situação, continuo trabalhando como estou", afirmou. 

"Generais estão cagando para essa denúncia"

O terceiro general com quem a reportagem do UOL conversou demonstrou irritação em relação às denúncias feitas pela reportagem da revista Veja. Ele disse que é normal que, durante um processo de separação, acusações entre os cônjuges sejam feitas de parte a parte e acusou a imprensa de tentar "destruir" a candidatura de Bolsonaro.

Bolsonaro e Ana Cristina Valle ficaram juntos por quase 10 anos. Ela é mãe de um dos filhos mais novos do candidato. Quando se separaram, Bolsonaro e Ana Cristina, que hoje é candidata a deputada federal pelo Podemos do Rio de Janeiro, travaram uma disputa pela guarda do garoto.

Ana Cristina chegou a ir para a Noruega onde, segundo telegramas do Itamaraty publicados por uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, teria relatado a um diplomata brasileiro ter sido ameaçada de morte por Bolsonaro. Após a publicação, ela divulgou um vídeo negando ter sido ameaçada e elogiando o ex-marido. 

Ana Cristina voltou ao Brasil e entrou em um acordo com Bolsonaro em relação à guarda do garoto.

"A coisa mais comum num desquite, num divórcio, é as pessoas dizerem coisas inverídicas. Se você checar, vai ver que isso é a coisa mais comum do mundo. Agora, a imprensa está fazendo uma campanha para acabar, destruir a candidatura de Bolsonaro. Isso é um absurdo", afirmou.

Indagado apenas em relação às denúncias de que Bolsonaro teria ocultado patrimônio da Justiça Eleitoral e de que ele teria furtado um cofre mantido pelo casal em uma agência do Banco do Brasil, o general se exaltou. "Você quer saber o que os generais pensam disso? Os generais estão cagando pra essa denúncia", disse.

Ex-mulher diz que Bolsonaro nunca a ameaçou de morte

Reportagem indica que Bolsonaro pode ter ocultado bens à Justiça Eleitoral em 2006

A reportagem da Veja desta sexta-feira menciona um processo judicial entre Ana Cristina Valle e Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, Ana Cristina anexou documentos que comprovariam que o deputado federal ocultou bens à Justiça Eleitoral em 2006, quando se reelegeu.

De acordo com a reportagem, nas eleições de 2006, Bolsonaro bens no valor de R$ 433 mil, mas sua ex-esposa anexou uma declaração de imposto de renda de Bolsonaro que indicava que o patrimônio do deputado era superior ao que foi informado. 

A matéria também traz uma cópia de um boletim de ocorrência no qual ela acusa Bolsonaro de ter furtado o conteúdo de um cofre mantido por ela em uma agência do Banco do Brasil no Rio de Janeiro.

Procurada, Ana Cristina Valle minimizou as informações publicadas e disse que, quando ela fica "brava, fala besteira".

No final da tarde desta sexta-feira (28), Bolsonaro usou as redes sociais para se defender. Em postagens ao longo do dia ele disse ser vítima de ataques da imprensa e anunciou que ingressou com uma queixa-crime contra a revista junto à PGR (Procuradoria-Geral da República). 

"Perdeu toda a noção do limite do possível. Faz uma matéria ocorrida há mais de 10 anos que correu em segredo de justiça que foi a minha separação [...] a revista pega as alegações iniciais da ex-mulher, não pega as minhas alegações e nem fala sobre o deslinde, sobre as consequências desse processo. Qual o objetivo, tentar me desconstruir [...] Respondo a qualquer uma daquelas acusações sem problema nenhum no momento oportuno", afirmou o candidato. 

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