Você corre o risco de fazer coisas que não faria por amor, como Bibi?

Thamires Andrade
Do UOL

  • Estevam Avellar/TV Globo

Em entrevista ao "Vídeo Show", a atriz Juliana Paes, que interpreta a Bibi em "A Força do Querer", falou sobre a reação das pessoas nas ruas sobre sua personagem, inspirada na "baronesa do pó", Fabiana Escobar, que virou traficante de drogas por causa do marido

"Ganho muito puxão de orelha. É o tempo todo: 'Acorda, tenho vontade de dar uns tapas na sua cara. Tenho vontade de te sacudir, mulher. Mas também escuto 'Eu já passei por isso, já fiz muita besteira por amor, já acreditei numa pessoa que não merecia'", afirmou.

Mas a realidade, de acordo com as psicólogas ouvidas pelo UOL, é que todos nós somos capazes de fazer coisas que não faríamos por amor! O motivo? É que nós queremos ser aceitos quando estamos em um relacionamento.

"Queremos ser amados e, para alcançar isso, podemos fazer qualquer coisa. Principalmente se determinada crença ou valor não estiver muito sedimentado para nós. Se alguém propõe usar drogas e esse valor não for considerado tão errado para mim, vou fazer isso só para ser aceito pelo parceiro", explica a psicoterapeuta Lizandra Arita.

Ela fala que o inconsciente não questiona o que está certo e errado, só pensa em alcançar o amor. "É igual quando uma criança de três anos quer um brinquedo. Ela não tem razão, só o emocional, então, ela se joga no chão para ter o que quer. É igual quando estamos apaixonados. Fazemos qualquer coisa pelo amor daquela pessoa, sem avaliar o que está certo ou errado", fala.

Relacionamento obsessivo

Segundo Lizandra, quanto mais identidade e segurança você tiver, mais difícil é se envolver um relacionamento como o de Bibi e Rubinho na novela, que é classificado como obsessivo.

Ainda que os sinais de que o amor se tornou uma obsessão sejam bem subjetivos, um deles seria o excesso de controle pela insegurança. "O ciúme exagerado da Bibi, por exemplo, é um sinal. Ela tem tanta insegurança que precisa passar o parceiro para se sentir segura", explica Lizandra.

O fato de ela não enxergar Rubinho como ele realmente é, na opinião da psicóloga Cristiane Pertusi, também mostra essa tendência ao fantasioso e irracional. "Todos nós temos um lado sonhador, principalmente na infância. Ao chegar na adolescência e na fase adulta a gente faz uma transição entre esse mundo só de coisas positivas para entender que há coisas negativas também. Pessoas como a Bibi não saem da fase utópica e, por isso, não dão conta de enxergar que o mundo e as pessoas têm defeitos e qualidades", fala.

E quem está mais propenso a viver essa paixão?

Para Cristiane, são as pessoas mais emocionais, impulsivas e carentes que tendem a fantasiar a vida e acreditam na ideia de "cara-metade". "São pessoas que sempre buscam alguém para se complementar, como se os seres humanos não fossem únicos e completos por si só", diz.

Na opinião de Lizandra, pessoas com autoestima baixa e inseguras também tendem a fazer tudo para ter o amor do parceiro. "Ela não consegue dizer não, é submissa e tem medo. Ela pode agir assim não só para salvar o parceiro, mas até pelo medo do que pode acontecer com ele e, assim, fazer com que ela se sinta culpada. Não temos como julgar ninguém em uma posição dessa de pressão e dor", fala.

Traumas desses relacionamentos

Lizandra explica que relacionamentos obsessivos desse tipo podem fazer com que as pessoas adoeçam, além de gerar uma série de sensações no inconsciente, como medo e rejeição.

"Ela pode achar que todo relacionamento é daquele jeito. Acreditar que não dá para ser feliz em outro tipo de relação e, por isso, seguir repetindo essa história. Permitir que pessoas que abusem dela se aproximem", diz.

E como se livrar desse amor?

O caminho para recuperar a individualidade e independência emocional é a terapia. Muitas vezes quem está um relacionamento desse tipo leva tempo para ver que é algo doentio. Por isso, depois de perceber, o ideal é buscar ajuda.

"Muitas vezes se a pessoa não faz terapia ela chega ao fundo do poço para conseguir tomar a decisão de que não querer mais aquele amor e nem conviver com ele", diz.

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