Polícia diz que corintianos viajaram mal-intencionados e poupa organizadas

Guilherme Moreira
Colaboração para o UOL, de Curitiba

Uma cena de muita violência marcou as horas antes do jogo entre Coritiba e Corinthians, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro, na manhã deste domingo. Torcedores dos dois times brigaram em frente ao estádio Couto Pereira e nove pessoas ficaram feridas. As autoridades do governo paranaense disseram que os corintianos saíram de São Paulo com a intenção de criar confusão.

Em vídeo gravado por uma pessoa vizinha do estádio um torcedor corintiano aparece sendo espancado por vários rivais, mesmo caído no chão. Em outras imagens, torcedores dos dois times se agridem mutuamente em uma rua próxima do estádio Couto Pereira. O tumulto começou por volta das 8h30.

Os 38 ônibus com a torcida do Corinthians chegaram na capital paranaense e, diferentemente do habitual, uma parte deles não se concentrou na rua do setor de visitantes. Alguns veículos foram estacionados na rua Mauá, e os torcedores desembarcaram na esquina das ruas Mauá e Barão de Guaraúna, principal ponto de encontro da torcida do Coritiba.

Naquele horário, a torcida comum do Coritiba ainda não estava no local, mas cerca de 70 integrantes da Império Alviverde estavam em frente à loja da torcida, na rua de cima, "protegendo o patrimônio", segundo eles. Os corintianos, então, caminharam em direção aos rivais, e o confronto começou. Os homens brigaram na frente da Igreja Perpétuo do Socorro e do Couto Pereira.

"Eles estavam mal-intencionados", afirmou o tenente-coronel Wagner Lucio dos Santos da Polícia Militar em entrevista no fim da tarde. "Fizemos contato com torcidas organizadas do Corinthians antes da partida, como é praxe, e marcamos para encontrá-los às 7h, como aconteceu com o comboio. Mas esse grupo veio mais cedo e eles queriam o enfrentamento com os torcedores adversários." Segundo as autoridades, os torcedores corintianos que se envolveram na briga não eram membros de organizadas.

Na correria, outros três ônibus corintianos passavam no meio da confusão e foram apedrejados pela torcida do Coritiba. Em um deles, um rapaz que estava na porta foi puxado e acabou espancado no chão por um grupo de aproximadamente sete pessoas.

Polícia informou morte de torcedor e depois se desmentiu

Esse corintiano, Jonathan Silva, de 29 anos, foi alvo de outra grande polêmica do dia. O delegado Clóvis Galvão, da Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), chegou a confirmar sua morte antes do intervalo do jogo, mas voltou atrás no início do segundo tempo. O delegado alegou desencontro de informações e disse que o ferido estava em estado grave.

"Eu falei que tinha morrido e depois consertei. Cheguei no estádio e tinham me falado que ele tinha morrido. A imprensa me perguntou e eu confirmei. Mandei policiais irem para os hospitais e a equipe constatou que ele não morreu. É simples", afirmou Galvão.

O Secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, afirmou que o torcedor passou por uma tomografia no Hospital Cajuru e, depois de os médicos analisarem os exames, foi liberado sem risco de morte. Jonathan foi visto nos arredores do estádio em diversas fotos pela internet e já está a caminho de São Paulo.

Número total de feridos é maior do que o informado pela PM

De acordo com a Polícia Militar do Paraná, seis pessoas se feriram no tumulto. A reportagem, entretanto, foi até os hospitais para checar o estado de cada uma delas e constatou que o número é maior. Nenhum hospital usado para atender os feridos chegou a dizer que algum deles estivesse em estado grave, apesar de tanto a Polícia Civil quanto a Militar terem informado, ao longo do dia ao UOL Esporte, que um deles estava em estado "gravíssimo".

Sete pessoas foram encaminhadas a hospitais da cidade e outras duas se recusaram a receber atendimento médico, totalizando nove feridos. Os que sofreram maiores danos tiveram escoriações fortes na cabeça e na face e uma perna quebrada. Anteriormente, a Polícia Militar falava em seis feridos.

Polícia prende torcedor, mas poupa direção de organizadas

Após analisar as imagens de segurança do circuito interno, a Demafe prendeu João Carlos de Paula, torcedor de 24 anos do Coritiba, ainda durante o primeiro tempo. Ele foi identificado pelo banco de imagens da organização, em parceria com as organizadas de Curitiba.

Guilherme Moreira/UOL

"Temos um cadastro com as torcidas dos três clubes de Curitiba. Só 10% são provocadores de tumulto. Não tem que acabar com a organizada e sim tirar do meio quem provoca confusão e não assiste futebol. A nossa resposta foi imediata. Se provocar briga, com a gente será responsabilizado", garantiu Galvão.

Integrante da Império Alviverde, ele não tinha antecedentes criminais e é visto nas imagens pisoteando a cabeça da torcida do Corinthians. Ele responderá por tentativa de homicídio, com pena de oito a 20 anos. O delegado afirmou que o torcedor do Coritiba confessou o crime.

Outros integrantes já estão sendo identificados e a Demafe, no decorrer da semana, vai procurar prender os envolvidos. "Perto de sete pessoas agrediram a vítima. Prendemos um, temos mais três identificados e faltam outros três para serem responsabilizados por isso tudo", completou. As autoridades pouparam a direção da Império Alviverde e destacaram que a torcida costuma colaborar com as investigações da polícia.

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