Trabalhar em troca de hospedagem já é uma prática comum no Brasil

Do UOL, em São Paulo

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    Gostar de lidar com pessoas é pré-requisito para praticar turismo colaborativo

    Gostar de lidar com pessoas é pré-requisito para praticar turismo colaborativo

Você tem pouco dinheiro disponível, mas possui muita disposição para trabalhar e vontade de se envolver com a cultural local? O turismo colaborativo pode ser o caminho. Pesquisa internacional divulgada em 2013 na edição londrina do World Travel Market -- evento voltado para a indústria de viagens -- , apontou esta como uma forte tendência. O Brasil, inclusive, passou a ser visto, também, como um lugar para se conhecer em tais condições.

"Metade dos brasileiros viajam para dentro do país e metade para o exterior", afirma Riq Lima, sócio-fundador do Worldpackers, um portal de turismo colaborativo com 70 mil pessoas cadastradas em 90 países. "Por aqui, há muita procura na região Nordeste, Sul e por grandes cidades do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro", conta.

O site NightSwapping percebeu o movimento e foi outro que resolveu investir no Brasil. "Em menos de dois meses conseguimos montar uma lista de destinos abertos ao turismo colaborativo, com opções em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Bertioga, Brasília e Guarujá", diz Serge Duriavig, CEO do portal, que possui 100 mil membros, provenientes de 160 países.

Tais sites existem para intermediar o contato entre o turista e o hotel, albergue ou pousada.  Geralmente, o viajante cria um perfil online, descreve as habilidades que possui e quais serviços poderia oferecer. Algo que vai desde cozinhar, até ajudar na limpeza, cuidar da parte administrativa ou atualizar as redes sociais do estabelecimento, por exemplo. Ao ver uma vaga que interessa, ele se candidata. No entanto, é o meio de hospedagem que fará a seleção dos turistas. Geralmente, são exigidas de 20 a 30 horas semanais de trabalho em troca de hospedagem, com ou sem refeições inclusas.

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Arquivo Pessoal
Leonardo de Carvalho Bosso liderou a cozinha de um albergue em Florianópolis por três meses
O chef Leonardo de Carvalho Bosso, 28, aproveitou a intimidade que tem com as panelas para conhecer Florianópolis, em Santa Catarina. No período de dezembro de 2014 e fevereiro de 2015, ele foi responsável pela cozinha de um albergue na cidade. "Elaborei o cardápio do local. Criava os pratos, comprava os ingredientes, preparava e servia a comida", diz. Em troca, além de um quarto compartilhado com outros hóspedes, tinha direito a café da manhã, almoço e jantar. "Sobrava um bom tempo livre para ir à praia todos os dias e conhecer novos lugares", afirma.

Outro adepto do turismo colaborativo, principalmente por razões financeiras, é o blogueiro Rogério Chimionato, 39. Seu diferencial é dispensar a tecnologia para conseguir as oportunidades. No ano passado, quando estava em Itacaré, na Bahia, decidiu conhecer a vila de Barra Grande. Chegou ao local e bateu na porta de campings, albergues e pousadas à procura de quem topasse hospedá-lo em troca de trabalho. "Encontrei o camping de uma senhora, que estava bem cansada de trabalhar sozinha. Ela aceitou que eu montasse minha barraca lá em troca de ajuda diária na limpeza e arrumação do local", diz.

Rogério gastava cerca de duas horas por dia no camping e o resto do tempo livre era utilizado para desbravar o destino. "Com o tempo, as pessoas hospedadas no camping começaram a me dar comida. Como eu limpava a sujeira deles, espontaneamente me recompensavam com refeições. Conheci o verdadeiro espírito colaborativo", ressalta.

Vale a experiência?
As vantagens do turismo colaborativo são a economia financeira aliada à oportunidade de conhecer a fundo a cultura local. Não raramente, quem viaja nesse esquema volta para casa não apenas cheio de fotos, mas também com muitos amigos. Tanto no Brasil quanto no exterior há a oportunidade de alcançar a fluência em uma segunda língua --como inglês ou espanhol -- pela alta frequência de estrangeiros.

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A motivação para Rogério Chimionato praticar o turismo colaborativo é a falta de dinheiro
A experiência, porém, não é para todos. "Precisa gostar de lidar com pessoas, estar aberto às diferenças e não se importar de compartilhar um quarto com gente de vários lugares, que mudam todos os dias", diz Leonardo de Carvalho Bosso.

O luxo, definitivamente, também não faz parte do pacote. Se você não abre mão de mordomias durante as suas viagens, o turismo colaborativo não é uma boa alternativa. "Às vezes, as pessoas que estão abrindo vagas para esse tipo de trabalho tratam você como empregado. Ou seja, você terá que obedecer ordens", diz Rogério Chimionato.

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