Chia faz mal? Aprenda a consumir com segurança e aproveitar seus benefícios

Priscila Gorzoni
Colaboração para UOL VivaBem

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    A semente tem a capacidade de se tornar um gel ao entrar em contato com a água, o que pode causar acidentes

    A semente tem a capacidade de se tornar um gel ao entrar em contato com a água, o que pode causar acidentes

A chia (Salvia hispânica L.), uma semente nativa do sul do México e do norte da Guatemala, se tornou queridinha para ajudar na perda de peso. E essa fama tem respaldo no alto índice de fibra que possui. Por isso, ajuda o sistema digestivo a funcionar melhor, além de aumentar a saciedade e reduzir a velocidade de absorção da glicose. Por sua qualidade de proteínas, fibras, ácidos graxos, minerais e antioxidantes, a chia é considerada um superalimento.

Cuidados ao consumir a chia

No entanto, mesmo com tantos benefícios, é preciso ter cuidado com a forma como a chia é consumida. Ela forma um gel e se expande quando entra em contato com líquidos. Isso é muito benéfico, pois torna mais lenta a absorção da glicose dos alimentos. Mas também pode gerar acidentes.

Foi o que houve no caso relatado em um encontro do Colégio Americano de Gastroenterologia, na Carolina do Norte (EUA) em 2014. Nele, a pesquisadora Rebeca Rawl contou a história de um homem que apresentou obstrução do esôfago por consumir uma colher de sopa de chia e água logo em seguida

Como a chia não havia sido hidratada antes, ela entrou em contato com a água ingerida durante a deglutição, expandiu e obstruiu seu esôfago. O homem precisou ser hospitalizado, pois não conseguia engolir nem a própria saliva. Esse risco é ainda maior em pessoas com problemas para engolir.

Quem consome pouca água também pode ter problemas, já que a semente não seria hidratada de forma correta e poderia causar constipação. Por isso, se você não consegue beber uma boa quantidade de água ao dia (veja o quanto você devia tomar aqui), ingira um pouco do líquido antes de consumir a chia.

Por isso, o ideal é hidratar a chia antes do consumo (por 30 minutos) e dividir a porção diária recomendada --2 colheres de sopa -- em pequenas porções em diferentes refeições. 

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Algumas condições de saúde pedem atenção

Além desse risco de acidentes, algumas condições de saúde demandam um consumo mais cuidadoso da chia.

- Diabetes: devido à alta quantidade de fibras na chia, que retardam a absorção de açúcar no sangue, comer muitas sementes pode exigir ajustes na dosagem de medicamentos para diabetes, devido ao risco de hipoglicemia (queda acentuada das taxas de glicose no sangue). Mas é importante ressaltar que a chia, de modo geral, é considerada favorável aos diabéticos, por que o gel que ela forma e absorve mais lentamente o açúcar.

- Triglicérides elevados: como a chia é rica em carboidratos e gorduras --mesmo que sua maioria seja poli-insaturada -- ela pode favorecer o aumento dessas taxas de gordura no sangue, principalmente em quem já tem propensão ao problema.

- Diverticulose: nesse quadro, o intestino forma pequenas bolsas em que alimentos menores, como grãos e sementes, podem entrar e causar inflamações (a chamada diverticulite aguda).

- Uso de anticoagulantes: o omega-3 da chia também tem potencial anticoagulante, por isso pessoas que utilizam esses medicamentos devem evitar consumir o item devido ao risco de potencializar esse efeito. 

- Alergias: quem é alérgico a sementes de mostarda, linhaça ou gergelim também devem evitar chia, devido ao risco de reação alérgica cruzada.

- Disfagia: a dificuldade de engolir e deglutir aumenta o risco de a chia seca se hidratar antes de chegar ao estômago, causando oclusão. O ideal é consumir sempre a semente já hidratada ou evitar a ingestão de qualquer líquido após o consumo da chia.

Fontes: Gláucia Pastores, engenheira de alimentos, professora e especialista em alimentos funcionais da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da Unicamp (Universidade Federal de Campinas); Andréia Guarnieri, nutróloga e especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE); Clarissa Fujiwara, nutricionista e mestre em ciências pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Camila Castello, nutricionista do Hospital 9 de Julho em São Paulo; Edison de Mello, especialista em medicina integrativa, do Akasha Center for Integrative Medicine, na Califórnia, EUA; Cintya Bassi, nutricionista do Grupo São Cristóvão Saúde, de São Paulo; Daniela Olegário Peçanha, nutricionista da Clínica Dra. Leizi Barreto, no Rio de Janeiro.

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