Na TV, Bolsonaro defende "mídia livre"; a aliados, pede que evitem imprensa

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira (11), em entrevista à RedeTV, que não pretende apresentar qualquer projeto de regulação dos meios de comunicação e que "a mídia tem que ser livre". Nesse tema, o pesselista se opõe ao adversário no segundo turno, o petista Fernando Haddad, que tem a regulação da mídia como uma de suas plataformas de campanha.

A declaração vem no mesmo dia em que, em evento realizado nesta quinta, na Barra da Tijuca (RJ), Bolsonaro afirmou a aliados que a mídia é uma adversária de sua campanha e, de acordo com a Folha de S.Paulo, pediu que correligionários evitem falar com jornalistas.

"Tomem muito cuidado com a mídia. [Ela] quer ganhar uma escorregada para me atacar. Recomendo nem falar [com jornalistas], que parte da mídia quer nos desgastar."

Gravada, a entrevista à RedeTV foi exibida no principal telejornal da emissora, o RedeTV News. O candidato tem priorizado TVs e rádios no atendimento à imprensa. As agendas de campanha e a participação em debates estão vetadas até a liberação médica, que, segundo ele, deve ocorrer na semana que vem. Bolsonaro está em fase final de recuperação do atentado a faca sofrido em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG).

"Sem regulação [da imprensa]. Sabemos o que o outro lado não só pensa[em regular], como botou em seu programa de governo. Como, ao longo de 13 anos do PT, tentaram regular a mídia, né? Ou, como eles chamam, democratizar. A mídia tem que ser livre. Em especial a internet, que eles tentaram também censurá-la via Marco Civil da Internet. Liberdade de imprensa e imprensa que realmente estiver voltada com a verdade, como se chama no linguajar de vocês, vendendo a verdade, ela vai ser valorizada. Imprensa livre é sinal de democracia e liberdade", disse na TV.

No evento desta quinta, realizado no hotel Windsor, vizinho ao condomínio onde ele mora, Bolsonaro recebeu deputados do PSL e de outros partidos que manifestaram apoio. Segundo o coordenador político da campanha, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), mais de 300 políticos eram esperados. A organização do evento não informou quantos compareceram.

Durante o encontro, o candidato disse a correligionários que a campanha conseguiu "enfrentar fake news de toda ordem". "O atentado [em Juiz de Fora] é porque nós somos um perigo não para a democracia, mas um perigo para os que teimam em não ser brasileiros."

Ao mesmo tempo em que cita a liberdade de imprensa, o candidato do PSL usa seu Twitter para criticar a mídia. "Imprensa lixo", postou ele mais cedo ao divulgar um vídeo que contesta uma notícia publicada.

Vaias a repórter

Eleitores de Bolsonaro que se juntaram aos jornalistas durante a coletiva no hotel vaiaram uma repórter da Folha de S.Paulo no momento em que ela foi anunciada para que fizesse perguntas ao candidato. O ato foi repudiado pelo presidente em exercício do partido, Gustavo Bebianno, mas alguns apoiadores ironizaram: "Uma vaia não faz mal", disse um deles.

Questionado sobre as dezenas de atos de violência que têm ocorrido pelo país, o candidato respondeu com uma provocação e afirmou que o jornal deveria publicar "com letras garrafais" que Walderice Santos da Conceição, 49, "estava de férias até o meio de janeiro" e, portanto, não seria uma funcionária fantasma de seu gabinete. Reportagem publicada pela Folha no começo do ano mostrou que Wal trabalhava um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio do deputado, em Angra dos Reis (RJ).

"Vocês humilharam uma senhora filha de negros e de local pobre", criticou.

Em seguida, Bolsonaro lamentou o episódio ocorrido na Bahia, na última segunda (8), quando um capoeirista foi assassinado por ter se declarado eleitor do PT. O agressor, segundo a polícia local, teria cometido o crime por divergência política. Bolsonaro argumentou que, em vídeo publicado nas redes sociais, o suspeito nega o fato.

"Mas não interessa qual o problema. Não podemos admitir esse tipo de crime, crime nenhum", afirmou ele, ratificando o que já havia dito ontem, por meio de suas redes sociais. "Dispensamos esse tipo de voto de quem quer que seja. Afinal de contas, quem levou a facada fui eu."

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