Tais Araújo defende Amazônia: "Não dá para ficar de espectador do Globo Repórter"

Beatriz Amendola
Do UOL, em São Paulo

  • Eduardo Martins/AgNews

    Taís Araújo participou de painel da CCXP

    Taís Araújo participou de painel da CCXP

A Amazônia é o pano de fundo de "Aruanas", série ainda inédita do Globoplay, o serviço de streaming da Globo. E o painel da produção na CCXP 2018 (Comic Con) foi dominado por discursos apaixonados em favor da preservação da floresta, vindos das atrizes Camila Pitanga, Taís Araújo, Débora Falabella e Leandra Leal, que estrelam a série. 

"Eu achava que era uma falha de caráter minha nunca ter ido lá. Aquele lugar é nosso, não é para ser explorado. A Amazônia é nossa", disse Leandra, sendo ovacionada pelo público do auditório Cinemark, o maior do evento.

Tais em seguida pediu ao público que não fosse mero espectador da devastação da floresta: "Quando a gente fala de Amazônia, parece que a gente é espectador, mas todo ser que respira faz parte do que acontece. A gente tem que ir a fundo para que seja preservada e seja próspera para as próximas gerações. A ideia da série é fazer com que o Brasil e o mundo inteiro se sinta responsável pela preservação da Amazônia. Não dá para ficar de espectador do Globo Repórter".

Ainda sem data de estreia, "Aruanas" conta a saga de três amigas, vividas por Débora, Tais e Leandra, que passam a investigar uma quadrilha de crimes ambientais na floresta. Camila Pitanga vive a vilã da série, Olga --uma mulher que, segundo a atriz, pratica o oposto de tudo o que ela acredita.

"Minha personagem é a força do capital, representa quem acredita que os fins justificam os meios. Tudo o que eu não acredito", descreveu, notando que, apesar disso, é uma personagem interessante no período de polarização política que o País atravessa: "Tem que tentar entender isso nesse país partido, a gente precisa se olhar".

O ativismo das três protagonistas será um tema central da série, que foi escrita por Marcos Nisti e Estela Renner. Os dois têm experiência com o tema: eles fazem parte do Instituto Alana, uma ONG que desenvolve projetos voltados para crianças desde 1994.

"O Brasil é o país que mais mata ativista no mundo", lembrou Leandra Leal. "Elas [as protagonistas] estão lá como mulheres ativistas, então é risco desbordado. É uma questão de urgência"

"Acho que a série representa a minha missão de vida, que é o cruzamento de arte e do ativismo", completou a atriz, que é engajada em diversas causas sociais.

Para Camila, a série "desmistifica a ideia do herói como uma pessoa inacessível". "O herói é cada um de vocês. Cada um pode lutar por sua comunidade, por uma educação democrática", afirmou, recebendo mais uma rodada de aplausos da plateia antes de exaltar a força das protagonistas femininas da série. 

Débora Falabella elogiou o roteiro de "Aruanas" por refletir sobre diversas questões relevantes. "Acho que a arte é isso. E muitas vezes a gente tem dificuldade de contar uma história eu vá além do entretenimento. A série conta uma história muito urgente no dia de hoje", declarou a atriz, que está em sua primeira CCXP e brincou com seu visual, composto de blusa branca soltinha e calça bege: "Eu estou de jedi, mas foi sem querer". 

A boa representatividade das mulheres em "Aruanas", seja à frente ou atrás das câmeras, também foi comemorada pelo elenco e pelos criadores da série. "Quando você divide a equipe igualmente entre homens e mulheres, isso é ativismo. Todos nós podemos ajudar a mudar o nosso país e partir para a prática", declarou Tais. 

O painel foi encerrado com um grito de "ninguém solta a mão de ninguém", aplaudido de pé por parte do público.

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