São Paulo vence Cruzeiro com pênalti polêmico e sai da zona de rebaixamento

Bruno Grossi
Do UOL, em São Paulo (SP)

Não há tranquilidade para a ensandecida torcida do São Paulo. Não interessa se o time toma sufoco ou joga bem, se sai perdendo ou se consegue ir para o intervalo em vantagem. Os roteiros tricolores no Campeonato Brasileiro têm sido sempre dramáticos, com reviravoltas técnicas e emocionais e até expulsões nos minutos finais, com Pratto e Digão. E ainda há um herói para transformar o drama em epopeia. Hernanes, o Profeta, dono da vitória por 3 a 2, com um pênalti duvidoso, sobre o Cruzeiro na manhã deste domingo no Morumbi, pela 20ª rodada da Série A.

Com dois gols e uma assistência, o ídolo provou mais uma vez sua importância e coragem para tentar salvar o Tricolor do rebaixamento. Mesmo sem ser brilhante com a bola rolando, decidiu nas bolas paradas: falta, pênalti, em lance duvidoso, e escanteio. A chegada a 22 pontos e a saída da zona da degola - enquanto a Chapecoense não enfrentrar o Corinthians - estão na conta dele. A Raposa, que foi até a capital paulista com time praticamente reserva, para com 27 pontos na sétima colocação.

Na 21ª rodada, o Tricolor visita o Avaí na Ressacada, em Florianópolis, às 16h. No mesmo dia e horário, o Cruzeiro recebe o Sport no Mineirão. A diferença é que a Raposa tem compromisso no meio de semana pela Copa do Brasil. Os mineiros seguem da capital paulista direto para Porto Alegre, onde enfrenta o Grêmio às 21h45 de quarta-feira, na Arena do Grêmio, pelo jogo de ida da semifinal. 

 

Inimigos do Profeta

O Cruzeiro tornou-se a maior vítima de Hernanes com a camisa do São Paulo. O golaço de falta foi o quarto do meio-campista contra a Raposa. Cobranças praticamente da mesma posição da que foi convertida neste domingo têm sido treinadas exaustivamente por Hernanes no CT da Barra Funda. Na etapa final, o ídolo da torcida ainda caprichou em escanteio para Arboleda marcar. Foi a primeira assistência na volta. Depois, de pênalti, fez o quinto dele sobre os cruzeirenses. O Profeta agora tem 41 gols pelo Tricolor, sendo quatro somente neste retorno por empréstimo.

Os piores

Militão, Petros e Rodrigo Caio: os três tiveram atuação muito abaixo, com erros de passe, desatenção na marcação e erros decisivos nos dois gols do Cruzeiro. O primeiro, aos 19 anos, pareceu sentir a responsabilidade de assumir uma vaga como titular e foi sacado logo no intervalo, enquanto a torcida já pedia pela entrada de Jucilei. O zagueiro, que melhorou quando brevemente atuou como volante, entregou um gol para Sassá.

Alívio passageiro

Quando a bola foi perdida no meio de campo e Renan Ribeiro derrubou Sassá na área, a torcida do São Paulo subiu o volume da cantoria para tentar pressionar o atacante do Cruzeiro no pênalti. Sassá correu reto, mudou de direção, deu paradinha, deslocou Renan, mas viu a bola bater na trave e os torcedores tricolores explodirem de alegria e alívio.

Fim do tabu

A falta cobrada por Hernanes fez o Tricolor sair para o intervalo à frente no placar e também encerrar jejum de nove meses sem gols do tipo. Em 27 de novembro de 2016, Maicon havia marcado golaço de falta contra o Atlético-MG, em jogo que terminou com virada são-paulina por 2 a 1 na 37ª rodada do Brasileirão.

Visitante inconveniente

Se Hernanes é carrasco cruzeirense, Sassá é o novo algoz do São Paulo. No ano passado, quando o time paulista também brigava contra o rebaixamento, o atacante marcou nos acréscimos o gol da vitória do Botafogo por 1 a 0 no Morumbi, também na 20ª  rodada do Brasileirão. Desta vez, a vilania veio em dose dupla: voleio na pequena área para empatar e roubada de bola em Rodrigo Caio para virar no início do segundo tempo.

Novo recorde

Com 56.052 presentes no Morumbi, o São Paulo agora domina o ranking de público do Campeonato Brasileiro em duas frentes: total e pagante. O recorde de público pagante já estava com o Tricolor pelos 53.635 torcedores que compareceram à derrota por 2 a 1 para o Coritiba na 18ª rodada, mas o recorde de público total ainda pertencia ao Grêmio. Na décima rodada, 54.022 pessoas viram o Corinthians vencer por 1 a 0 na Arena do Grêmio. 

Equilíbrio e expulsões

Já nos minutos finais, Pratto cometeu duas faltas seguidas e levou dois amarelos, resultando em expulsão. Pouco depois, também em dois lances consecutivos, foi Digão quem recebeu o vermelho, mas de forma direta. O atacante Rafael Sóbis, por reclamação, também acabou expulso. Foi a segunda vitória do São Paulo sobre o Cruzeiro no ano. A Raposa havia vencido os outros dois duelos da temporada.

FICHA TÉCNICA:
SÃO PAULO 3X2 CRUZEIRO

Local: Morumbi, em São Paulo (SP)
Data/Hora: 13 de agosto de 2017, às 11h
Público/Renda: 56.052/R$ 1.623.971,00
Árbitro: Rafael Traci (PR)
Assistentes: Ivan Carlos Bohn e Pedro Martinelli Christino (ambos do PR)
Cartões amarelos: Pratto e Lugano (SAO); Digão, Léo, Ezequiel e Bryan (CRU)
Cartão vermelho: Pratto (SAO); Digão (CRU) e Rafael Sóbis (CRU)

Gols: Hernanes, aos 47 minutos do 1º tempo e aos 37 minutos do 2º tempo, e Arboleda, aos 26 minutos do 2º tempo (SAO); Sassá, aos cinco e aos 11 minutos do 2º tempo (CRU)

SÃO PAULO: Renan Ribeiro, Buffarini (Denilson), Arboleda, Rodrigo Caio e Edimar; Militão (Jucilei); Marcinho, Petros (Gilberto), Hernanes e Marcos Guilherme; Pratto. Técnico: Dorival Júnior.

CRUZEIRO: Rafael, Ezequiel (Rafinha), Digão, Léo e Bryan; Nonoca (Thiago Neves), Hudson (Henrique) e Robinho; Alisson, Rafael Sobis e Sassá. Técnico: Mano Menezes.

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