O que fazer quando um quer mais sexo do que o outro?

Heloísa Noronha
Colaboração para o UOL

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Durante cinco meses, a empresária Márcia F. R. Silva, 35, perdeu o interesse por sexo. Ela estava numa fase tão complicada, que nem se deu conta de que estava transando menos com o marido. "Foi ele quem me chamou a atenção, pois queria saber o que tinha por trás das minhas desculpas. Eu sempre negava, alegando cansaço, menstruação, dor de cabeça, ter de acordar cedo no dia seguinte, até dizia que ele é quem precisava de repouso e por isso seria melhor deixar para outro dia. Só que esse dia não chegava nunca", conta.

No papo, Márcia se deu conta de que andava se sentindo feia, porque tinha engordado alguns quilos, e desanimada, por estar numa fase pouco produtiva, inclusive financeiramente, no trabalho. "Abrir o jogo me ajudou a entender que eu precisava fazer alguma coisa pela minha autoestima. Receber o apoio de quem amo me ajudou a superar e a resgatar meu desejo", diz.

Quem quer mais sexo sempre deve tomar a iniciativa de resolver o problema?

Na maioria das vezes, sim. Segundo a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, consultora do site C-Date e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); "puxar a orelha" do par sobre a diminuição do ritmo é um passo importante que o casal resolva a questão. Embora pareça cobrança, perguntar o que vem acontecendo é uma preocupação genuína que merece resposta -- afinal, o sexo é peça-chave de qualquer relacionamento saudável. "É preciso entender o que se passa, principalmente se o casal tinha uma certa frequência que sofreu alterações. Conversar vai abrir espaço para saber se o outro tem alguma dificuldade, ansiedade ou pressão", diz.

A rotina pode diminuir a frequência?

Com certeza! Em alguns casos, um dos dois pode estar se sentindo entediado de fazer sexo sempre no mesmo ambiente, da mesma forma, com a mesma sequência de preliminares. Daí, fica difícil se sentir empolgado, mesmo. Mudar o cenário, propor brincadeiras eróticas diferentes e criativas, viajar, dormir em um motel ou hotel, transar em outro ambiente da casa, entre outras medidas, já dão um up no relacionamento. "Mas tem que ser algo de que o par realmente vai curtir. Se for algo incômodo ou  que não deixe à vontade, pode piorar a situação", fala Carla.

Resgatar o fogo do início do romance ajuda?

Sim. Não vai ter a mesma magia, claro, mas é uma boa ideia, principalmente se envolver programas típicos de início de namoro, como sair para dançar, ver filmes românticos no cinema, jantar em restaurantes à meia-luz e por aí vai. São momentos em que um fica mesmo mais perto do outro, sabe? Rola um olho no olho, um toque de pé debaixo da mesa, até a conversa muda. O efeito "vontade zero" pode ser combatido se um se sentir cortejado novamente pelo outro.

Criar um clima de sedução deixa o outro mais animado?

Opa, é óbvio! Mas isso não deve, necessariamente, acontecer no quarto, na hora de propor sexo. O ideal é fazer um aquecimento ao longo dia, enviando mensagens amorosas de duplo sentido, chamar o outro para um almoço bacana em plena semana, enviar flores, chamar para um drinque... Há casais que só se encontram à noite, então é comum que um dos dois volta e meia sinta dificuldade em resgatar a intimidade ou entrar no clima.

Uma questão que não tem nada a ver com sexo pode causar baixa libido?

Pode, ainda mais quando um acha que o outro valoriza mais o sexo do que outros aspectos da relação. "Por um tempo, achei que meu namorado só estava comigo por sexo. Para muita gente seria um cenário ideal, mas em queria algo mais, queria me sentir amado por minhas qualidades, não só por meu desempenho. Isso me levou a esfriar na cama", confessa o produtor Guilherme*, que numa DR acabou admitindo para o par o quanto o jeito dele o incomodava e ambos conseguiram contornar a situação.

*Nome trocado a pedido do entrevistado
 

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