"Máquinas Mortais": o que esperar do novo filme do Peter Jackson?

Rodolfo Vicentini
Do UOL, em São Paulo

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    Cena do filme "Máquinas Mortais"

    Cena do filme "Máquinas Mortais"

Peter Jackson está animado com sua nova aventura, "Máquinas Mortais", baseada na obra homônima de Philip Reeve. "Quando leio um livro fantástico quero sempre ver [sua versão] em filme", disse o cineasta durante painel na CCXP 2018 (Comic Con Experience), quando apareceu em uma transmissão ao vivo via satélite nesta quinta-feira (6).

Isso todos sabemos. O cineasta adaptou nas últimas décadas a trilogia de "O Senhor dos Anéis", e transformou em três filmes o livro "O Hobbit". Maior referência em J.R.R. Tolkien nos cinemas, o diretor serve como produtor e roteirista (além de fazer a maior propaganda) para "Máquinas Mortais".

O projeto tem como diretor o novato Christian Rivers, seu braço direito no departamento de arte de "King Kong" (2005) e que ganhou a confiança do vencedor do Oscar para pegar um lugar na cadeira de cineasta. O teor continua épico, do jeito que Jackson gosta, e o grande risco do filme é conseguir abraçar toda a complexidade do seu mote central.

O novo projeto apresenta um mundo destruído, em que cidades literalmente engolem outras cidades. Este "darwinismo municipal" é representado com primor no filme, em efeitos visuais impressionantes e momentos de tensão que lembram os clássicos de Jackson..

Um trecho exclusivo de 25 minutos de "Máquinas Mortais" foi exibido na CCXP, mostrando como Londres acaba digerindo uma cidade pequena. A perseguição em escala gigante é carregada de emoção, e é interessante como Jackson e Rivers adaptaram a ideia genial do escritor Philip Reeve. Por outro lado, as cenas seguintes quebram totalmente o ritmo contagiante do que foi visto, dando outro tom para o projeto.

Os protagonistas são Hera Hilmar (a jovem Hester Shaw) e Hugo Weaving (que vive o poderoso Thaddeus Valentina). A garota quer se vingar do líder da comunidade de Londres por ter matado sua mãe, e este fica assustado quando descobre que seu segredo pode ser revelado. E, por enquanto, tudo ainda é muito misterioso -- o que é ótimo.

Robert Sheehan vive Tom, um garoto cuja família era fanática por história e que estudou tudo o que aconteceu na guerra que mexeu com as estruturas do mundo. Ele passa por objetos recolhidos durante as batalhas entre as cidades, e alguns easter eggs aparecem, como os Minions e um iPhone.

A sacada inesperada vai na contramão do trecho, parado e tedioso em comparação ao momento anterior, em que Londres devorou uma cidade menor. Porém, assim que seu líder vira um alvo de Hester, os momentos de tensão voltam e ele começa a perseguir a menina dentro das maquinarias da cidade sobre rodas.

Eles escapam de garras afiadas, explosões e enormes peças metálicas caindo. A cena toda é muito bonita e dá para entender por que Christian Rivers foi tão elogiado pelos efeitos visuais de "King Kong". No final do vídeo, Tom é traído pelo seu líder e cai em um fosso com Hester.

"Vocês vão ver algo inédito", garantiu Jackson durante o painel. "O enredo se passa no futuro, daqui a três mil anos, em que cidades andam sobre rodas e os personagens são muito interessantes. É bom para ir ao cinema pelo menos duas vezes".

"O maior desafio do filme foi dar personalidade para as cidades, que funcionam como personagens", explica o diretor Philip Reeve, que ainda falou das construções dos próprios protagonistas do filme. "É o nosso mundo, não é preto ou branco, há muita complexidade. Nós quisemos ser fiéis ao que Philip escreveu, e a questão do filme é ver a relação entre Hester e Thaddeus."

Outro fator importante de "Máquinas Mortais" é que o filme tem pitadas de steampunk, ainda tímido em Hollywood mas popular nas graphic novels e nos games. O design das cidades e até a caracterização dos personagens são muito bem construídas, parecendo um jogo de videogame sendo exibido diretamente nas telonas.

Com uma história interessante e ao mesmo tempo perigosa pela complexidade, "Máquinas Mortais" chega aos cinemas brasileiros em 10 de janeiro de 2019.

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