O candidato mais amado e odiado das eleições indianas

Se as pesquisas de opinião estiverem certas, Narendra Modi deve ser o próximo primeiro-ministro da Índia. Líder do principal partido de oposição, o Bharatiya Janata (BJP), Modi já sacudiu a política indiana. Visto como um político divisor, ele é amado e odiado em igual medida pelos eleitores da maior democracia do mundo.

Nas eleições, que tiveram início em 7 de abril e que só serão concluídas em 12 de maio, o rosto de Modi está estampado em cartazes em quase todo o país. Se o cursos dos acontecimentos não mudar até o fechamento das urnas, ele pode impor uma derrota ao partido Congresso Nacional Indiano, que há décadas controla boa parte da política indiana, sob liderança da família Gandhi.

Governador do estado de Gujarat desde 2001, Modi é considerado um líder dinâmico e eficiente que transformou a região em uma potência econômica. Diferente da imagem do candidato governista, Rahul Gandhi.

Mas os feitos econômicos não aplacam a desconfiança de parte do eleitorado. Modi é acusado de fazer pouco para deter os conflitos religiosos que deixaram mais de mil mortos em seu estado em 2002. A maioria das vítimas eram membros da minoria muçulmana. Modi, no entanto, nega qualquer envolvimento no massacre.

Excelente orador, ele é frequentemente chamado de estrela mais brilhante do BJP, e seus partidários já o apoiavam para primeiro-ministro muito antes de seu partido ter superado profundas divergências internas em torno do seu nome.

Modi é popular. Nos comícios, simpatizantes usam máscaras com o rosto de Modi. Em tempos de eleições, barracas de chá em toda a Índia oferecem a bebida em copos de papel com fotos de Modi.

Muitos indianos, no entanto, dizem que não podem aceitar Modi como primeiro-ministro por causa de seu suposto papel nos confrontos de 2002.

Na última semana, artistas e acadêmicos indianos assinaram uma carta aberta alertando para a possibilidade da vitória de Modi, criticando a atuação do candidato nos conflitos de Gujarat.

Amado e odiado

Modi pode polarizar a opinião pública na Índia e no exterior, mas ele também tem sido creditado por trazer prosperidade e desenvolvimento para Gujarat e conta com o apoio de alguns dos maiores empresários da Índia.

A economia do estado vem crescendo constantemente, e a imagem de Modi é a de um administrador limpo e eficiente, livre de corrupção.

Como resultado, ele foi reeleito três vezes como ministro-chefe do estado, cargo equivalente ao de governador.

Os que se beneficiaram durante seu mandato aplaudiram seu retorno ao poder. Mas, para as vítimas dos motins de 2002, sua vitória foi apenas mais um símbolo de injustiça.

Modi nunca expressou qualquer remorso ou ofereceu qualquer pedido de desculpas pelos conflitos. Desde então, muitos muçulmanos foram deslocados pela violência, buscando abrigo em guetos nos arredores de Ahmedabad, a maior cidade e a capital de Gujarat.

Analistas dizem que a razão de Modi permanecer inatingível é o forte apoio que ele tem entre os maiores líderes da organização de direita hindu Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS).

A RSS foi fundada em 1920 com o objetivo de fazer da Índia uma nação hindu. Hoje funciona como um guia ideológico a uma série de grupos hindus radicais - incluindo o BDP de Modi, com o qual tem laços estreitos. Qualquer seja o resultado das urnas, a única coisa certa é que os indianos continuarão divididos em relação a Modi.

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