Eurico de novo ou mudança? Eleição do Vasco se aproxima e cenário é confuso

Bruno Braz
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Bruno Braz / UOL Esporte

    Horta (boné) e Moreira (ao lado de Horta) já não falam a mesma língua que Eurico

    Horta (boné) e Moreira (ao lado de Horta) já não falam a mesma língua que Eurico

Há três meses da eleição, o cenário político do Vasco começa a entrar em ebulição. Diferentes correntes políticas de oposição se articulam e tentam uma união até agora sem sucesso. Atual presidente, Eurico Miranda indica uma reeleição, mas vê antigos aliados pulando fora do barco e caminhando no sentindo contrário ao seu.

Eleito no fim de 2014 com ampla maioria de votos, Miranda enfrentou alguns problemas de saúde ao longo do triênio de seu mandato. Com um bicampeonato carioca e um rebaixamento no Brasileiro, perdeu pares importantes de sua base política no decorrer da caminhada, como o ex-vice de futebol José Luiz Moreira - que por várias vezes serviu de "bombeiro financeiro" - e o ex-vice-jurídico, Paulo Reis, que se afastou por questões pessoais.

Se Reis, até o momento, não pretende se envolver politicamente, o mesmo não pode se dizer de Moreira, também conhecido como "Zé do Táxi" em função de ser dono de uma frota deste tipo de transporte. Nos bastidores, ele articula uma aliança de oposição com Fernando Horta, atual vice-geral e que está na iminência de um litígio com Eurico. Presidente da escola de samba Unidos da Tijuca, ele sinaliza com uma candidatura, mas membros da oposição enxergam este movimento com desconfiança, suspeitando que tê-lo no poder será uma continuidade da situação.

Por falar em oposição, outro que abandonou Eurico e pulou para o lado contrário foi Otto Carvalho, presidente do Conselho Fiscal. Se dizendo decepcionado com promessas não cumpridas do presidente, ele tem se lançado como candidato e vem participando de reuniões com outros grupos adversários de Miranda.

Os opositores, aliás, são um caso à parte. Há um consenso geral de que a chance mais considerável de se derrotar Eurico nas urnas é se unindo e lançando um candidato único. Porém, transformar o discurso em prática tem sido uma dura missão.

Atualmente, além de Otto, a oposição se apresenta com mais dois pré-candidatos: Julio Brant, segundo colocado no último pleito, e Alexandre Campello, ex-médico do clube.

Reuniões individuais e entre os grupos já aconteceram, mas segue sendo difícil que algum lado ceda e chegue a um denominador comum. Os grupos políticos divergem, por exemplo, na maneira como se chegar a um nome consensual. Os aliados de Brant sugerem uma pesquisa entre os sócios aptos ao voto, já o pessoal de Campello é adepto de uma convenção.

No primeiro e único encontro entre os três candidatos, predominou-se o bate-boca entre Otto e os aliados do médico (veja no vídeo abaixo). O episódio foi determinante para que o grupo de Carvalho se aproximasse de Brant e se distanciasse de Campello.

Tanto Eurico quanto Horta, no momento, somente observam de longe a movimentação.

Aprovação de conselheiros gera polêmica

Outro ponto que tem causado bastante polêmica são os bastidores para a execução da eleição. Segundo o jornal "O Globo", na semana passada, por intermédio de uma decisão judicial, policiais civis e um oficial de Justiça estiveram na sede da empresa que gere o banco de dados dos sócios do Vasco e obtiveram cópias para investigação e análise. Enquanto isso, no clube, uma grande movimentação para a nomeação de sócios à conselheiros beneméritos e eméritos tem gerado insatisfação por parte da oposição.

A questão tem grande valia na política vascaína uma vez que, de acordo com o processo eleitoral do clube, são os conselheiros que, de fato, elegem o futuro presidente. Entende-se: após o pleito nas urnas com os sócios, a chapa vencedora indica 120 conselheiros e a segundo lugar, mais 30. Estes 150 se juntam a outros 150 natos e uma eleição somente entre os 300 define o novo mandatário cruzmaltino. E é justamente o setor dos natos que tem sido agraciado por Eurico Miranda. No total, foram 8 indicações a grandes beneméritos, 26 a beneméritos e 28 a eméritos somente nesta leva mais recente.

Anteriormente, em reunião ocorrida dia 4 de julho, 17 sócios já haviam sido nomeados a beneméritos e 42 a eméritos, sendo que um deles chegou a ser acusado por opositores de ser torcedor do Flamengo.

Baseado no estatuto do clube, tal lista do dia 4 motivou Otto Carvalho a protocolar na secretaria 60 assinaturas de conselheiros com o objetivo de cancelar tais condecorações. Porém, o presidente do Conselho Deliberativo, Luis Manuel Fernandes, invalidou o documento alegando que quatro retiraram a assinatura e que tal situação também já havia sido protocolada, algo que o pré-candidato rebate.

"Com muito esforço foram conseguidas as 60 assinaturas. Protocolei o documento na última segunda e meu prazo para ele era até a próxima segunda. Ele alega que quatro pessoas retiraram e disse que isto estaria disponível na secretaria. Eu passei lá e não encontrei o documento, mas como está dentro do prazo, tudo bem. Vamos aguardar até segunda", disse Otto ao UOL Esporte.

Carvalho acusa Eurico Miranda de estar cedendo tais condecorações à pessoas com menos tempo de sócio que o permitido segundo o estatuto. O presidente do Conselho Fiscal também acredita que o mandatário esteja tentando fazer uma manobra com este ato para vencer a eleição no pleito exclusivo entre os conselheiros.

"O Eurico está fazendo uma movimentação para a eleição direta. Desde 2005 não são feitos beneméritos. O Roberto Dinamite, por exemplo, ficou seis anos e não indicou ninguém. Ele quer fazer benémerito a três por dois (de forma abundamente)", destacou Otto.

Na leva desta semana, o empresário de futebol Carlos Leite, parceiro comercial de Eurico, foi indicado à benemérito, assim como o filho do cartola, o gerente da base Álvaro Miranda.

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