Perto de PyeongChang, veneração ao pênis é quase disciplina olímpica

  • Eric Gaillard/Reuters

    Turista visita o Haeshindang Park, onde fica o conhecido "Penis Park"

    Turista visita o Haeshindang Park, onde fica o conhecido "Penis Park"

A cerca de 60 km do Parque Olímpico de PyeongChang, há outro parque onde os ídolos não têm nada a ver com os dos Jogos de Inverno: bem-vindo ao "Penis Park", lugar de veneração dedicado inteiramente ao órgão sexual masculino.

Apesar das celebrações do Dia de São Valentim, o parque não está muito lotado. As temperaturas de inverno, como vem sendo registrado em Pyeongchang, não são um convite para caminhar pelo lugar.

No parque, existem cerca de 50 pênis gigantes, esculpidos em diferentes materiais.

"Uma lenda diz que, um dia, uma jovem mulher, deixada por alguns instantes em uma rocha perto do mar por seu namorado, morreu afogada em razão de uma tempestade que impediu o homem de encontrá-la. Depois disso, o povoado de pescadores vizinho não pôde mais pescar. Não havia mais peixes", conta Seyoen Park, um dos guias do Penis Park.

"A maldição terminou quando um homem que se divertiu muito no mar conseguiu pescar novamente", completou.

"Os moradores entenderam que a jovem havia morrido antes de conhecer os prazeres carnais e que desejava ver o sexo masculino. Os moradores decidiram então construir esculturas de pênis enormes para satisfazê-la", acrescenta.

Eric Gaillard/Reuters

Certamente há outras lendas relacionadas a esse parque de esculturas fálicas.

O Penis Park faz parte de um complexo maior, chamado Haesindang Park, que abriu em julho de 2002, muito depois dessa lenda, cuja data não é exatamente conhecida. De acordo com os habitantes de Samcheok, a vila de pescadores, a lenda teria mais de 500 anos.

Ali se encontra o maior museu marítimo da Coreia do Sul, que exibe diferentes objetos do folclore local e que tem um jardim botânico.

O parque se tornou uma das atrações da região, financiado pelo governo sul-coreano, pela província de Gangwon e pela cidade de Samcheok, informam as autoridades do parque.

E, no ano passado, 270 mil visitantes passaram por lá, segundo funcionários, que se orgulham de que a instituição seja um dos lugares mais conhecidos da Coreia do Sul no exterior.

Além do sucesso turístico, entre a população local há a crença de que essas estátuas têm virtudes benéficas.

"A cidade é rica. É por isso que as pessoas continuam acreditando na lenda, e fazemos um festival na cidade para celebrar essas estátuas a cada dois anos", conta Seyoen Park.

As crianças têm permissão para visitar o local, apesar de suas conotações sexuais.

"As famílias são aceitas, mas, em algumas cabines, onde algumas coisas estão expostas, as crianças não são autorizadas a entrar", ressalta o guia.

Durante o festival, os participantes podem aprender a esculpir pênis, ou participar do "estudo do patrimônio cultural coreano desta aldeia de pescadores".

O parque também é frequentemente visitado por casais que querem ter um bebê, como um lugar de culto dedicado à fertilidade.

"Há também pessoas mais velhas que vêm porque esperam ter um neto. Eles vêm aqui e rezam aos céus", acrescenta o guia do parque.

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