Mulher que diz ter sido marcada com suástica não seguirá com ação

Eduardo Lucizano
Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

A jovem de 19 anos que disse ter sido agredida em Porto Alegre e teve o corpo riscado com o desenho de uma suástica, decidiu que, de momento, não seguirá com a ação contra os agressores. A informação foi confirmada pela advogada dela nesta quinta-feira (11).

Segundo a defensora Gabriela Souza, a vítima manteve a narrativa da agressão e, por ora, não seguirá com a representação criminalmente. Ela afirmou que o mais importante neste momento é tratar da saúde da garota, que está assustada.

O caso é tratado como lesão corporal leve. Por lei, em situações como esta, a vítima tem o prazo de seis meses para seguir ou não com a ação. Ela fez exame de corpo de delito e aguarda o resultado do laudo.

Os agressores da jovem não foram identificados pela polícia, que suspendeu as investigações após a decisão da jovem.

"Nós temos seis meses para decidir se vamos seguir com a representação. Vamos cuidar da saúde mental dela, se reestruturar e pensar no que vai fazer. O principal é respeitar a decisão dela, que está em choque", disse Souza. "Nesse momento, ela só precisa se cuidar", completou.

Segundo o advogado criminalista Adib Abdouni, o delegado só seria obrigado a agir se o caso fosse tratado como tentativa de homicídio, por exemplo.

"O próprio estado teria de enviar ao Ministério Público para avaliar se vai denunciar ou não, se vai prosseguir com a ação penal. Depende das circunstâncias, se os agressores foram para matar ou ferir", disse.

O delegado responsável pelo caso, Paulo Jardim, confirmou ao UOL que o caso está momentaneamente suspenso.

"Ela decidiu não representar, veio acompanhada dos três advogados e não tem interesse se seguir [com a ação], que vai ficar com a vida dela em paz, tranquila", disse Jardim. "Estamos respeitando a vontade da vítima", completou.

Entenda o caso

Segundo a jovem, na segunda-feira (8), três homens a agrediram com socos e com um canivete, usado para desenhar uma suástica em sua barriga. Ela afirma ter sido abordada por causa de uma mochila com as cores LGBT, uma bandeira do movimento e camiseta com a frase "Ele não" – em referência ao movimento de mulheres contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

O delegado afirmou que o desenho feito pelos agressores não é um símbolo extremista. "Sugiro que você abra o Google e pesquise, não é uma suástica, mas um símbolo budista", disse Jardim.

Para a advogada da garota, o delegado está enganado ao afirmar que o símbolo não faz referência ao nazismo. "Ele está equivocado, foi uma atitude homofóbica. Isso não é símbolo de amor, ele deve desconhecer o budismo, que prega amor, gentileza, cuidar. Os budistas não atacariam ninguém. Talvez os agressores sejam ignorantes e não saibam desenhar a suástica, mas isso não tem nada a ver com budismo", disse.

Segundo Jardim, esse não é o único caso que envolve o símbolo. De acordo com o delegado, na semana passada o símbolo foi encontrado em um muro de Porto Alegre e a polícia investiga o caso.

Outros casos

Desde a semana passada, acumulam-se casos semelhantes. O caso mais grave foi o do capoeirista Romualdo Rosário da Costa, 63, que foi assassinado em Salvador na madrugada de segunda-feira. Testemunhas apontam que o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, acusado do homicídio, lhe deu facadas por uma discussão sobre Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro (PSL). Costa era apoiador do PT, e Santana, do candidato do PSL. 

Um levantamento do UOL apontou pelo menos uma dezena de casos de agressão nos últimos dias, sendo estes os casos confirmados por veículos de comunicação. Há relatos em número maior ainda não confirmados em redes sociais.

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