Sábado tem eleição: Saiba o que pensam os candidatos à presidência do Inter

Marinho Saldanha
Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Inter

    Marcelo Medeiros e Luciano Davi disputam a presidência do Internacional

    Marcelo Medeiros e Luciano Davi disputam a presidência do Internacional

Neste sábado (8), o Internacional vive mais um pleito presidencial. Marcelo Medeiros (Chapa 01) e Luciano Davi (Chapa 02) disputam o cargo máximo do clube pelos próximos dois anos. E a votação, com mais de 62 mil aptos, determinará o futuro breve do clube. 

Para comparação entre o que pensam os candidatos, a reportagem do UOL Esporte separou seis tópicos fundamentais para o clube e colheu propostas e opiniões dos mandatários. Confira o que pensam Medeiros e Davi sobre futebol, gestão, base, Gigantinho e retirada das cadeiras do Beira-Rio. 

Chapa 01 - Paixão, Trabalho e Resultados

Presidente: Marcelo Medeiros
Vices: João Patrício Herrmann, Alexandre Chaves Barcelos, Humberto Cesar Busnello e José de Medeiros Pacheco. 

Ricardo Duarte/Inter

Futebol: Qual seu plano para que o Inter volte a conquistar títulos importantes? 
O Internacional tinha uma missão no ano passado, que era voltar para Série A. O dano de ficar dois anos em uma divisão de acesso seria irreparável. Voltamos. E procuramos dar andamento no processo de qualificação da equipe. Hoje o Inter termina o Brasileiro em terceiro lugar e com a vaga direta na Libertadores. É dar continuidade. A história do Inter mostra que através da continuidade nós formamos uma equipe histórica nos anos 1970, e foi através dela que fomos campeões mundiais em 2006 e bicampeões da américa em 2010. Com pesquisa, criatividade, contratando jogadores com alto nível de competição, de intensidade, e um bom aproveitamento da base, a gente espera colher em 2019 o que plantamos em 2018. 

Gestão: Como tornar o clube mais profissional e superar as dificuldades financeiras?
O profissionalismo é passado no Inter. Trabalhamos com eficiência e qualificação. Temos executivos de ponta em todas as áreas. Empresa de auditoria que faz nossa fiscalização é a quinta maior do mundo. Diretor executivo no futebol, um dos mais cobiçados do país. Estamos trabalhando hoje em outro nível em eficiência, qualificação. O país vive uma situação financeira difícil, que se reflete nos clubes do futebol. Mas encaramos as coisas do Inter com muita seriedade. Implantamos um sistema de controle de contratos e fornecedores que já nos gera uma economia de quase R$ 9 milhões. Vendemos e emprestamos atletas e recebemos valores de mecanismos de solidariedade que dão quase R$ 44 milhões. Com desonerações de empréstimos e de acordos e rescisões, o clube enxuga perto de R$ 23 milhões. Recuperamos nossa credibilidade perante o sistema financeiro do mercado. O cenário hoje é muito melhor que o que encontramos em janeiro de 2017. Tivemos a coragem de reajustar o valor das mensalidades dos sócios em 25%, que estavam congeladas há quatro anos e meio. Vai gerar mais de R$ 12 milhões de receita no ano que vem, mais de R$ 5 milhões neste ano. E o desempenho fez com que o quadro social aumentasse. Temos perto de 116 mil sócios e uma taxa de inadimplência perto de 12%. Uma boa Libertadores pode fazer o número de sócios crescer e a inadimplência baixar na mesma proporção. 

Gigantinho: O que fazer com o ginásio, implodir, reformar, aproveitar?
Na metade do ano, lançamos um edital para que interessados pudessem participar de um processo de remodelação do ginásio. Duas empresas mostraram interesse, uma estrangeira e uma de Porto Alegre. Estamos aprofundando e detalhando estes projetos. É uma decisão que cabe ao Conselho Deliberativo. Vamos aguardar o processo eleitoral, o detalhamento dos projetos e, no início do ano, se tivermos o respaldo das urnas, apresentar no âmbito do Conselho as duas propostas para que eles escolham o melhor caminho para o nosso ginásio. 

Base: Como melhorar o processo de formação do clube?
O que encontramos no Inter em 2017 não foi só uma dificuldade financeira e no departamento de futebol ou no abalo da torcida. A formatação das nossas categorias de base estava bem aquém do que o Inter já teve. Nós fomos, nos últimos anos, um clube que teve na venda de jogadores formados na nossa base um pilar importante. Nos últimos dez anos, o Inter é o clube que mais e melhor vendeu em cenário nacional. Mas onde se trabalha com adolescentes não se faz a formação de um jogador como na indústria se forma um produto. É um trabalho de perseverança, cuidado, atendimento, atenção. Os resultados de campo mostram que estamos num bom caminho. Fomos finalistas do Brasileiro de Aspirantes neste ano, vencedor no ano passado. Chegamos à semifinal da Copa São Paulo, ganhamos vários títulos, e o mais importante é que contratamos a Double Pass, empresa mundialmente conhecida, com destacado trabalho na seleção belga e na seleção alemã, para melhorar o processo de seleção, crescimento e aproveitamento desses jogadores. 

CT: Construção em Guaíba? Reforma no Parque Gigante? Alvorada? 
São três coisas distintas. No momento, as categorias de base do Inter estão no CT de Alvorada, com uma boa estrutura e longe do profissional, o que é um problema, porque é bom estar perto do departamento de futebol profissional. Mas a estrutura foi melhorada - vestiários, alojamentos, refeitórios, campos -, e o nosso CT ao lado do Beira-Rio, profissional, teve um cuidado especial. Quase dobramos a área utilizada pelos atletas, melhoramos fisioterapia, fisiologia, academia, uma série de estruturas físicas que melhoraram as condições de trabalho de todos. Nossa ideia é criar mais um campo no CT profissional, para que o Sub-20 e o Sub-23 possam estar mais próximos da equipe principal. Sobre a área de Guaíba, os 90 hectares, temos um projeto de levar o profissional e a base para lá, respeitando toda questão ambiental que precisa ser respeitada. São 30% de área de preservação e 42 figueiras distribuídas aleatoriamente que o Inter tem que preservar. Então é um trabalho de arquitetura detalhado, que já está em andamento. O Inter já tem as licenças para iniciar a obra. Ela está sob análise porque a área que recebemos foi através de uma doação onerosa, não é definitiva, e trabalhamos junto ao governo para que se faça uma pequena alteração na lei para que a área seja doada definitivamente, e o Inter possa construir inicialmente um primeiro módulo para base com verba pública do Ministério do Esporte para formação de atletas. 

Beira-Rio: Você é a favor ou contra o setor sem cadeiras? Isso será feito?
Nós somos a favor e já está sendo feito. Quando terminou o Brasileiro, o projeto aprovado pelas autoridades públicas já tinha sido encerrado. O Inter aguardava o término da competição. A área tinha que ser isolada, as cadeiras já foram retiradas, e as demais obras físicas serão concluídas, como isolamento, sinalização de emergência, barras de proteção. A área será uma realidade, e nossa ideia é que esteja concluída já para o início do Estadual. E meu sonho não é só retirar as cadeiras, é pintar as arquibancadas de vermelho.

Chapa 02 - O Inter que queremos

Presidente: Luciano Davi
Vices: Dannie Dubin, José Amarante, Roberto Siegmann e Guilherme Osório

Divulgação

Futebol: Qual seu plano para que o Inter volte a conquistar títulos importantes? 
Precisamos fazer melhor. Apostar mais em ciência e tecnologia. Incluir elementos novos que aumentem a performance do grupo. Contratar coordenador técnico para buscar acelerar esse processo. A questão emocional será fundamental e é uma das "chaves" que devemos "ligar" fortemente. Aproveitar as categorias de base. Somos historicamente um clube formador, o time que há dois anos tinha o maior número de jogadores formados jogando a Liga dos Campeões. Precisamos acelerar o processo de maturação. Contratações só pontuais e retomar nossa tradição de Celeiro de Ases.

Gestão: Como tornar o clube mais profissional e superar as dificuldades financeiras?
No seu período vencedor, o Inter era o terceiro clube em faturamento no país. Hoje somos o décimo. Faturamos quase R$ 400 milhões a menos que o Flamengo. Precisamos buscar novas receitas, explorando o marketing de maneira planejada. Temos que reduzir despesas. Ter uma relação melhor com o sócio e torcida em geral. Nosso diferencial financeiro esteve por muito tempo centrado nos 100 mil sócios. Precisamos alavancar isso. E, sobretudo, buscar uma rentabilização para nosso patrimônio, mais especificamente o entorno do Beira-Rio e Gigantinho. Esse é o nosso ativo que pode fazer diferença. Sobre a gestão como um todo, devemos acreditar em planejamento estratégico de longo prazo. Profissionalizar não é somente contratar profissionais. É preciso metas e métricas de cobrança definidas. E dar espaço para a inovação. Não tem como dirigente político estar na operação prática das atividades cotidianas do clube.

Gigantinho: O que fazer com o ginásio, implodir, reformar, aproveitar?
Essa é uma boa pergunta para falarmos sobre nossa ideia de alargamento da democracia. O Internacional não tem dono, ele é da sua torcida. Então, o Gigantinho é um patrimônio do Inter que nossa torcida precisa ser ouvida para sabermos o que e como fazer. Precisamos fazer de onde está o Gigantinho uma nova fonte de receitas para o clube sem que ao mesmo tempo os projetos sociais que lá estão acabem. 

Base: Como melhorar o processo de formação do clube?
O Clube contratou o serviço Double Pass, uma referência mundial. Pena que a gestão não compartilhe os resultados com o Conselho Deliberativo para essa ação ser de longo prazo. Mas precisamos investir muito pesado em desenvolver os atletas. Hoje abusamos em contratar jogadores ao invés de selecionar melhor e desenvolvê-los. A questão do CT é decisiva, pois o ambiente é fundamental para o desenvolvimento. Temos que ter profissionais altamente capacitados. E, disputar competições de maior nível técnico. É preciso maturar os atletas para o profissional. E, depois, dar apoio e tempo para eles se firmarem na base. Se eu contrato cinco laterais direitos em dois anos, como aconteceu na atual gestão, é óbvio que o jogador da base não terá espaço. Veja, apenas o Iago como jogador abaixo dos 23 anos jogou mais de dez partidas pelo Campeonato Brasileiro. Sem dar oportunidade e apoio aos atletas da base, será impossível revelar jogadores. 

CT: Construção em Guaíba? Reforma no Parque Gigante? Alvorada? 
R: Centro de Treinamento (CT) é o ingrediente estrutural mais importante para um clube de futebol profissional, pois é a indústria, onde se fabrica o futebol. Por isso que não abriremos mão da construção de um CT moderno, de ponta, à altura do Sport Club Internacional. Como é um assunto macro, vamos compartilhar essa decisão com o torcedor. Queremos saber o que a torcida pensa a respeito e o que ela quer. Para nós, é imprescindível a construção do CT em Guaíba, mas precisamos saber se é isso o que o torcedor quer além de ir lá para assistir aos jogos das categorias de base ou treinamento do elenco principal. Para nós, as categorias de base, futebol feminino, futsal e futebol profissional devem estar no mesmo CT. E queremos usar onde hoje fica o CT no Parque Gigante, com a construção de uma arquibancada, como palco para jogos preliminares em dias de partidas do time principal no Beira-Rio.

Beira-Rio: Você é a favor ou contra o setor sem cadeiras? Isso será feito?
Somos a favor e esta é uma das nossas propostas. É claro que não é simplesmente tirar as cadeiras. É preciso um projeto e uma série de medidas de segurança. Porém, a retirada das cadeiras não pode ser para favorecer apenas uma das torcidas organizadas, por isso defendemos retirar as cadeiras do setor norte. Agora, isso também não pode significar retirada total de cadeiras de modo que prejudique aqueles que querem assistir ao jogo sentados. Nosso clube tem tradição plural e democrática. É necessário respeitar a todos, sem que a preferência de uns impossibilite a de outros.

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