Atleta da NFL que perdeu dedos da mão relata drama e fala de superação

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Jason Miller/Getty Images

    Mohamed Massaquoi sofreu grave acidente em abril do ano passado

    Mohamed Massaquoi sofreu grave acidente em abril do ano passado

O site "The Player's Tribune" publicou nesta segunda-feira mais um relato intimista e tocante de um atleta. A história da vez foi contada por Mohamed Massaquoi, "wide receiver" que passou quatro anos na National Football League (NFL), com mais destaque pelo Cleveland Browns. Em abril do ano passado, Massaquoi perdeu quatro dedos da mão esquerda em um acidente e precisou encerrar a carreira no futebol americano.

"Quando olho para minha mão, só consigo ser grato. Grato pelo processo, pelas coisas pequenas que vêm da família, dos amigos. Grato por coisas verdadeiras. Essa é uma mão, um dispositivo, uma prótese. Na verdade eu não consigo definir o que é exatamente. Fui percebendo como perder uma mão era algo grave para meu trabalho, para o que fazia da vida, para conseguir uma bolsa, para ser escolhido em um draft. Mas perder uma parte de mim me ajudou a ser quem eu realmente sou", afirmou o ex-jogador, que tem uma prótese inteligente que ajuda o polegar, que passou ileso pelo acidente, a reproduzir os movimentos de uma mão.

Massaquoi estava de folga com amigos e saiu para passear em ATVs (veículos com tração nas quatro rodas, como quadriciclos). Em uma curva fechada, o veículo tombou e logo se formou um cenário de desespero para quem estava presente. Segundo o ex-atleta, era como se a mão esquerda tivesse passado por "um moedor de carne".

"Era minha última semana livre antes de voltar aos treinos. Caímos na estrada, em trilhas que conhecemos. Fiz uma curva muito forte e antes que eu percebesse meu quadriciclo perdeu o controle e senti algo como uma explosão, diretamente na minha mão. Fiquei em choque, não sentia nada, mas estava muito preocupado, porque tinha muito sangue, em todo lugar. Meus amigos viram o que aconteceu realmente. Pensei que tinha quebrado minha mão. Era possível ver o pânico, o medo em todo mundo", relembrou, antes de prosseguir:

Jason Miller/Getty Images
Mohamed Massaquoi está fora da NFL desde 2013

"Me colocaram na ambulância para ir ao hospital. Eles, inicialmente, estavam confusos e avisaram que fariam um teste. Colocaram os dedos de volta para ver como o corpo reagiria. Poderia recuperar sozinho, mas passando os dias me examinaram e falaram que teriam de tirar os dedos, que não havia resposta do corpo. Só sobrou o polegar. É um dispositivo, não posso sentir, mas tenho meu polegar ainda para me dar a sensação de toque, de pressão. E agora eu sei o quanto isso é valioso".

Natural de Charlotte, na Carolina do Norte, Massaquoi atuou no futebol americano universitário pelo time da Universidade da Geórgia e ingressou na NFL para jogar pelo Cleveland Browns, onde permaneceu entre 2009 e 2012. Já em 2013, foi contratado pelo Jacksonville Jaguars, mas acabou dispensado antes do início da temporada regular. Outra dispensa, no mesmo ano e em menos de um mês, aconteceu no New York Jets. 

O "wide receiver" passou a se dedicar a treinos nos campings que servem para os jogadores se manterem em atividade fora da temporada e em preparação para seletivas e testes. O momento já era de superação, algo que passou a ser ainda mais importante na vida do atleta de 31 anos: "Agora vejo como as coisas podem mudar rapidamente. você sai para se divertir e acaba com a mão amputada". 

"Você vai descobrindo coisas sobre você que te empurram diante das dificuldades. Eu vejo e vivo isso todos os dias. É uma parte de mim que nunca voltará, então eu não posso me enganar. Se você passar por um problema, se permita sentir o problema, lide com o problema. Só assim você conseguirá seguir. se você nega, você sente medo e perde a perspectiva do quão preciosa é a vida. Amigos verdadeiros, relações verdadeiras, todas significam muito para mim. Você aprende coisas olhando para a parte ruim e outras olhando para a parte boa. Isso te ajuda a se tornar uma versão melhor de você. Mas as coisas na parte ruim são mais distantes de se alcançar", salientou. 

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