Caso Luan: Advogada diz que Grêmio sabia de investidor. Clube vê 'ficção'

Marinho Saldanha
Do UOL, em Porto Alegre

  • LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

    Luan é alvo de briga na Justiça entre investidor e clube. Dinheiro de venda é alvo

    Luan é alvo de briga na Justiça entre investidor e clube. Dinheiro de venda é alvo

A possível, e até provável, venda de Luan por cifras que giram em torno de 12 milhões de euros (R$ 38,1 milhões) para o futebol europeu gera uma briga jurídica entre um investidor e o Grêmio. O empresário Luiz Alfredo Mariano, representado pela advogada Gislaine Nunes, cobra 50% dos direitos econômicos do jogador, adquiridos junto a Catanduvense. Enquanto isso, o Grêmio trata a alegação como 'ficção' e diz que a cobrança deve acontecer ao clube do interior paulista. 

O investidor adquiriu 50% dos direitos econômicos de Luan, Kairon e Guilherme Amorin (que está no Londrina) da Catanduvense. Antes dos jogadores serem emprestados e posteriormente vendidos ao Grêmio. Porém, não recebeu os valores devidos no momento da concretização do negócio. Agora, cobra o clube gaúcho em uma futura venda. 
 
"Quem teria que pagar, teoricamente, pelo contrato seria a Catanduvense. Eles não pagaram. Mas o Grêmio sabia da existência do investidor, tinha ciência disso na compra dos jogadores. Isso consta nos autos. O clube simplesmente se omitiu. Ai nasce o direito que é do investidor de receber o direito econômico a partir de uma futura venda. Nada foi repassado, acontecendo agora, precisa ser repassado", disse a advogada Gislaine Nunes ao UOL Esporte. 
 
O processo vale para os três jogadores. No entanto, nenhum dos outros está prestes a render cifras como Luan. Valorizado pela temporada 2014, primeira entre os profissionais, o jogador recebeu convocações para seleção de base e já recebeu proposta de 10 milhões de euros do Valencia, da Espanha. Deve ver a oferta aumentar e ser vendido. 
 
Em primeira instância, a advogada do investidor havia conseguido uma liminar que previa o depósito de 50% de uma eventual venda em juízo. Assim, o dinheiro ficaria bloqueado até o fim do processo. No entanto, tal liminar foi caçada. 
 
Como a Justiça entrou em recesso, um novo pedido de liminar pode acontecer apenas a partir do dia 19. Ou seja, se o Grêmio vender o jogador até lá, não teria bloqueio algum de valores. E tal situação é uma possibilidade concreta. 
 
"Se acontecer isso vou ao juiz de plantão e faço um pedido, uma solicitação, um requerimento que ele tome ciência dos fatos. O Grêmio teria legitimidade para fazer a venda porque tem o contrato laboral, os direitos federativos do jogador. O direito econômico nasce a partir de uma transferência apenas", disse Gislaine. 
 
A ideia não é impedir o jogador de atuar pelo Grêmio. Mas apenas focar-se no dinheiro envolvido em uma eventual venda. 
 
"Não existe qualquer pedido que ele seja impedido de exercer sua profissão. Não seria interessante para ninguém. É importante para o meu cliente que ele siga jogando. Não estamos dizendo que o Grêmio agiu de má fé. Para nós, quem agiu de má fé foi a Catanduvense. O Grêmio teve o deslize sabendo da existência de um investidor, fazer vistas grossas. Tentaremos reaver o depósito em juízo através de recurso", garantiu. 
 
Grêmio foi avisado da 'pressão pela mídia' e vê 'ficção'
 
O Grêmio recebeu ligações do empresário que pretende receber 50% de uma eventual venda de Luan. Ele relatou ao clube que buscaria de toda forma pressionar para que tal situação fosse debatida na mídia. Mas o advogado gremista, Gabriel Vieira, não mostra qualquer preocupação com o caso. 
 
"Isso não existe. É totalmente descabido. Criaram uma ficção e ajuizaram uma ação em cima disso. Estão ganhando uma repercussão e querem é projeção. Não tem nenhum fundamento técnico ou jurídico", disse Vieira ao UOL Esporte. 
 
Na visão do clube, qualquer pagamento deveria, ou deve, ser feito pela Catanduvense, parte envolvida e com contratos assinados com o investidor. 
 
"Não temos dúvida. Por que não estão brigando com a Catanduvense? É um contrato de natureza cível, do qual o Grêmio não é parte. Quem tem que pagar o investidor é a Catanduvense. O Grêmio nem sabia da existência do contrato, e mesmo se soubesse, quem fixou compromisso foi a Catanduvense, não o Grêmio", completou. 
 
A negociação de Luan aconteceu em meio a uma troca de direção da Catanduvense. O atual comando do clube prefere não se manifestar e diz estar tomando ciência do caso. 
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