Para se precaver contra hackers e vazamentos, PSG adota fax em negócios

Marcus Alves
Colaboração para o UOL, em Lisboa (POR)

  • Getty Images

A transferência de Lucas Moura do PSG para o Tottenham se arrastou mais do que o esperado e foi concluída somente nas últimas horas da janela de transferências europeia. No centro do impasse, segundo as partes, a definição dos valores a serem pagos pelos londrinos nas metas estabelecidas em contrato. Não foi esse o detalhe que mais chamou a atenção, contudo.

Conforme apurado pelo UOL Esporte, um dos motivos para o atraso do anúncio foi também a troca de documentos: desde o início da temporada, os parisienses deixaram os e-mails de lado e passaram a adotar o fax nos negócios, aparelho muito utilizado antes da criação e proliferação da internet.

A mudança tem relação direta com o novo homem forte de seu futebol, Antero Henrique, que assumiu o lugar em junho do ano passado e, calejado pelos escândalos que acompanharam seu ex-clube, o Porto, com vazamentos de e-mails, escutas telefônicas e outras manobras, resolveu montar um rigoroso sistema de comunicação interno com acesso para poucos e que confia ser menos vulnerável que a internet.

A alternativa pelo fax provoca estranheza no mercado e não costuma ser comum nos dias atuais.

Não houve, ainda assim, quem ainda franzisse a sobrancelha no Parque dos Príncipes diante da novidade, especialmente, por causa do poder repassado a Antero Henrique desde o início.

Uma mostra disso é a contratação de seu fiel escudeiro João Luis Afonso, outro ex-Porto, como chefe do departamento de scout e a chegada de uma legião de portugueses para a área administrativa do PSG. Entre eles, Raul Costa, ex-advogado dos Dragões, e Humberto Paiva, ex-assessor, tiveram papel atuante na contratação de Neymar, que, inclusive, realizou exames médicos no Porto para assinar contrato.

Discreto e nada afetuoso aos holofotes, Antero Henrique não revolucionou apenas ao adotar o fax em parte da comunicação interna, mas ao restringir também o acesso ao vestiário, criticado com o seu antecessor, o holandês Patrick Kluivert.

A meta está mais do que clara: é construir um PSG impenetrável também fora de campo.

Não surpreende, portanto, que, logo após a sua transferência para o Tottenham, tenha sido publicado que uma das razões para a saída de Lucas Moura era a desconfiança de que o ex-são-paulino vazava bastidores do vestiário. O "Le Parisien", responsável pela informação, é o jornal francês com mais acesso aos corredores dos parisienses e goza de prestígio no clube.

No passado, o PSG enfrentou problemas semelhantes, com a divulgação do contrato do também brasileiro Thiago Silva na imprensa.

Em entrevista recente, o zagueiro Marquinhos deixou clara a mudança interna na equipe com a chegada de Antero Henrique. "Eles (Antero e seu braço-direito, Maxwell, ex-lateral) fazem um trabalho muito bom. Ele (Antero) é alguém que realmente defende seus jogadores e faz de tudo para tê-los felizes. Se é bom para o jogador, ele vai fazer e lutar. Naturalmente, ele também exige muito em troca dos atletas. Ele fez suas regras. O elenco deve respeitar o clube. É alguém assim, muito perto dos jogadores, mas pede rigor", afirmou.

Entre essas regras, está manter, claro, inacessível o seu vestiário. Ou a porta de saída estará aberta a quem ousar desafiá-lo.

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