Pessoas com diabetes tipo 1 têm risco aumentado de doenças do coração

Do VivaBem, em São Paulo

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A mortalidade também é mais alta nesses paciente; endocrinologista explica como quem tem a doença pode reduzir esse risco

Um estudo publicado na revista The Lancet este mês mostrou que pessoas com diabetes tipo 1 têm um risco aumentado de apresentarem doenças do coração, além de uma mortalidade maior e mais precoce.

A notícia é ainda mais difícil para as mulheres, que quando diagnosticadas com diabetes tipo 1 antes dos 10 anos apresentam uma redução de 17,7 anos de vida com relação a outras mulheres. Já nos homens diagnosticados com a mesma idade, há uma diminuição na expectativa de vida de 14,2 anos com relação àqueles que não possuem o quadro. Em pessoas diagnosticadas entre os 26 e 30 anos, os riscos foram muito menores.

De acordo com Rodrigo Moreira, endocrinologista do IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione), no Rio de Janeiro, esse estudo é inovador pois essa ligação entre as doenças era pouco conhecida: sabia-se muito mais sobre a relação do diabetes tipo 2 com as doenças do coração.

Para chegar a estas conclusões, o estudo em questão usou os dados de 27.195 pessoas com diabetes tipo 1 e 135.178 pessoas sem a doença. As pessoas estudadas tinham em média 29 anos de idade.

Também separaram os diabéticos entre aqueles que haviam sido diagnosticados antes dos 10 anos de idade, entre 10 e 15 anos, 16 e 20 anos, 21 e 25 anos e, por fim, 26 a 30 anos --o diabetes tipo 1, por ser uma doença em que o próprio corpo ataca as células beta do pâncreas, é normalmente diagnosticado em pessoas mais jovens.

Açúcar demais é o problema

Moreira explica que o problema são os efeitos nocivos que o açúcar tem quando está na corrente sanguínea, o que prejudica a circulação e aumenta os riscos de doenças no coração e nos vasos sanguíneos. “Parece que o grande fator determinante é o tempo de diagnóstico. Quanto mais cedo a doença aparece, mais tempo a glicose está exercendo seus efeitos negativos”, explica o especialista.

No entanto, o endocrinologista aponta que um dos problemas do estudo é justamente não levar em conta como estava indo o tratamento dos pacientes analisados. “Hoje sabemos que o controle da glicemia é efetivo na prevenção de doenças do coração, reduzindo pela metade os eventos cardiovasculares”, comenta o especialista, que também é membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). Os dados foram registrados pelo Registro Nacional de Diabetes da Suécia entre janeiro de 1998 a dezembro de 2012.

Os pesquisadores não sabem, no entanto, porque os riscos são aumentados nas mulheres, mas acreditam que isso pode ter relação com o fato de que mulheres mais jovens sem diabetes têm um risco cardiovascular menor do que os homens, o que altera a base de comparação. O estudo diz que “o risco maior nas mulheres com diabetes tipo 2 não se traduz em um maior risco absoluto comparado com os homens”.

E agora, o que fazer?

Por mais que a notícia seja bastante impactante para quem tem diabetes tipo 1, Moreira pondera que ela pode ajudar, pois aumenta a vigilância dos endocrinologistas para buscarem prevenir esse problema em seus pacientes.

“Hoje, por exemplo, se orienta um uso mais precoce de estatinas para controle do colesterol em pacientes com esse tipo de diabetes que tem mais de 18 anos e foram diagnosticados há mais de 10 anos”, descreve.

No entanto, ele lembra que isso depende também dos níveis de colesterol desses pacientes e de seu histórico. Ou seja, o ideal é mesmo é sempre ter um bom acompanhamento da glicemia e também do colesterol, para assim se prevenir dos riscos.

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