Rede se declara neutra, mas recomenda que filiados não votem em Bolsonaro

Do UOL, em São Paulo

  • André Moreira/Folhapress

    Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade

    Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade

Após reunião de sua executiva nacional na noite desta quarta-feira (10), a Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, declarou que não apoiará nem Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT) e que que será "oposição democrática" a quem vencer o 2º turno. Mas recomendou que seus filiados não votem em Bolsonaro.

"Frente às ameaças imediatas e urgentes à democracia, aos grupos vulneráveis, aos direitos humanos e ao meio ambiente, a Rede Sustentabilidade recomenda que seus filiados e simpatizantes não destinem nenhum voto ao candidato Jair Bolsonaro e, isso posto, escolham de acordo com sua consciência votar da forma que considerem melhor para o país", diz a nota.

A Executiva afirma que "os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder pouco afeito à alternância democrática" e que "não tem ilusões quanto às práticas condenáveis do PT, dentro e fora do governo".

Mas que "é impossível ignorar que o projeto de Bolsonaro, conforme tem sido reiteradamente afirmado, representa um retrocesso brutal e inadmissível em três pontos muito caros aos princípios e propósitos da Rede".

A sigla descreve os três pontos nos quais discorda de Bolsonaro:

  1. "Primeiro, promete desmontar inteiramente a estrutura de proteção ambiental existente no país, conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade brasileira e destrói pilares fundamentais para o futuro do país. Além disso, ataca os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras."
  2. "Segundo, é um projeto que despreza direitos humanos e a diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência e à discriminação."
  3. "Por fim, é um projeto que ameaça a democracia e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988"

A Executiva do partido diz ainda que, nestas eleições, apresentou um projeto "alternativo à polarização" e que, infelizmente, tanto Bolsonaro como Haddad "representam projetos de poder prejudiciais ao país, atrasados do ponto de vista da concepção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético".

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Oitava colocada no primeiro turno, Marina Silva já havia declarado no domingo (7), em seu primeiro discurso após a derrota, que, independentemente de quem saia vencedor no dia 28, o partido fará "oposição democrática".

Em 2014, a candidata recebeu mais de 22 milhões de votos e ficou na terceira posição - na ocasião Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) disputaram o segundo turno. Nesta eleição, Marina recebeu pouco mais de 1 milhão dos votos.

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