Matemático dos gols: fã da matéria, Yuri Alberto quer recordes no Santos

  • Ivan Storti

    Yuri Alberto em ação durante treino do Santos

    Yuri Alberto em ação durante treino do Santos

Das joias a serem lapidadas pelo técnico Jair Ventura no time profissional do Santos, o centroavante Yuri Alberto aparece como uma das mais promissoras. Dono de bons números na carreira - entre sub-13 e time profissional, são 87 gols marcados - o garoto de 17 anos deve ganhar uma chance entre os titulares nesta quinta-feira, contra o Luverdense, às 19h15, em Lucas do Rio Verde, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Ao LANCE!, ele fala da vontade em repetir o sucesso do passado, do gosto pela matemática e até do desejo em cursar direito "daqui uns dois anos".

"Uma de minhas metas é bater os recordes que tive no profissional. No sub-15, eu quebrei o recorde do Diego (marcou 32 gols e uma edição de Campeonato Paulista do sub-17 e superou o meia, hoje no Flamengo). No profissional, é mais difícil, mas estamos aí, na correira. Aos poucos, estou me adaptando".

Brincalhão e de sorriso fácil, Yuri ainda não se vê totalmente pronto. Acredita em uma evolução no dia a dia para, enfim, se soltar no Santos. Atualmente, cursa o terceiro ano do Ensino Médio e tem até planos de fazer uma faculdade de Direito em um futuro próximo - mesmo sendo fã de exatas. Ele mesmo explica.

"Não sei se nesta temporada já, mas estou me adaptando. Desde outubro, quando cheguei, tenho evoluído bastante. Até em termo técnicos, de força, também. Estou me preparando bem. Na escola, graças a Deus (risos), é o último ano. Gosto de estudar matemática. Só matemática. É um sofrimento. Mas, quem sabe, daqui uns dois anos possa fazer uma faculdade, sim. Tem de ter um plano B, né? Virar empresário, fazer Direito. Gosto de Direito".

O problema é que, talvez, o Santos adie os planos do garoto em se formar no ensino superior.

"Se eu começar a ganhar destaque, aí não vai dar, né? O calendário vai ficar pequeno. Vai ser difícil, mas é um desejo", conta.

À vontade, o Menino da Vila também falou sobre a amizade com Rodrygo, sobre seu primeiro gol na Vila Belmiro, a idolatria por Ricardo Oliveira e revelou até que quando era pequeno era usado como meia-armador, justamente a posição considerada mais carente no elenco atual. Dá para voltar a jogar assim? Ele adianta que hoje não mais.

Confira entrevista com o centroavante Yuri Alberto:

Como controlar a expectativa para ganhar mais minutos no time profissional?
A expectativa para jogar está grande. No jogo que eu entrei (contra o Luverdense, na Vila Belmiro), eu pude aporveitar a oportunidade. No meu primeiro toque na bola. Eu até desacreditei. Quando eu fiz o gol, eu falei: 'Arthur, não estou acreditando, mano'. Acabou o jogo e não toquei mais nenhuma vez na bola. Foi muito importante para mim.

Conversou com Jair Ventura sobre sua desconvocação da Seleção Brasileira sub-20? Como lidou com isso?
Essa convocações que estão surgindo agora são importantes, sim. É preparação para o Sul-Americano sub-20 do começo do ano que vem. Mas também foi importante eu ter ficado porque pude fazer o meu primeiro gol na Vila.

E como é sua relação com Jair?
Jair é bem tranquilo, é bem parceiro da gente, sabe conversar. É um cara novo, resenha, carioca... (Risos). Eu gosto bastante dele.

Sentiu muita diferença entre a base e o profissional?
Muda um pouco. Na base é mais correria, todo mundo correndo atrás da bola. Aqui no profissional, é um jogo mais inteligente. É bem diferente. Pode ver que nos treinos eu fico correndo que nem doido, ainda estou me acostumando (risos).

Como chegou ao Santos?
Sou de São José dos Campos, jogava numa escolinha chamada Primeira Camisa, do Roque Júnior. Lá, eu fui artilheiro de todos os campeonatos jogando como meia. Quando eu tinha dez anos, vim fazer um teste no Santos. Fiquei uma semana. Só que eu não pude vir para cá porque já estava inscrito no Paulista pelo São José dos Campos. Eu ia representar a cidade. Vim só no ano seguinte. No ano que eu não vim, o Santos foi campeão paulista e o técnico me zoou para caramba depois.

Quem mais te marcou na carreira até aqui?
Luciano (Santos). Cheguei ao clube em 2013 e peguei o Luciano desde o sub-12 ao sub-17. O cara mais importante da minha carreira.

Como se tornou centroavante e como se sente na posição?
Eu jogava de meia. Quando eu cheguei no Santos, eu era meia. Aí eu fui dando uma crescida, fui ficando mais rápido, fiz trabalhos físicos, aí caí para ponta. De 2014 para 2015, eu fui pegando mais altura e também tinha o Rodrygo na ponta, acabei jogando de centroavante.

Luciano foi me passando os macetes e fui aproveitando as oportunidades. Movimentação, né? Paredes que eu tento aprender até hoje, é difícil segurar um zagueiro de 2 metros e pouco. É difícil jogar de centroavante, eu até converso isso com o Gabigol. Tem hora que você tem que dar um toque só na bola, porque os caras já vem mordendo seu tornozelo. Com os cravos da chuteira, pisar na bola é mais difícil.

Dá para voltar a jogar de meia?
Eu era meia armador. Jogava de 10. Será? (Risos). Eu tinha 12 anos quando jogava de meia. Agora sou centroavante, não dá mais.

Tem alguma inspiração ou ídolo?
Ricardo Oliveira, o cara é ídolo demais. O elenco sentiu bastante a saída dele. Meu pai é meu aliado. Puxa orelha, dá conselho. São exigentes, os piores zagueiros da minha vida. Ficaram orgulhosos demais, meu pai chorou. Quando eu ia entrar, o juíz tava dando uma enrolada. Pensei que ia acabar o jogo, aí eu pude entrar e fazer o gol, o bicho ficou maluco.

Você, além de ser muito amigo do Rodrygo, faz parte de uma geração promissora do Santos. Dá um frio na barriga esse rótulo?
Eu e Rodrygo somos da mesma sala, mesmo time, todo dia vendo a cara daquele miserável (risos). Eu, ele, Lucas Lourenço, Victor Yan... Muitos. Fico feliz pelo reconhecimento da torcida. De quem pensa assim. Nós estamos dando uma resposta boa em campo.

É mais fácil ser um Menino da Vila do que se formar e subir ao profissional em outros clubes?
Tenho amigos em outros clubes e falamos sempre sobre isso. Acho que é mais fácil e gostoso ser Menino da Vila. É bem difícil para os outros. Quando a gente vai para a Seleção, todo mundo fala que já somos profissionais e ficam impressionados. Nos clubes deles não é assim. É bem mais difícil essa transição de 17 anos para o profissional. Sorte nossa.

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