Jogador nega súmula que fala em ameaça e ligação com PCC: "Mancha imagem"

Felipe Pereira
Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução site FPF

    Súmula acusa jogador de ameaçar bandeirinha de morte

    Súmula acusa jogador de ameaçar bandeirinha de morte

A súmula de um jogo da segunda do Paranaense colocou Maurim Vieria de Souza, 30 anos, nos holofotes. O relatório do trio de arbitragem da partida entre Paranavaí e Independente diz que o jogador, expulso no último minuto, ameaçou o assistente Alessandro Michel de Oliveira Domiciano: "Seu ladrão, safado, você tem que voltar esse pênalti, eu sou do PCC e vou colocar o revólver na sua boca e você vai sentir o gosto da bala''.

Completa invenção, afirma o jogador, que passou o dia seguinte ao jogo refugiado em um hotel de segunda categoria de Paranavaí, cidade do time que ele defende. Maurim nega a acusação, está preocupado com a carreira, em ser preso e chateado com o impacto da situação na família, que mora em Itaí (SP). "Eu estou com medo. É chato e pode atrapalhar minha carreira. Minha mulher, meus sogros, com quem tenho muita convivência, estão bastante tristes. Querem que eu vá para casa. Vou aguardar até amanhã para ver o que vai acontecer. Estou muito preocupado, tremendo sozinho no quarto. Os companheiros vieram falar comigo, mas é difícil", disse ele. 

Maurim tinha uma partida decisiva pelo Paranavaí no domingo. A vitória era importante para o clube que sonha em subir para a primeira divisão do Estadual. Ele não é um iniciante para sentir a pressão de jogos decisivos, mas foi difícil manter a cabeça fria aos 48 minutos do segundo tempo. O juiz João Paulo Romano Queiroz entendeu que a bola bateu no braço dele e deu pênalti.

O jogador não nega que abriu a caixa de xingamentos naquela hora, mas sustenta que jamais mencionou fazer parte de nenhuma facção criminosa. "Eu não sou de quadrilha nenhuma, sou jogador. Isto mancha minha imagem. Xinguei ele de outras palavras no calor do jogo, mas não falei que faço parte do PCC. Tenho 30 anos de idade, tenho família. Não falei nada disso. Ele está inventando as coisas", disse Maurim.

Nesta segunda-feira, ele saiu do quarto do hotel somente à noite para buscar um lanche. Reparou e ficou aliviado ao perceber que ninguém ficava apontando na rua, mas teme que a situação mude. À noite, a RPC, afiliada da Rede Globo, exibiu uma matéria sobre a súmula e a menção ao PCC. Ficar marcado é um pensamento que ele não consegue afastar.

O outro é uma possível investigação policial. O jogador contou que vai procurar a advogada para o caso do árbitro e o bandeirinha registrarem boletim de ocorrência. A Federação Paranaense de Futebol informou que repassou o caso para o departamento jurídico, que avalia que medidas tomar. Os árbitros procuraram o advogado da associação da categoria para pedir orientação.

Procuradoria analisa o caso

A Procuradoria do Tribunal de Justiça do Paraná deve receber nesta terça-feira a súmula do jogo entre Paranavaí e Independente. Com base no documento, será tomada a decisão de denunciar, ou não, o atleta. O responsável pela análise ainda não está definido e será escolhido entre os 12 nomes que compõem a Procuradoria. O normal é que haja uma decisão em dois dias.

A suposta ameaça não foi comunicada às polícias Civil e Militar. A assessoria de imprensa da PM (Polícia Militar) confirmou que não foi avisada na hora e nem no relatório que a corporação recebe da equipe de arbitragem.

A delegacia de Polícia Civil de Paranavaí também informou que não foi procurada. Acrescentou que o árbitro e o bandeirinha têm seis meses para registrar boletim de ocorrência. Caso isto ocorra, será aberta uma investigação por ameaça, crime que prevê até seis meses de prisão e costuma ser revertido em pena alternativa.

O silêncio do trio de arbitragem contrasta com o ocorrido na segunda rodada da Série B do Paranaense. Na ocasião, um bandeirinha foi chamado de macaco por um torcedor e relatou a ofensa racista aos policiais militares que estavam no estádio. O criminoso foi capturado e identificado pelo assistente no mesmo dia.

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