Atrás de brasileira. Artista que vendeu milhões de discos se dá mal na neve

Bruno Freitas
Do UOL, em Sochi (Rússia)

  • AFP PHOTO / OLIVIER MORIN

    Tailandesa Vanessa Vanakorn compete durante a prova de esqui alpino no Slalom nos Jogos de Inverno

    Tailandesa Vanessa Vanakorn compete durante a prova de esqui alpino no Slalom nos Jogos de Inverno

Uma montanha de neve não é um palco de um concerto. Este foi o aprendizado da tailandesa Vanessa Mae na manhã desta terça-feira em Sochi. Acostumada com o protagonismo no mundo da música, em que já vendeu mais de 10 milhões de disco como violinista, a dublê de atleta foi a última colocada na prova do esqui Slalom Gigante da Olimpíada (entre as que completaram a prova), atrás da brasileira Maya Harrisson.

Nascida em Singapura, Vanessa se mudou ainda pequena para Londres e acabou adotando a nacionalidade britânica. Ela foi um prodígio da música clássica desde muito cedo, entrando no Livro dos Recordes aos 13 anos como a solista mais jovem da história a gravar concertos de Beethoven e Tchaikovsky.

No entanto, a artista que denomina seu estilo como "violino de fusão techno-acústica" sempre foi criticada por alas conservadoras, em razão de misturar demais o clássico com experimentalismos modernos. Muitos dizem que Vanessa também sensualiza demais em seus videoclipes, que só quer aparecer.

Bom, na música é difícil julgar se ela só quer aparecer. Mas, como atleta olímpica, Vanessa deixou nesta terça a impressão de ter vindo a Sochi apenas para saciar um capricho pessoal. Talvez um destes que artistas fazem ao listar artigos para seu camarim em turnês.

A artista adotou o sobrenome do pai tailandês, Vanakorn, e conseguiu se qualificar para a Olimpíada pelo país, sem tradição em esportes de inverno. Ou seja, não havia concorrência.

Nesta terça-feira, Vanessa fez o pior tempo entre as atletas que conseguiram descer a pista do complexo de Rosa Khutor, em Sochi, no 67º lugar. A artista assegurou que não se poupou para preservar seus braços, seu ganha-pão na música.

"Se você não assume riscos, qual o sentido disso? Você tem que desfrutar a vida", comentou após a primeira de suas duas descidas de montanha.

Em pista, Vanessa cometeu falhas consideradas infantis, errou o percurso, consertou o trajeto e enfim levou tudo na brincadeira na hora das entrevistas.

"Eu quase bati três vezes, mas eu consegui chegar em pé no fim, o que é meu objetivo principal. Só de experimentar isso aqui já é incrível. Estava preocupada em me perder na pista, mas deu certo", descreveu a violinista-esquiadora.

À frente de Vanessa na classificação final, a brasileira Maya Harrisson, menina que cresceu na Suíça e não fala português com desenvoltura. Ela terminou a disputa em 54º lugar. Em inglês, a representante do Brasil comentou a aventura de Vanessa Mae Vanakorn como atleta de neve.

"Eu não sabia que ela esquiava. Fui falar com ela, tiramos uma foto juntas. Muitas meninas pediram autógrafos para ela, entregando o cd para ela assinar", declarou a brasileira.

Mas para quem vem do mundo do espetáculo, o lema é que o show não pode parar. Mesmo na última colocação, Vanessa foi uma das mais ovacionadas na chegada e caprichou no sorriso e tchauzinho para o público. Ainda bem que não pediram bis. 

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