Saiba como orientar o adolescente antes da primeira relação sexual

Rita Trevisan e Suzel Tunes
Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Os pais devem falar abertamente sobre as regras da família, como dormir na casa do namorado (a)

    Os pais devem falar abertamente sobre as regras da família, como dormir na casa do namorado (a)

Para pais de primeira viagem ou não, o momento que o filho ou filha adolescente começa a namorar é envolvido em certa preocupação por causa do início da vida sexual. Para vivenciar essa fase com tranquilidade, é preciso ter um canal de diálogo aberto com o jovem para tratar de aspectos de saúde e emocionais, além de deixar claras as regras da família sobre namoro e sexualidade.

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A Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), de 2012, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação, revelou que 28,7% dos estudantes com idade entre 13 e 15 anos já tiveram relação sexual.

Provavelmente, muitos deles não anunciaram o fato previamente aos pais. Por isso os especialistas defendem que a educação para a sexualidade comece na infância.

"Os pais precisam cuidar da educação sexual dos filhos, independentemente de quando eles usarão essas informações", diz o psicoterapeuta Oswaldo M. Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex). Até porque, quanto mais o assunto for tratado com naturalidade dentro de casa, mais os jovens encontrarão nos adultos a cumplicidade necessária para buscar orientação quando precisarem.

Como entrar no tema

Mesmo nas famílias em que o assunto não é um tabu, abordá-lo com o adolescente requer tato. Esqueça as conversas com horário marcado. Maria Helena Vilela, enfermeira-obstetra, educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan, instituição privada que se dedica aos estudos sobre sexualidade humana e à educação sexual, sugere aproveitar um momento em que o filho faz um comentário ou demonstra interesse sobre o tema para entrar no papo.

Antes da primeira relação sexual, também é fundamental que os jovens conheçam o que pensam os seus pais sobre sexo e quais são as regras da casa.

"É papel e obrigação dos pais expor os valores familiares, mesmo que o filho não venha a segui-los", afirma o psicoterapeuta Rodrigues Jr. Isso inclui falar abertamente sobre todas as condições relacionadas ao namoro, como passar a noite na casa do namorado ou namorada.

Um médico deverá ser consultado

Tão importante quanto as conversas dentro de casa são as consultas médicas. Após a primeira menstruação, a garota precisa ir ao ginecologista. Já o menino pode ir ao urologista quando começarem a surgir as primeiras transformações físicas, como aumento de pelos no corpo e ganho de massa muscular.

Além de realizar um exame físico –importante para a detecção precoce de disfunções ou doenças–, o papel do especialista nesse momento é, sobretudo, o de orientar e tirar dúvidas. Também vale levar os jovens ao hebiatra, médico especialista em adolescentes, ou mesmo ao pediatra da família. O importante é que os pais e o adolescente tenham confiança no profissional escolhido.

Marcelo Nunes Iampolsky, professor de hebiatria da Faculdade de Medicina do ABC, recomenda que os pais não acompanhem o filho na hora de entrar no consultório ou que, pelo menos, deixem-no passar algum tempo só com o médico, no final da consulta. É nesse período que o adolescente poderá ficar mais à vontade para fazer as perguntas que quiser.

Médicos ou educadores sexuais também podem ajudar os pais na tarefa de derrubar alguns mitos ainda vigentes, como a ideia de que o rompimento do hímen deve sangrar ou de que a primeira vez sempre será uma experiência romântica inesquecível. Vale, ainda, presentear os jovens com bons livros sobre sexualidade.

Prevenção não é só camisinha

O médico terá, ainda, a função de instruir o adolescente sobre como prevenir uma gravidez precoce. É muito provável que ele fale sobre o uso do preservativo até para as meninas, já que o método protege contra doenças sexualmente transmissíveis.

Iampolsky afirma que o fato de esclarecer os jovens sobre métodos contraceptivos não servirá, por si só, para incitá-los a iniciar a vida sexual. "Muitas vezes, por medo e falta de diálogo, o adolescente tem de esconder os métodos preventivos e acaba se esquecendo de usá-los. Por isso, a participação da família acaba sendo uma prevenção extra. Informação não estimula, protege", declara.

O mesmo raciocínio vale para a vacina de HPV, que deve ser um dos assuntos tratados com o médico. O vírus transmitido por via sexual é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero.

Embora a vacina tenha sido apontada como causadora de efeitos colaterais, como desmaios e paralisias, ela continua sendo recomendada e passou a fazer parte do calendário nacional de imunizações a partir deste ano.

"Até hoje, ninguém conseguiu comprovar nenhuma reação negativa da vacina", afirma Maria Helena. A ginecologista Caroline Alexandra Pereira de Souza, especialista da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), também apoia a campanha. "A taxa de infecção pelos HPVs oncogênicos é duas vezes maior entre 15 e 19 anos. Por isso, a vacina, no Brasil, é recomendada para meninas e mulheres a partir dos nove anos", diz.

A educadora Maria Helena lembra, ainda, que é fundamental que os pais conversem com os filhos sobre a vulnerabilidade a que o álcool e outras drogas expõem os jovens. "Por conta das drogas, é muito fácil cometer erros e abrir mão dos métodos contraceptivos e de prevenção", afirma.

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