Como vive a brasileira suspensa por doping e excluída do triatlo

Karla Torralba*
Do UOL, em São Paulo

Há 5 anos, a brasiliense Mariana Ohata, 36, não sabe o que é competir oficialmente e em alto nível. A ex-triatleta da seleção brasileira dedica-se aos estudos, à família e a dar aulas em São Carlos, no interior de São Paulo. Ela diz que não quer voltar ao esporte e tomou como parte de sua rotina diária trabalhar para que seus alunos não passem pelo mesmo problema que a afastou da carreira de atleta olímpica: o doping.

Mariana Ohata figurou, por duas vezes, o noticiário de doping nos cadernos esportivos na primeira década dos anos 2000. Em 2002, nos inexpressivos Jogos Sul-Americanos, um exame de urina flagrou anfetamina em sua amostra. Mas ela apresentou sua justificativa e foi inocentada, após cumprir suspensão preventiva de 60 dias.

Sete anos mais tarde, o golpe mais forte. A brasiliense foi flagrada por ter usado um diurético em etapa da Copa do Mundo em Iowa, nos Estados Unidos. Mariana justificou dizendo que havia ingerido um chá sem saber que continha a tal substância, chamada furosemida.

Por isso, sofreu uma punição de seis anos pela ITU (sigla em inglês para Federação Internacional de Triatlo), a partir de 2009. Logo, em 2015, ela pode voltar a competir.

Eu estava bem cansada dessa vida de profissional. Meu corpo estava respondendo de forma negativa Mariana Ohata

Mas, hoje, uma das principais preocupações da professora de corrida e triatlo Ohata é mostrar os riscos do doping aos alunos. "Eu sempre busco orientação. Eu fui vitima duas vezes. Não consegui provar a minha inocência quanto a isso, não tive ajuda das pessoas que poderiam me ajudar na época. Eu tento evitar que isso aconteça com meus alunos. Para que eles treinem sem usar", contou Mariana em entrevista ao UOL Esporte.

Mariana deixou de praticar o esporte que a levou aos Jogos Olímpicos de Sydney-2000 (acabou caindo durante a prova de bicicleta, do triatlo), Atenas-2004 (37ª colocada) e Pequim-2008 (39º lugar). A principal modalidade praticada por ela agora é a corrida. Sempre junto a seus alunos, que não são profissionais, e participa de algumas provas em nível amador em São Paulo.

Mais coisas mudaram nesses 5 anos na vida da ex-triatleta. Mariana se voltou à faculdade de educação física, casou-se com o triatleta Reinaldo Colucci e teve uma filha, Laura, de 4 anos.  "Tive momentos difíceis, cruéis. Eu vivia disso, tive que tocar a vida de outro jeito", relembrou. "Só neste período [suspensa do esporte] consegui terminar a faculdade e usei muitas coisas que já havia aprendido no esporte para os meus estudos", disse.

Fui vítima duas vezes e tento evitar que isso aconteça com os meus alunos Mariana Ohata

Para a nova Mariana, o triatlo é, pelo menos por enquanto, algo do passado. "Eu não posso fazer provas oficiais. Eu só faço provas amadoras. Não tem nada com triatlo e nem pretendo fazer prova de triatlo. É pagina virada. Foi um capitulo da vida que já passou. Sou mãe! Isso sim que é uma experiência", comentou.

A brasiliense conta que ainda é bastante lembrada entre os triatletas brasileiros.  "Tenho recebido convite para voltar. Não espero voltar. Eu estava bem cansada dessa vida de profissional. Eu tive muitas lesões e tinha algum tempo que estava tentando parar. Meu corpo estava respondendo de forma negativa. Foi bom para o meu corpo parar", explicou.

Apesar da nova fase e de dizer por várias vezes durante a conversa que não pensa em voltar, perguntada uma vez mais, no final, Mariana ficou pensativa. "Hoje não tenho interesse, mas vai saber. Essa coisa dentro da gente de competir...", completou. 

*Colaborou Daniel Brito, em Brasília

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