Invicto, Brasil põe emocional como barreira no Mundial feminino de handebol

Guilherme Costa
Do UOL, em São Paulo

"Quando eu cheguei à Áustria, as meninas do time me perguntavam por que eu gritava tanto para comemorar os gols. Elas não entendiam essa vibração". O relato da ponta direita Alexandra Nascimento, eleita pela IHF (federação internacional de handebol, na sigla em inglês) a melhor jogadora do mundo em 2012, é um bom resumo do maior desafio que o Brasil terá na decisão do Mundial de handebol feminino, às 14h15 (horário de Brasília) deste domingo, contra a anfitriã Sérvia.

"Essa é uma questão importante. Temos um temperamento nosso, que é como o de argentinos e chilenos. O europeu é frio, mas não por demonstrar sentimento. Eles são frios na relação com erros e acertos. Nós ligamos muito para os erros", continuou Alexandra, que defende atualmente o austríaco Hypo Nö, em entrevista ao UOL Esporte.

Atuando em casa, o Brasil foi quinto colocado na edição anterior do Mundial, realizada em 2011. Um ano depois, o time sul-americano obteve um sexto lugar nos Jogos Olímpicos.

Nada que se compare, contudo, à campanha deste ano. Único invicto, o Brasil venceu todos os jogos que disputou no Mundial de handebol – inclusive contra a própria Sérvia, na primeira fase, por 25 a 23.

Dono do ataque mais positivo da competição, o Brasil tem sido novamente conduzido por Alexandra Nascimento, que já marcou 48 gols em oito jogos. Ela tem seis gols a mais do que Sanja Damnjanovic, principal artilheira da Sérvia.

Na semifinal, contra a Dinamarca, o Brasil conquistou até a torcida local. Com uma campanha perfeita, um ataque eficiente, a defesa que mais rouba bolas e uma das principais jogadoras, o time sul-americano tem muitos elementos favoráveis no jogo deste domingo. Tudo isso aumenta o principal desafio das meninas: controlar o aspecto emocional em uma decisão inédita.

Em 2012, esse foi um fator preponderante nos Jogos Olímpicos. O Brasil foi o primeiro colocado do grupo na fase inicial, mas cruzou com a Noruega nas quartas de final. A seleção nórdica, que era campeã mundial e olímpica, foi pior até o intervalo, mas errou menos na metade derradeira do duelo e venceu por 21 a 19.

"É difícil falar de 2012. É difícil dizer o porquê de a gente não ter ido em frente. Infelizmente, o Brasil deu de cara com a campeã olímpica. Faltou frieza faltou experiência, coisas que as norueguesas têm de sobra. As brasileiras jogam com muito coração", avaliou a pivô Dani Piedade.

Dani Piedade explicou que os resultados recentes alteraram o jeito de o Brasil ser visto por adversários: "Antigamente a gente até mostrava trabalho, mas por ser daqui as pessoas olhavam de outro jeito. Por tudo que a gente conseguiu e pelo título da Alexandra, que foi eleita melhor do mundo, as meninas começaram as nos respeitar mais".

Até aqui, o Brasil de 2013 tem confirmado esse status. O time fez um acompanhamento psicológico durante a preparação para o torneio, com ênfase na relação com os erros.

"O que o pessoal fala pra gente é que a gente não pode perder a alegria de jogar. Isso é o que diferencia as brasileiras e dá força para a equipe. Mas a gente precisa aprender a lidar com emoção e não dar tanta atenção às falhas. O erro vai acontecer, mas não significa nada", encerrou Alexandra.

A decisão do Mundial de handebol feminino, às 14h15 deste domingo, terá acompanhamento do UOL Esporte.

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