Sidrack Marinho diz que virou árbitro após "quebrar galho" com cheques

José Ricardo Leite
Do UOL, em São Paulo

  • Jorge AraújoFolha Imagem

    Sidrack Marinho dos Santos na final Vasco x Palmeiras, em 1997

    Sidrack Marinho dos Santos na final Vasco x Palmeiras, em 1997

De supervisor de caixas de uma rede de supermercados até se transformar em um dos melhores árbitros do país. E tudo isso começou pela ajuda dada a um desconhecido na hora de pagar as contas com cheque. Foi assim que Sidrack Marinho dos Santos, hoje com 59 anos e aposentado, mudou de rumo em 1979.

O ex-árbitro baiano trabalhou por mais de 18 anos na rede de supermercados Bom Preço, na cidade de Aracaju, em Sergipe, onde vive atualmente. Foi de caixa a chefe do setor e depois subgerente e gerente principal de uma das lojas.

Quando era chefe dos caixas, em 1979, Sidrack teve que "quebrar o galho" de um cliente, João Carlos Smith, então chefe responsável pelo setor de arbitragem do estado de Sergipe e hoje já falecido.

SIDRACK DIZ SER SIMPATIZANTE DO PALMEIRAS

  • Ernesto Rodrigues/Folha Imagem

    Agora aposentado, Sidrack diz de que time era simpatizante: o Palmeiras. Mas lembra que isso nunca significou nada, já que apitou decisões de título em que o alviverde saiu perdedor, como a final da Copa do Brasil de 1996, na derrota para o Cruzeiro, e a do Brasileiro de 1997, quando caiu para o Vasco. "Nunca fiz declaração pra time que torço. Mas sempre gostei um pouco do Palmeiras. Mas durante a carreira nunca fiz declaração que torcesse pra um time. E em várias vezes o Palmeiras perdeu comigo apitando", lembra.

Smith não poderia fazer compras com cheque no mercado por não ter feito cadastro na rede e assim não ser um dos clientes preferenciais. Mas, após insistentes pedidos, Sidrack confiou na palavra do comprador e deixou com que pagasse o que consumiu com o cheque. Sem nunca ter tido problemas, o caso se repetiu.

"Tinha um cartão Bom Preço e só recebíamos cheque de quem tinha esse cartão da empresa. A pessoa que recebesse o cheque dele seria responsável. Ele me procurava porque a loja não recebia cheques de quem não tinha cadastro. Ele demonstrava boa aparência, ser um cara de bem. Eu sempre recebia cheque dele e nunca teve problemas", lembrou.

Depois disso, Smith ficou agradecido e fez um inusitado convite. "Ele via meu atendimento, minha forma de tratar as pessoas e analisou minha postura. Disse que sentiu que eu poderia ser árbitro de futebol", falou.

"Ele me perguntou se eu já tinha jogado bola, se eu jogava. Falei que sim, que gostava. Então me convidou para ser bandeira de um jogo amador do Sergipe. Eu recusei, disse que jamais tinha feito aquilo. Até que esse convite se repetiu por umas três vezes até eu aceitar e ver como era. Nunca tinha apitado um jogo, nada. Só jogava bola de vez em quando", lembrou o ex-árbitro sergipano.

Eis que Sidrack resolveu bandeirar um jogo amador sem jamais ter feito isso antes. A participação em jogos era paga. Tudo sob os olhos do dirigente que o indicou. Diz que depois do jogo foi elogiado pela atuação e decidiu investir na carreira.

"Em duas semanas ele me colocou pra ser bandeira num jogo amador e ficou observando. Depois do jogo, falou que nunca tinha visto alguém tão bom. Me abraçou e disse que eu seria um dos maiores árbitros do país. Na semana seguinte, comecei já a apitar os jogos."

No mesmo ano, em 79, faria sua estreia como auxiliar em um jogo profissional no Campeonato Sergipano. Sidrack fez cursos de arbitragem e tocou a carreira no supermercado paralela à do futebol de 1979 até 1993. Teve carreira meteórica na arbitragem nacional. Em 1986, sete anos depois da estreia como amador, passou a fazer parte do quadro da CBF.
 

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Participava de jogos apenas no Nordeste até 1989, quando passou a participar de partidas em outros estados. Em 1994 adentrou ao quadro da Fifa e foi eleito o melhor árbitro brasileiro pela CBF, nos anos de 1996 e 1998. Encerrou a carreira em 1999.

Chegou a participar como comentarista de arbitragem no canal Sportv e fez parte da comissão de arbitragem da Federação Paulista de Futebol. Trabalhou em algumas rádios e também na secretaria metropolitana de Aracaju. Até o começo desse ano, foi superintendente de futebol do Sergipe, mas pediu demissão pela rotina desgastante.

"No momento, estou parado. Tenho algumas residências, casas de aluguel, apartamento. Parei pra dar uma organizada e quem sabe depois voltar pro esporte", falou.

Agora aposentado, Sidrack diz de que time era simpatizante: o Palmeiras. Mas lembra que isso nunca significou nada, já que apitou decisões de título em que o alviverde saiu perdedor, como a final da Copa do Brasil de 1996, na derrota para o Cruzeiro, e a do Brasileiro de 1997, quando caiu para o Vasco.

"Nunca fiz declaração pra time que torço. Mas sempre gostei um pouco do Palmeiras. Mas durante a carreira nunca fiz declaração que torcesse pra um time. E em várias vezes o Palmeiras perdeu comigo apitando", lembra.

Veja fotos de ídolos do passado
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