Museu da Polícia Civil reúne crimes que chocaram o país e curiosidades sobre a corporação

Ronaldo Marques
do BOL, em São Paulo

Você se lembra do crime da mala, manchete dos principais jornais em outubro de 1928? E do Maníaco do Parque, um dos criminosos brasileiros mais famosos da década de 90? Ou talvez, você tenha ouvido falar do polígrafo, um detector de mentiras utilizado como ferramenta de investigação? Se você não lembra de nada disso, bastam alguns minutos no Museu da Polícia Civil, conhecido popularmente por "Museu do Crime", para você relembrar - ou conhecer - histórias de investigações e assassinatos que marcaram o país.

Localizado dentro da Cidade Universitária, na zona Oeste de São Paulo, a instituição oferece aos visitantes um mergulho na história criminal do Estado. O delegado Dr. Ciro Bonilha, diretor em exercício da Academia da Polícia Civil, conta que o museu foi criado em 1930 como um acervo pedagógico para os cursos de investigação e aberto ao público em 1952. Para Bonilha, esta é uma das atrações mais interessantes da cidade.

"Este local é o guardião da história da polícia civil", afirma o delegado. Por isso, nas paredes, há inúmeras fotos de profissionais, distintivos, equipamentos e uniformes que exibem um pouco do cotidiano dos policiais, mas a corporação não é o único atrativo do local.

Os fãs de história já ficam com o interesse aguçado um pouco antes da entrada oficial, onde o visitante é convidado a viajar no tempo através de uma exposição de viaturas mostrando a evolução dos carros utilizados pelos policiais da corporação. Ao entrar no local, decorado como uma delegacia antiga, com telefones e máquinas de escrever utilizados na metade do século passado, um "boneco delegado" sentado à sua mesa recebe os visitantes.

Passando a primeira parte do museu, o visitante dá de cara com as histórias dos crimes mais populares do país. A experiência é bastante visual, com bonecos que expõem ferimentos comuns em assassinatos e réplicas de homicidas e vítimas.

Uma das seções mais famosas é a do "Crime da Mala", que mostra o caso do imigrante italiano Giuseppe Pistone, que matou sua esposa, Maria Fea, e ocultou seu corpo em uma mala. O episódio ganhou uma enorme repercussão na mídia da década de 30. No local, a mala original exibe uma réplica do corpo montado da forma como foi encontrado. A foto original é exposta logo acima, revelando que de fato o crime é chocante.

Outra área bem visitada, especialmente por jovens e estudantes do ensino médio, relata os efeitos nocivos das drogas. A exposição conta com seringas, objetos e drogas apreendidas por profissionais ao longo da história. Além disso, há fotos que mostram como ficam os usuários de crack, heroína, maconha e outras substâncias ilícitas muito utilizadas no país. Dependendo do agendamento da visita, os jovens podem acompanhar a explicação de um delegado sobre tráfico, uso de entorpecentes e prevenção.

Entre as curiosidades, o destaque vai para o polígrafo, o detector de mentiras utilizados em processos de investigação. Com ele, o suspeito era entrevistado por policiais e ficava à disposição de uma máquina que registrava oscilações em suas emoções no momento em que respondia aos questionamentos. O resultado da "mentira" derivava de anomalias em registros cardíacos, pausas na respiração e suor excessivo.

Atrações mais chocantes

Monalisa Lins/BOL
O "Maníaco do Parque" é uma das atrações do local

Dispostas em um espaço mais ao fundo do museu, algumas cabeças de cera retratam criminosos conhecidos do noticiário e captam a atenção do público. Estão lá, por exemplo, o "Maníaco do Parque", condenado por estrupo e assassinatos de seis mulheres nos anos 90, além de tentar matar outras nove vítimas, e o "Bandido da Luz Vermelha", criminoso condenado por quatro homicídios e setenta e sete assaltos. Ele atacava suas vítimas invadindo suas casas e as acordando com uma lanterna de luz avermelhada. 

Para os mais curiosos, há fotos originais dos crimes e curiosidades como cartas e documentos dos condenados acima de cada boneco.

Os visitantes com "estômago mais forte" podem conferir uma sala onde fetos de abortos e cadáveres de bebês vítimas de infanticídio estão à mostra. O local é aberto ao público, mas fica um pouco separado do restante do museu.

A temática policial e o conteúdo mais forte atingem uma lista de curiosos e profissionais de todo o país. "Além das visitas da população de São Paulo, o museu recebe instituições policiais e acadêmicas de outros estados e países, e integra a lista do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)", segundo Bonilha.

Serviço
Museu da Polícia Civil
Visitação: De terça a sexta-feira, das 13h às 17h
Endereço: Praça Professor Reynaldo Porchat, 219 - Butantã - São Paulo - SP
Orientações: Para visitas em grupos é necessário agendamento prévio; menores de 16 anos devem ir acompanhados de um responsável.
Mais informações: (11) 3468-3360 ou museu.acadepol@policiacivil.sp.gov.br

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