Bolo, coreografia e luta: Como foi o encontro dos Defensores nos bastidores

Giselle de Almeida
Do UOL, na Cidade do México*

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    "Os Defensores"

    "Os Defensores"

"Os Defensores", que chega à grade da Netflix na próxima sexta-feira (18), ganhou neste domingo um novo trailer: a prévia mostra o começo da guerra por Nova York.

A reunião de Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro (Finn Jones), motivada por um inimigo em comum --agora personificado na figura de Alexandra (Sigourney Weaver)--, já é aguardada com ansiedade pelos fãs há pelo menos dois anos. E nos bastidores da série não foi diferente.

Reprodução/Instagram/therealkrystenritter
Bolo de aniversário para Krysten Ritter e Charlie Cox nos bastidores de "Os Defensores"

Foi intenso o dia em que os quatro atores se encontraram num set pela primeira vez. "Era aniversário do Charlie e da Krysten [ele completou 34 anos no dia 15 de dezembro, e ela, 35, no dia 16]. Havia um bolo enorme e muita luta", lembra Finn Jones, aos risos, durante uma conversa com jornalistas na Cidade do México. "A primeira sequência que fizemos foi a da luta no corredor, que é exibida no terceiro episódio. Foi divertido ver como a energia seria".

E, para os atores, era nítido que se tratava de uma ocasião especial. "Eu e Finn não éramos fãs dos quadrinhos antes de começarmos a gravar as séries. Agora aprendemos quais são os momentos que os fãs gostam", diz Charlie Cox.

Surpresas nas gravações

O fato de eles não terem intimidade com as HQs lhes reservou algumas surpresas na hora de gravar. Aquelas referências que os fãs adoram buscar nas adaptações para a TV e para o cinema muitas vezes passam despercebidas para os intérpretes, já que muitas vezes não vêm especificadas no roteiro.

Divulgação/Netflix
Finn Jones é Danny Rand / Punho de Ferro em "Os Defensores"

"Descobri só recentemente que o caminhão que deixou Matt cego era da Rand Enterprises. Soube disso no set de 'Os Defensores'. Não tinha ideia. Desculpe por isso, cara. É minha culpa", brinca Jonnes direcionando a Cox. "Os escritores e produtores se divertem com isso, mas eles nunca nos contam. Às vezes a referência é só um objeto que colocam no cenário", explica.

Cox também já se surpreendeu ao descobrir, no meio de uma gravação, que uma cena aparentemente corriqueira tinha mais significado que ele poderia imaginar. "Estávamos coreografando a luta no corredor do terceiro episódio da segunda temporada de 'Demolidor'. A luta começa comigo segurando uma arma: eu puxo o gatilho, que faz um clique, e eu sorrio. Um dos membros da equipe, que é um profundo conhecedor dos quadrinhos, falou na hora: Legal, é a capa da edição 184, 'No More, Mr. Nice Guy'. É uma edição famosa, mas não estava especificado no roteiro", diz ele, achando graça do episódio.

Divulgação/Netflix
Luke Cage (Mike Colter), Stick (Scott Glenn), Punho de Ferro (Finn Jones), Jessica Jones (Krysten Ritter) e Demolidor (Charlie Cox) em cena de "Os Defensores"

Herói em boa forma

Ser super-herói exige alguns sacrifícios dos atores, que mesmo contando com dublês nas sequências mais complicadas, precisam estar em forma. "Nossa vida inteira mudou, especialmente quando você está gravando. Nada de pizza, nada de cerveja. Só sucos verdes e muitos exercícios", brinca Jones.

Além da disciplina, os dois atores ingleses trocaram Londres por Nova York, onde os heróis, afinal, fazem a diferença no dia a dia de Hell's Kitchen. Cox sente falta dos jogos do Arsenal, seu time de futebol do coração, e Jones, do típico humor britânico. "Mas não tenho saudade do tempo", ele ri. "Amo o Brooklyn, amo Nova York. É uma energia boa, as pessoas são ótimas", conta o intérprete de Danny Rand.

Fracasso de "Punho de Ferro"

Acostumado a fazer parte de uma série que com admiradores apaixonados, Jones diz que não pensou duas vezes ao ser escalado para viver Danny. Relaxado durante toda a entrevista, o ator só muda de postura e de tom quando o assunto são as duras críticas que a primeira temporada de "Punho de Ferro" recebeu.

É quando o intérprete do caçula da turma fica --sem trocadilhos-- na defensiva. "Eu acredito no personagem. E eu ouço os fãs. A resposta que eu tenho das pessoas desde que a série saiu foi amor, apoio, entendimento. Estou viajando o mundo, indo a convenções, encontrando as pessoas nas ruas e todo mundo diz: 'Não escute o que essas pessoas falam na internet, nós amamos a série'. Todo mundo diz isso para mim. O que esse pequeno número de pessoas diz é irrelevante, o grande público entende, e eu gosto disso".

O medo de ser Demolidor

Cox, por sua vez, encarna o mesmo personagem pela terceira vez e garante que isso lhe dá mais tranquilidade ao realizar seu trabalho. "Essa série é uma celebração, sinto menos pressão agora porque o personagem já foi revelado, as pessoas já sabem como eu interpreto Matt Murdock. Se eles gostam ou não, já foi discutido", ele ri. "O que vai ser debatido agora são as relações entre eles", completa ele, que viu sua vida mudar desde que assumiu o uniforme do Homem sem Medo.

Divulgação/Netflix
Charlie Cox é Matt Murdock / Demolidor em "Os Defensores"

"De repente, a série se tornou o trabalho pelo qual sou mais conhecido. E quando você faz filmes, o que fiz pelos primeiros oito ou nove anos da minha carreira, e alguém te reconhece por aquele personagem, já se passou um ano desde que você viveu aquilo. Ser reconhecido e admirado por um personagem que você ainda está vivendo é uma sensação diferente", reconhece o ator de "Segredos da Paixão" (2013) e "A Teoria de Tudo" (2014).

Isso não impediu que Cox tivesse certo receio ao assinar o contrato. Sincero, o inglês admite que relutou antes de embarcar no projeto, que reverteu a péssima repercussão gerada pelo filme "Demolidor", de 2003, com Ben Affleck no papel principal, e deixou a porta aberta para os demais defensores conquistarem seu espaço no serviço de streaming.

"Um dos meus receios de interpretar um personagem da Marvel, que tem uma história de mais de 60 anos e uma grande base de fãs, é que você poderia ter uma série não tão boa e bastante vista, porque o personagem é popular. Eu não queria fazer dez anos de uma série que não tivesse um material interessante. É sempre um risco quando você fala de TV porque você tem que se comprometer por alguns anos. Só depois que li o roteiro, falei para o meu agente: 'Quero fazer parte disso, é especial'".

* A repórter viajou a convite da Netflix

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