Maior tristeza da carreira de Galvão ocorreu em 2014. E não foi o 7 x 1

Pedro Ivo Almeida
Do UOL, no Rio de Janeiro

Após mais de 40 anos de carreira, Galvão Bueno resolveu lançar um livro que conta boa parte das histórias de sua trajetória. Entre "causos" engraçados e momentos emocionantes, o narrador e apresentador da TV Globo revelou boa parte de um repertório conhecido somente por pessoas mais próximas até então.

Na noite da última quinta-feira, no lançamento da obra em uma livraria de um shopping do Rio de Janeiro, ele relembrou algumas de suas alegrias marcadas no livro. Mas pontuou principalmente as tristezas e frustrações contadas em "Fala, Galvão".

"A carreira não é feita apenas de bons momentos. Erramos muito e aprendemos no caminho.Na vida, como no esporte, você deve lutar sempre. Temos que buscar a vitória todos os dias, mas precisamos entender que o tropeço e a derrota são inevitáveis. Tive muitos momentos tristes", disse o anfitrião da festa que reuniu centenas de fãs, companheiros de trabalho e amigos.

Ao ter que definir o momento mais triste da carreira, Galvão citou o ano de 2014. E não queria falar apenas da derrota da seleção brasileira para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo.

"O ano de 2014 foi um ano muito cruel. E não foi pelo 7 x 1. Foi difícil, mas tive coisas piores. Perdi pessoas importantíssimas na minha vida, como o Luciano do Valle. O Luciano sempre foi uma referência, sempre disse isso a ele. Competimos duramente durante 40 anos. E isso nunca significou inimizade, rivalidade, pelo contrário. Fomos grandes amigos. Lembro até hoje de nossa conversa de despedida, que aconteceu no Maracanã, e falávamos sobre os próximos passos, o Mundial aqui no nosso país. Dediquei a abertura da Copa a ele. Foi muito duro fazer a abertura de uma Copa do Mundo no Brasil sem o Luciano na cabine ao lado. Foi o momento mais duro, mais difícil. Copa do Mundo é o máximo de nossas carreiras. No Brasil, então, era um sonho. E ele não estava lá", relembrou um emocionado Galvão Bueno, com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas.

Rossana Lana/Folhapress
Galvão lamentou muito a morte de Luciano do Valle (foto) em 2014

"Teve ainda a morte do Ayrton Senna, que sempre falo. Mas perder ícones da minha trajetória como o Luciano, o doutor Osmar [de Oliveira, comentarista] e o Michael Laurence [jornalista] foi demais para mim. Muito difícil mesmo".

Frustração por Guga
Acostumado a lidar de perto com grandes ícones do esporte nacional, Galvão Bueno exaltou Ronaldo, que escreve o prefácio de seu livro, lembrou a amizade com Ayrton Senna e revelou o ídolo que gostaria de ter acompanhado mais de perto.

"Olha, a questão do Guga é algo que me toca. Eu tenho uma enorme frustração de não ter acompanhado a trajetória esportiva dele mais de perto. Na época que ele explodiu, ali no final dos anos 90, início dos anos 2000, nós [Globo] não tínhamos os direitos de transmissão do tênis. Eu só via de longe. Narrei apenas um jogo [Olimpíadas de 2004]. Queria ter feito muito mais. É algo que faltou nessa história toda. Lamento muito", comentou o narrador.

Galvão Bueno ainda comentou algumas revelações de destaque do livro, como a decisão de tornar público o fato de ser torcedor do Flamengo.

"Isso não é mais polêmica. Como diria meu mestre Armando Nogueira, com o passar dos anos, as pessoas ganham alguns direitos. Ninguém vai ter problema com isso. O importante é levar emoção para todas as torcidas", amenizou.

Por fim, disse que não pensa em aposentadoria e prometeu trabalhar até o último dia da vida.

"Não penso em parar nunca. A receita do sucesso é 10% de sorte, 30% de talento e 60% transpiração. Vou trabalhar sempre.  Só peço que Deus me dê saúde. Se não for como narrador, que seja em algum cantinho lá da TV, comentando, fazendo uma participação humilde. Mas que me deixem lá. E por muitos anos", encerrou.

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