Em 2º show em SP, Roger Waters "censura" nome de Bolsonaro, mas evita #EleNão

Maurício Dehò e Rodolfo Vicentini
Do UOL, em São Paulo

  • Reinaldo Canato / UOL

    Roger Waters se apresenta em São Paulo

    Roger Waters se apresenta em São Paulo

Após criticar o candidato à Presidência Jair Bolsonaro, Roger Waters voltou ao Allianz Parque nesta quarta-feira (10) e provocou ainda mais.

Na lista em que critica os políticos fascistas, que ocorre no telão durante um intervalo do show, o ex-Pink Floyd cobriu o nome do político do PSL com uma faixa escrita "ponto de vista político censurado". Depois de alguns momentos de suspense, com o público sem entender o que estava acontecendo, o nome de Bolsonaro apareceu no telão. 

A provocação acabou gerando confusão nas redes sociais, com muita gente vendo apenas fotos da inscrição com a censura, e achando que Waters de fato foi censurado - o que não aconteceu.

Assim como aconteceu no show da última terça-feira, o público que acompanhou o show se manifestou politicamente. Já Waters, que fez a provocação em sua lista de neofascistas, preferiu atenuar a crítica durante a parte musical. Se na terça-feira ele exibiu o #EleNão duas vezes, em "Eclipse" e "Mother", causando misto de vaias e gritos em apoio, no show da quarta-feira ele evitou exibir a hashtag.

Entre hits do Pink Floyd e de sua carreira solo, o baixista ouviu coro de "#EleNão" partindo do público, gritos discretos de "mito" e também provocações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Houve até um grupo na arquibancada que abriu um faixa escrita "Fuck you, Roger. Play the song" (Vai se f***, Roger. Toque a música). O pequeno grupo causou revolta em parte do público e a polêmica acabou forçando seguranças a agirem dentro do estádio, pedindo para que os donos da faixa evitassem mais confusões. 

Legenda na faixa, #rogerwaters #vaidarpalpitenapqp

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Um novo momento de manifestação contra Bolsonaro, por parte do público, foi na saída do show, quando coros de #EleNão eram ouvidos nos corredores do Allianz Parque. 

O repertório e os efeitos visuais repetiram o show de terça, com enfoque em clássicos do Pink Floyd, principalmente dos discos "Animals", "The Dark Side of the Moon" e "The Wall". 

Antes de "Mother", Roger Waters falou sobre seu ativismo e indicou que a decisão de evitar o #EleNão na segunda apresentação foi para impedir confusões no público, como foi relatado na noite anterior.

"No show de ontem, não só no estádio, mas na saída, houve algumas coisas tristes. Mas o que sugiro é isso. É do interesse de nós, como comunidade de seres humanos, criar um futuro para nossos filhos e futuras gerações. Teremos de achar um jeito de usar nossa luta, para combater as p... dos porcos e não um ao outro", disse ele. Algumas pessoas começaram a gritar "Ele Não", mas Waters se absteve. "Eu não faço ideia do que vocês estão gritando. Eu estou excluído dessa conversa. Mas ouçam: eu sinto o amor neste lugar e queremos que este futuro seja com o reconhecimento de que os direitos individuais são importantes. E todas as etnias, religiões e nacionalidades merecem ter o básico dos direitos humanos."

O inglês segue a turnê "Us + Them" pelo Brasil com shows em Brasília (13 de outubro), Salvador (17 de outubro), Belo Horizonte (21 de outubro), Rio de Janeiro (24 de outubro), Curitiba (27 de outubro) e Porto Alegre (30 de outubro).

Reprodução/Marcela Ignácio
Roger Waters censura nome de Jair Bolsonaro em show em São Paulo

THANK YOU SÃO PAULO! MANTENHA-SE HUMANO

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Wish You Were Here #rogerwatersusandthem #wishyouwerehere

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