Dinei relembra como "varreu" o Cruzeiro e aposta em Pedrinho na final

  • Edu Moraes/Record TV

Finalistas da Copa do Brasil deste ano, Corinthians e Cruzeiro se enfrentaram apenas outra vez em uma decisão. Foi há 20 anos na final do Campeonato Brasileiro de 1998. O Timão venceu e levou a taça para o Parque São Jorge, mas ela poderia ter ido para a casa de Dinei. O ex-atacante, atualmente com 48 anos, foi o grande nome da decisão em três partidas, tendo participado de todos os gols alvinegros.

Em entrevista ao LANCE! na véspera do início da decisão, Dinei lembrou com saudosismo e entusiasmo do que ele considera ter sido o momento mais iluminado da sua carreira. E não é exagero: ele marcou um gol e deu quatro assistências nos jogos decisivos. Baita feito, cujos registros ele guarda até hoje, inclusive do próprio L!.

"Aquele foi meu ano, os três jogos, cinco gols saíram do meu pé. Eu fui o cara da decisão. No último jogo, tomei nota dez do LANCE!. Lembro das notas, minha irmã ainda tem o jornal guardado. Saí na capa de todos os jornais. Mas também, né? Só não fiz chover! (risos)", conta, sem modéstia e com o bom humor que lhe são característicos.

Em 98, a fase final do Brasileiro foi disputada em sistema de playoffs, como aconteceu no basquete. Foram três jogos e o Corinthians, líder da primeira fase, tinha a vantagem de conquistar o título caso os times fizessem os mesmos pontos. A final foi equilibradíssima, mas brilhou a estrela de Dinei após dois empates e uma vitória no último jogo.

A façanha do ex-atacante é ainda maior porque ele era reserva e em todos os duelos entrou no segundo tempo. O primeiro jogo foi no Mineirão e o Cruzeiro chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo com Müller e Valdo. Os corintianos chegaram a temer pelo pior. Aí o herói entrou em ação, fez o primeiro e deu passe para Marcelinho Carioca empatar.

No segundo jogo, no Morumbi, eles repetiram a dobradinha. Passe de Dinei, gol de Marcelinho. Mas a Raposa empatou com Marcelo Ramos. A decisão ficou para o terceiro jogo, novamente no Morumbi.

Com muito equilíbrio, o Timão foi para o vestiário campeão com o empate de 0 a 0, mas a tensão de poder perder o título diante de sua torcida era grande. E o que fez Vanderlei Luxemburgo, treinador corintiano na época? Chamou o Dinei. Resultado: uma assistência para Edilson, outra para Marcelinho Carioca e bicampeonato para o Alvinegro.

Anos depois, Dinei lembra que o brilho daquelas atuações (leia mais abaixo) começou a ser construído em 1990, quando o Corinthians foi campeão brasileiro pela primeira vez. Ele estava no elenco e, em 98, era o único que podia ser bi pelo clube. Foi, e no ano seguinte conquistou o tri. Virou o único jogador a ter o feito pelo clube. A marca só foi igualada no ano passado pelo meia Danilo, campeão em 2011, 15 e 17, e que ficará no banco contra o Cruzeiro no Mineirão. Dinei não estará presente, mas garante que os cruzeirenses iriam tremer só de vê-lo. Quem não joga, conta história e isso o ex-atacante tem muita. A Raposa que o diga!

Acompanhe entrevista em que Dinei lembra o que o motivou para decidir o Brasileiro contra o Cruzeiro e na qual ele diz por que aposta em Pedrinho como herói desta final.

Qual foi o jogo mais difícil daquela decisão?
Foi o do Mineirão. A gente estava perdendo 2 a 0, aí no intervalo o Vanderlei me coloquei, e me chamou para bagunçar tudo. Ele disse: "Vai lá e bagunça". fiz o primeiro gol e cruzei para o Marcelinho, ali deu sobrevida. E acho que tem que fazer a mesma coisa agora. Se voltar com o empate, o Corinthians será campeão da Copa do Brasil.

Qual sua lembrança mais marcante dos jogos?
Antes da decisão, à noite fomos para o jantar, e o Luxemburgo pediu para falar falar comigo no quarto. Estava com o Rincón. Aí pensei: será que vou tomar dura de graça? Não fiz nada. O Vanderlei mandou eu sentar, e falou junto com a Suzy Fleury (psicóloga do Corinthians na época). Eles falaram só tinha uma pessoa que poderia ser bicampeão brasileiro pelo clube. E eu nem sabia quem era. Aí ela me falou que era eu. Cara, eu nunca fui craque e fui dormir pensando nisso. Posso entrar para a história. E o Luxa mandou eu sair, falou pensa nisso, que posso precisar de você.

E o que aconteceu?
Chegou no jogo, a gente perdendo no intervalo e ele: "Dinei, não vou te falar mais nada, lembra do que falei? Então vou precisar da sua ajuda. Eu entrei no Mineirão como se fosse o super-homem. E daí em São Paulo lá vem o Luxa de novo, com a mesma coisa. Aí no dia 23 de dezembro, dia do último jogo, Luxemburgo me chamou de lado, ele e a Suzy Fleury, falaram tudo de novo: "Tudo que a gente fez, não vai adiantar, para você entrar para a história se perdermos. Então eu entrei no Morumbi daquele jeito... No intervalo a torcida me chamou, o Luxa falou e de novo entrei igual o super-homem. Eu estava tão largo que tudo deu certo. Eles entraram na minha mente.

Em quem aposta para decidir essa final e ser o novo Dinei?
Eu estou botando fé no Pedrinho. Vai fazer 20 anos do título, e o 18 é o número da camisa que eu jogava. E 20 mais 18 dá 38 , a camisa do Pedrinho. Está tudo conspirando para ele. Vai que baixa o Dinei nele. No jogo da Arena eu estarei lá.

Qual o significado daqueles jogos na história do clube?
Só de jogar a final, e fazer tudo que eu fiz. No Corinthians, vou te falar, só quem fez assim foram Marcelinho, Sheik e Guerrero. Semifinal é uma coisa, decisão é outra. Em termos de decisão, foi a gente que foi mais decisivo.

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