Por onde anda Regina Restelli, a Madonna brasileira dos anos 90?

Heloísa Noronha
Colaboração com Universa

  • Arquivo pessoal

    Nos anos 90, Regina ficou conhecida como a Madonna brasileira

    Nos anos 90, Regina ficou conhecida como a Madonna brasileira

Para atenuar as crises de consciência e os dilemas de Clara (Cláudia Abreu), que por dinheiro aceitava alugar a barriga para o casal Ana (Cássia Kiss) e Zeca (Victor Fasano) e acabava se afeiçoando ao bebê, a novela "Barriga de Aluguel" contava com personagens mais leves e divertidos em alguns núcleos, como o da casa de shows Copacabana Café. Entre as dançarinas, destacava-se a sensual Rosa Aimée, vivida por Regina Restelli.

Ela chamava a atenção não só pelas implicâncias com Clara, que também trabalhava na boate, mas pela desenvoltura no palco e pelo visual. Com cabelos platinados encaracolados, às vezes presos com um aplique longo de rabo de cavalo, batom vermelho e delineador preto bem marcado, Regina tinha o mesmo visual cultivado por Madonna na época --a novela foi exibida entre 1990 e 1991 pela TV Globo e a popstar percorria o mundo com a turnê "Blond Ambition".

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Não deu outra: Regina ficou conhecida como a Madonna brasileira. Hoje, porém, resultado de uma reviravolta camaleônica digna de sua antiga musa inspiradora, leva uma vida completamente diferente e longe do brilho dos holofotes: deixou os fios brancos, veste-se com roupas de tecidos naturais e trabalha como terapeuta holística.

Semelhança rendeu lucros

Além da atuação em "Barriga de Aluguel", a atriz soube capitalizar a semelhança com Madonna numa peça de enorme sucesso, também inspirada na cantora. "Perfume de Madonna" viajou pelo Brasil durante três anos. "Sempre trabalhei em musicais, fui bailarina do corpo do Teatro Municipal de São Paulo e até cantava ópera. Então, apesar da peça ser um besteirol divertido, todo mundo elogiava o meu talento para cantar e dançar", conta Regina, hoje com 56 anos.

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"A febre em torno da Madonna, nesse período, era muito grande, porque ela fazia muita coisa interessante e polêmica: discos, filmes, documentário, livro de fotos... Foi também o auge da minha carreira, mas, no fim, me sentia muito cansada. Não queria virar a atriz de um único papel e, na verdade, sentia que meu interesse por assuntos espirituais, ligados à alma humana, só aumentava", diz.

Segundo Regina, a curiosidade por física quântica, radiestesia e pelas teorias de psiquiatras como Sigmund Freud e Carl Gustav Jung vêm desde a adolescência. Ela chegou a cursar Psicologia na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), em São Paulo (SP), sua cidade natal, mas não conseguiu concluir a graduação. "Tranquei com dor no coração, mas estava investindo na minha carreira no teatro. Era uma das protagonistas do musical 'Chorus Line' e levava muito tempo ensaiando e viajando."

Nos palcos, estrelou musicais como "Noviças Rebeldes ou Nunsense" (1987 e 1999), "Entre Amigas" (1995) e "Cole Porter, Ele Nunca Disse que me Amava" (2003 e 2004). Na TV, fez novelas como "Bambolê" (1987) e o remake de "Irmãos Coragem" (1995). Sua última aparição foi em "O Clone", levada ao ar em 2001.

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Mudança de carreira

Com uma necessidade cada vez maior de se autoconhecer e com um desejo crescente de se dedicar apenas aos assuntos espirituais, Regina fez uma transição de carreira tranquila. "E muito pontuada, também, pela maternidade e por todas as descobertas que ela acarretou em minha vida", diz.

A filha Luisa tem 28 anos e mora com ela no Rio de Janeiro. "Ainda sou atriz, apenas passei a me dedicar mais às terapias alternativas e a um conhecimento interno que durou um bom tempo. Às vezes, quando estava no palco, questionava: o que estou fazendo aqui? Qual o propósito disso tudo?"

Gosto de me descrever como ativista quântica.

Durante esse processo, Regina se separou e reavaliou vários valores e conceitos com os quais regia sua rotina. Passou a cuidar mais da saúde da alimentação --ela conta que está na transição de vegetariana para 100% vegana. Estudouo e hoje aplica a Terapia dos Chakras em seus pacientes, método baseado em princípios da física quântica com o objetivo de promover autoconhecimento e expansão da consciência amorosa.

Regina também é especialista em radiestesia e consultora do site Personare. "Gosto de me descrever como ativista quântica", diz ela, que atende pessoalmente e via internet.

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Regina hoje aos 56 anos

Embora se diga plenamente em paz com suas escolhas e seu dia a dia, Regina não descarta a possibilidade de voltar a realizar trabalhos artísticos. "Nunca falo um 'não' definitivo para nada. Gosto muito de atuar, de cantar e de dançar. Se houver um convite que transmita uma mensagem positiva para o público, por que não?". Inclusive para voltar a encarnar a Madonna? "Acho meio difícil, porque o tempo passou, né? Mas de repente..."

Aliás, Regina ainda acompanha Madonna. "Continuo a admirá-la. Ela ficou mais espiritualizada e, assim como eu, enfrentou buscas pessoais. Porém, acho que ela tem uma relação bastante complicada com o envelhecimento. Por mais que tente disfarçar a idade, com recursos estéticos, está com uma aparência cada vez mais plastificada e excessivamente artificial", opina.

Regina, por sua vez, afirma ter um relacionamento mais amistoso com o tempo. "Gosto do meu rosto como é, dos meus fios brancos, das marcas que contam a minha história. Aceito muito bem a senhora que eu sou hoje. Não me sinto bem para usar biquíni, mas não vejo nenhum drama nisso. Já usei tanto e por tantos anos... Eu me sinto em paz, adoro a vida que tenho e quem eu sou. Isso é um privilégio", diz.

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