Se engolido, um chiclete demora sete anos para sair do estômago?

Giulia Granchi
Do UOL VivaBem, em São Paulo

Check-up VivaBem - chiclete
Imagem: Priscila Barbosa/VivaBem

Se você, assim como boa parte das pessoas, adora mascar um chiclete, provavelmente já ouviu que, caso engula a goma, ela vai ficar grudada nas tripas ou presa no estômago por anos. A verdade é que esse é apenas um mito que se tornou muito popular, mas não passa disso.

O que acontece quando engolimos um chiclete?

Na maioria das vezes, não acontece nada. O chiclete é uma goma derivada de petróleo e parafina, substâncias que não são absorvidas pelo corpo de forma geral. Como os órgãos do trato digestivo não são estruturas secas, não há chances de o doce ficar preso em nenhuma parede.

Ao engolir o chiclete, assim como ocorre com qualquer outro alimento, ele viaja pelo tubo digestivo, parte do corpo rica em secreções e líquidos --justamente para facilitar a passagem da comida --, que impedem que as coisas se prendam.

Uma pequena parcela do chiclete é aproveitada pelo organismo, como o açúcar e, talvez, algumas substâncias usadas para dar cor e gosto. O que sobra é macerado em partes menores que têm como destino a mistura conhecida como bolo fecal. Normalmente, não é possível vê-lo nas fezes: a goma acaba se misturando com os restos dos outros alimentos, justamente pela ação de movimento do tubo digestivo.

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Existe algum perigo?

Para os adultos geralmente não há problemas. Em casos raros, pode causar obstrução intestinal. No entanto, para isso acontecer, você teria que engolir uma quantidade muito grande de chiclete.

O perigo maior é com crianças pequenas. Nesse caso, pode ocorrer obstrução da via área --já que os tubos são menores do que na idade adulta -- e ocasionar dificuldade respiratória. A indicação médica é nunca disponibilizar o doce para menores de 3 anos; sendo que 7 ou 8 anos é a idade ideal para começar a mascar.

Quanto tempo o organismo demora para eliminar o chiclete?

A goma, assim como outros alimentos, passa por uma pré-digestão no estômago e, após duas a quatro horas, chega ao intestino delgado (fino). Lá, as substâncias que o organismo consegue absorver (açúcar, corantes e aromatizantes) são digeridas.

Após mais algumas horas, o que sobra --a maior parte do chiclete -- vai para o colón e, depois, para o intestino grosso. Por fim, os pedaços da "borracha" que já foram um chiclete saboroso vão embora nas fezes.

O processo todo demora de um a dois dias, dependendo do organismo de cada pessoa e fatores como quantidade de exercícios físicos, ingestão de fibras e hidratação do corpo.

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Mascar pode trazer problemas à saúde?

Ao iniciar a mastigação da goma, seu estômago entende que você vai consumir alguma coisa e se prepara para iniciar a digestão, produzindo mais suco gástrico, o que pode prejudicar quem possui problemas gastrointestinais, como gastrite.

No entanto, os sinais de desconforto só são percebidos por quem tem quadros severos de saúde ou por mascadores crônicos.

O doce também nos faz engolir mais ar, notícia ruim para quem já sofre com flatulências. O desconforto piora para quem mastiga muitos chicletes com xilitol ou outros adoçantes. Por ter alto poder fermentativo, essas substâncias fazem com que as bactérias do intestino produzam mais gases.

Dependendo do chiclete, problemas odontológicos também podem aparecer. Se sua escolha tem açúcar, o ideal é escovar os dentes depois de mascar.

Pelo lado bom, mascar chiclete estimula a salivação, o que é benéfico para quem sofre de condições que diminuem a saliva ou  para quem tem refluxo  --doença na qual a saliva é muito importante, por tamponar o ácido e levá-lo de volta ao estômago.

Mas a mastigação só é indicada entre uma e duas horas depois de comer. Caso opte pelo chiclete sem se alimentar antes, os sintomas podem piorar.

Fontes: Jaime Zaladek Gil, gastroentologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e Ricardo Barbuti, gastroentologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e chefe ambulatório de gastroenterologia clínica HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

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