Liga Árabe e Rússia pedem fim da operação militar na Líbia

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

TV estatal da Líbia mostra imagens de feridos por ataques

A Liga Árabe e a Rússia pediram, neste domingo (20), que as operações militares contra as forças do ditador líbio Muammar Gaddafi encerrem suas atividades, devido à situação de risco que a intervenções expõe os civis.

Em nota divulgada pela agência de notícias estatal do Egito, o secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa afirmou que os árabes não queriam que os ataques militares atingissem civis quando a Liga pediu uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger a população dos ataques das forças de Gaddafi.

Moussa também disse que estava solicitando uma reunião de emergência da Liga Árabe para discutir a situação no mundo árabe e, particularmente, na Líbia.

"O que aconteceu na Líbia é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, o que queremos é proteger os civis, e não bombardear mais civis", disse Moussa em entrevista coletiva em conjunto com o presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, na sede da Liga Árabe no Cairo.

Segundo Moussa, a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU tratava da proibição de qualquer invasão ou ocupação terrestre. "Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", acrescentou o secretário-geral da Liga Árabe, que explicou que pediu relatórios completos do que está acontecendo na Líbia.

Mesmo assim, Moussa disse que desde o princípio os árabes pediram a imposição de uma zona de exclusão aérea "para proteger os civis líbios e evitar qualquer medida adicional".

Já a Rússia, que se manifestou contrária à intervenção militar desde o início, lamentou que, "como consequência" dos ataques, "segundo relatórios, morreram 48 civis e mais de 150 ficaram feridos" e que "o centro médico de cardiologia ficou parcialmente destruído e ruas e pontes foram afetadas".

"Segundo as informações, nas incursões aéreas sobre a Líbia foram realizados ataques contra alvos não militares nas cidades de Trípoli, Tarhuna, Maamura e Jmeil", denunciou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Aleksandr Lukashevich, em um comunicado.

"Por isso solicitamos encarecidamente aos Estados correspondentes a pôr fim ao uso indiscriminado da força", ressaltou o porta-voz.

A chancelaria russa expressou ontem em outro comunicado que a intervenção militar estrangeira foi recebida "com pesar" por Moscou, e exigiu que sejam tomadas "medidas exaustivas para garantir a segurança das missões diplomáticas estrangeiras e de seus empregados", assim como dos cidadãos russos na Líbia.

Washington anunciou hoje que houve sucesso na implantação de uma zona de exclusão aérea na Líbia após o início da operação aliada "Odisseia do Amanhecer".  Na intervenção militar são usados aviões franceses e navios de guerra e submarinos de EUA e Reino Unido para atacar alvos militares líbios.

*Com agências internacionais

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