Lanche no fim da tarde liberado: corpo queima mais calorias nesse período

Do UOL VivaBem, em São Paulo

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    Comer depois do trabalho pesa menos na balança

    Comer depois do trabalho pesa menos na balança

Sabe aquele lanchinho que você come quando chega do trabalho? De acordo com um novo estudo, essa refeição é a que menos vai pesar na balança.

Publicada no periódico Current Biology na quinta-feira (8), a pesquisa concluiu que o fim da tarde é a hora do dia em que seu corpo naturalmente queima mais calorias.

Segundo os cientistas, isso provavelmente ocorre devido aos ritmos circadianos, que controlam o relógio interno do corpo e os ciclos de sono e vigília. Em repouso, os seres humanos queimam cerca de 10% a mais de calorias no fim da tarde do que à noite, o que equivale a cerca de 130 calorias extras queimadas durante o final da tarde e à noite versus o meio da noite, sem qualquer trabalho adicional de sua parte.

Segundo a coautora do estudo, Jeanne Duffy, professora associada de medicina na Harvard Medical School, mesmo um pequeno aumento como este poderia afetar a saúde. "Se estiver acontecendo todos os dias, você pode imaginar que, com o tempo, pode fazer uma grande diferença".

O estudo incluiu apenas sete pessoas, portanto os resultados são preliminares. Mas os pesquisadores dizem que o pequeno tamanho da amostra permitiu que eles conduzissem experimentos de laboratório que regulavam tudo, desde a dieta das pessoas até a exposição à luz, oferecendo respostas únicas sobre o impacto natural dos ritmos circadianos.

Por 37 dias, os homens e mulheres que tinham entre 38 e 69 anos viveram em um laboratório sem relógios, janelas, telefones ou Internet. Os cientistas também regulamentaram cuidadosamente seus horários de sono e vigília, assim como a ingestão de alimentos e os níveis de atividade.

Todos usavam sensores que mediam suas temperaturas corporais, o que permitia aos pesquisadores medir o gasto de energia: quanto mais alta a temperatura, mais calorias a pessoa estava queimando. Eles descobriram que a temperatura corporal das pessoas era mais baixa quando os ritmos circadianos correspondiam com a madrugada e de manhã e atingiam seu máximo 12 horas depois, no final da tarde.

Além da questão de peso, Duffy diz que essas descobertas têm um significado especial para os trabalhadores em turnos e pernoitais, que muitas vezes operam em horários incomuns. A pesquisa mostrou que o trabalho por turnos está associado a uma série de problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, câncer e declínio cognitivo. A coautora diz que o novo estudo acrescenta à ideia de que esses problemas de saúde podem estar associados a rupturas do ritmo circadiano.

Segundo ela, nossos relógios biológicos são cronometrados para estarem prontos para fazermos coisas em horários regulares do dia e para sermos funcionais. Quando ficamos acordados a noite toda para trabalhar, estamos lutando contra esse relógio biológico interno.

Mais pesquisas são necessárias para saber exatamente como essas descobertas afetam os indivíduos, mas a atual pesquisa contribui para o crescente entendimento dos cientistas sobre a importância dos ritmos circadianos e seu impacto na saúde total. "Temos esses relógios dentro de nós que precisam ser sincronizados e mantidos em sincronia com o ambiente externo", diz Duffy.

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