Cientistas estão próximos de descobrir possível causa da esclerose múltipla

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    Esclerose múltipla

    Esclerose múltipla

O que causa a esclerose múltipla ainda é uma incógnita para a ciência. Isso faz com que o tratamento foque apenas em administrar os sintomas da condição, ao invés de eliminá-la por completo. Mas um estudo realizado por cientistas da Universidade de Geneva, na Suíça, deu um passo importante para a compreensão do que desencadeia a doença.

Na esclerose, o sistema imunológico destrói a cobertura protetora dos nervos, prejudicando o envio de sinais elétricos que transportam informações. Com esse dano, várias funções --como motora, cognitiva e visão-- são gradualmente prejudicadas. Como os cientistas ainda não sabem dizer por que o sistema imune começa a atacar o corpo, eles decidiram testar a reação do sistema imune a um tipo de bactéria e de vírus causadores de doenças para entender o que poderia desencadear uma resposta consistente com o desenvolvimento da esclerose múltipla. 

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Para isso, eles trabalharam com um modelo de rato, injetando cada tipo de patógeno em roedores saudáveis.

Após os testes, os pesquisadores notaram que um certo tipo de glóbulos brancos (linfócitos T CD8 +), que desempenham um papel fundamental na resposta imune do corpo, reagiram de maneira semelhante tanto ao vírus quanto à bactéria. "No entanto, apenas o rato infectado com o vírus desenvolveu uma doença inflamatória do cérebro parecida com a esclerose", diz o autor Nicolas Page.

Ao examinarem a expressão gênica das células T CD8 +, os cientistas descobriram que os linfócitos que reagiram ao vírus expressavam um fator específico de ligação ao DNA, chamado TOX. Para provar que a expressão da TOX era, de fato, crucial no desenvolvimento de uma doença autoimune como a esclerose, os cientistas reprimiram o fator de ligação ao DNA nas células T CD8 + de camundongos saudáveis. O que os pesquisadores notaram foi que "apesar de terem recebido o patógeno viral, os camundongos não desenvolveram a doença".

A explicação para a relação da TOX com a doença, segundo os cientistas, é simples. "Para se proteger contra as reações imunológicas do corpo, que podem destruir suas células ao querer combater o vírus, o cérebro cria barreiras que bloqueiam a passagem de linfócitos T". Mas quando a TOX é ativada nos linfócitos T CD8 +, ela torna as células incapazes de receber alguns dos sinais que o cérebro envia para evitar que ataquem os neurônios saudáveis. Assim, sem esse "memorando", os linfócitos montam uma resposta autoimune que atinge as células cerebrais.

"Este é um resultado encorajador para entender as causas da doença, mas ainda há muito trabalho a ser feito para determinar o que realmente causa a esclerose múltipla em humanos", diz Page.

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