Rafa Brites adora ficar com filho no colo; bebê fica feliz ou dependente?

Vivian Ortiz
Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

    Apresentadora posa com o filho no colo

    Apresentadora posa com o filho no colo

Mãe de primeira viagem--Rocco nasceu em fevereiro deste ano--a apresentadora Rafa Brites fez questão de mandar um aviso aos "palpiteiros de plantão" por meio de um post no Instagram, publicado nesta quinta-feira (20).

"Minha cara quando ouço a frase: Assim você vai acostumar ele só no colo… Vou… vou mesmo! #ocoloémeu #ofilhoémeu #alombaréminha #quemnãovaidormirsoueu! Enfie você seu filho chorando no berço. O meu vai ficar aqui afofado!", escreveu.

A POLÊMICA

Muitas pessoas se dividem no momento de criar uma criança. Alguns acreditam que carregar o bebê por muito tempo o tornaria pouco sociável, além de deixá-lo mal estimulado e dependente, pois o pequeno não aceitaria mais ficar sozinho no próprio berço ou carrinho.

Outras, no entanto, acreditam que é exatamente o contrário: quanto maior a atenção, mais a criança se torna amparada e segura, o que gera um amplo debate.

PODE ISSO?

De acordo com o Dr. Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra e neonatologista membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), tudo depende da idade: até os seis meses o bebê tem livre demanda para mamar, e deve ser amamentado quando tiver fome. Assim, pode ficar no colo da mãe o tempo que for necessário, que não é ruim.

Só vemos problema com aquela mulher que não solta a criança, não a deixa ter atividades, brincar, ir para o chão. Enfim, não deixa o filho ser estimulado", explica o médico. "Já a mãe que estimula e ainda por cima é carinhosa não deve ser culpada por isso.

Para Ejzenbaum, olhar uma imagem publicada na internet e já julgar a pessoa é uma atitude errada. "Até porque, neste caso, trata-se de uma criança de dois meses. É claro que ele vai ficar no colo e precisar do carinho e afeto da mãe, que obviamente não está errada em fazer isso", ressalta o especialista. "As crianças precisam ser criadas com afeto e carinho".

Reprodução/Instagram/@andeolifelipe
Pai de Rocco, Felipe Andreoli posa com ele e Rafa Brites

Luciana Rocha, psicóloga perinatal e doula, autora do programa "Tons da Maternidade", concorda e avalia ainda que vivemos em um momento social onde as regras têm ditado as relações interpessoais e, especialmente, a maternidade. "Todo mundo, mesmo aqueles que ainda não passaram pela experiência, sabem como educar ou não um filho", avalia a especialista.

Nesse contexto, segundo Luciana, precisamos lembrar que a teoria e a prática nem sempre caminham juntas. "O bebê humano nasce completamente dependente e precisa de um outro ser, mais desenvolvido, que possa garantir seu desenvolvimento, cuidando de suas necessidades básicas, fisiológicas, emocionais e sociais", ressalta a especialista.

EXISTE BEBÊ INDEPENDENTE?

"Em primeiro lugar, precisamos lembrar que o bebê é um bebê, ou seja, não é um ser com maturidade emocional, física ou social capaz de ser independente", avalia a psicóloga perinatal. Para ela, nossa cultura, momento social e contexto histórico criaram uma necessidade que acabou por "adultizar" as crianças, mesmo as muito novas.

Esquecemos que a criança é um ser ainda em formação, por isso, não entende nossas regras, horários e rotina. Nós as aceitamos desde que se encaixem em nosso modo de funcionar. Esquecemos que precisamos formá-las", diz. Nesse sentido, segundo ela, é muito comum o sofrimento materno ou paterno quando seus bebês acordam muitas vezes ou "trocam o dia pela noite", e por aí vai.

"Precisamos entender que embora seja um indivíduo, o bebê chegou em um mundo que ele não conhece, que tem um movimento, atmosfera, equilíbrio e funcionamento diferente do que estava acostumado. Além dessa adaptação, ele também precisa aprender como se portar emocionalmente nesse novo ambiente", diz.

Ou seja, se um bebê tem suas necessidades supridas, é acolhido e recebe conforto, tende a desenvolver-se com mais segurança, incentivando a autonomia. "Se entendermos as 'manhas e birras' do bebê, podemos oferecer-lhe o que ele precisa, dando-lhe a sensação de saciedade, ao invés do vazio ou abandono", diz.

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