O que já se sabe sobre os ataques terroristas em Paris

Do UOL, em São Paulo

A série de ataques que aconteceu em Paris e nos arredores da capital francesa na noite de sexta-feira (13) tem muitas perguntas ainda sem respostas, mas alguns fatos já são conhecidos. Veja o que se sabe até o momento sobre a tragédia.

1. O que aconteceu em Paris?

Uma série de ataques coordenados, com explosões e tiroteios, aconteceu na noite de sexta-feira (13) em cinco diferentes locais de Paris e no Stade de France, ao norte da capital em Saint-Denis. O atentado mais grave ocorreu na casa de espetáculos Bataclan, onde cerca de 1.500 pessoas assistiam a um show de rock.

Houve ataques a tiros a clientes de restaurantes e bares nos distritos de número 10 e 11 da capital francesa. Foram registradas três explosões no estádio nacional durante o amistoso entre França e Alemanha; o presidente francês, François Hollande, estava no estádio.

2. Quantas pessoas foram mortas?

O número pode subir, mas a procuradoria de Paris confirmou oficialmente 130 mortos e 351 feridos. Entre os feridos, 57 vítimas continuavam internadas em estado grave na terça-feira (17). Hospitais em Paris oferecem atendimento psicológico a testemunhas e parentes de vítimas.

Entre os mortos, as autoridades francesas afirmaram haver sete terroristas.

3. Quem é o responsável pelos ataques?

O presidente francês, François Hollande, responsabilizou o grupo radical Estado Islâmico pelo "ato de guerra". No sábado (14), o EI assumiu a autoria dos atentados em série. No comunicado, o grupo jihadista disse que a França é o "principal alvo" do grupo e destacou que a localização dos ataques foi cuidadosamente estudada. 

A polícia francesa identificou alguns dos terroristas que teriam participado dos ataques. Bilal Hadfi, um francês de 20 anos residente na Bélgica, seria um dos homens-bomba que causou explosões no Stade de France. Perto do corpo de outro suicida próximo ao estádio, foi encontrado um passaporte sírio no nome de Ahmad al Mohammad, 25. Entretanto, a polícia possui apenas a sua foto e impressão digital, já que ele entrou como refugiado na Grécia e o documento achado no ataque pode ser falso.

Samy Amimour, 28, participou do ataque ao Bataclan. O francês Ismail Omar Mostefai, 29, seria outro integrante do atentado à casa de shows. O francês Ibrahim Abdeslam, 31, teria atacado cafés e restaurantes perto do boulevard Voltaire. Abdeslam morava na Bélgica. O irmão de Ibrahim, Salah Abdeslam, 26, está foragido.

Vestígios encontrados nas armas usadas pelos terroristas durante os atentados em Paris reforçam o envolvimento direto do belga Abdelhamid Abaaoud nos ataques. O jihadista, que teria sido identificado inicialmente como mentor das ações, morreu na última quarta-feira (18), durante uma operação da polícia francesa em Saint-Denis. Os investigadores não descartam a possibilidade de que ele seja o terceiro homem --até então desconhecido-- visto dentro do Seat preto (juntamente com os irmãos Abdeslam) usado para realizar os disparos em bares e restaurantes de Paris.

Ainda não se sabe qual foi a participação da prima de Abaaoud, identificada como Hasna Aitboulahcen, nos ataques. Ela e uma terceira pessoa --ainda de identidade não revelada--também morreram na operação policial em Saint-Denis.

4. Quem já foi preso?

Na segunda-feira (16), o Ministério do Interior da França divulgou que 168 operações de busca tinham sido realizadas, com apreensão de um lançador de foguetes, pistolas automáticas e um rifle, munições e coletes à prova de bala. Eram mantidas sob custódia policial 23 pessoas e 104 em prisão domiciliar. Dois dias depois, outras oito pessoas foram presas, entre elas uma mulher, em uma operação policial realizada em Saint-Denis, a norte da capital francesa. 

A polícia da Bélgica deteve neste domingo (15) pelo menos cinco pessoas durante buscas em Bruxelas por suspeita de participação ou colaboração com os ataques em Paris. As circunstâncias que motivaram as prisões ainda não foram esclarecidas pelas autoridades. Outras nove pessoas foram presas no país na quinta-feira (20).

5. O que já foi apreendido?

Dois carros foram apreendidos na capital francesa, na sexta-feira (13) --um Seat Leon e um Volkswagen Polo, ambos de cor preta. Os veículos tinham placa com identificação belga. Em um deles, policiais franceses encontraram vários fuzis AK-47, do mesmo tipo que os utilizados nos ataques em Paris.

Um telefone celular foi encontrado em uma lata de lixo nos arredores da casa de shows Bataclan. O aparelho ajudou a polícia a encontrar o suposto mentor dos ataques, Abdelhamid Abaaoud, que acreditava-se que estivesse na Síria. 

6. Qual foi a motivação dos ataques?

Ao assumir a autoria dos ataques, o Estado Islâmico informou que os atentados são retaliações motivadas pela participação do país europeu na coalizão contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. No Twitter, um militante ligado aos terroristas afirmou que a França "não viverá em paz até que os bombardeios continuem". "Vocês terão medo até de ir ao mercado", disse.

O grupo jihadista disse ainda, em comunicado, considerar a França "a capital da abominação e da perversão".

7. Quantos brasileiros ficaram feridos?

Três brasileiros foram feridos nos ataques, mas sem risco de morte. Os brasileiros estavam no restaurante Le Petit Cambodge, nas proximidades do Canal Saint-Martin, no 10° distrito da capital, que foi atacado ao mesmo tempo que o bar Le Carillon, bem próximo: 15 pessoas morreram nos dois locais. 

O arquiteto Gabriel Sepe, 29, levou três tiros e passou por cirurgia. A estudante Camila Issa, 29, levou um tiro de raspão. Diego Mauro, 28, também arquiteto, escapou com alguns arranhões.

8. Como foi o ataque à casa de espetáculos Bataclan?

O show da banda norte-americana Eagles of Death Metal era realizado no Bataclan, em Paris, quando homens armados invadiram o lugar atirando para todos os lados, segundo testemunhas. Cerca de uma centena de pessoas foram mantidas reféns por cerca de duas horas. A polícia invadiu a casa pouco depois da meia-noite. Somente no Bataclan morreram 89 vítimas.

9. Como foi o ataque ao Stade de France?

O jogo amistoso de futebol entre as seleções da França e da Alemanha estava em andamento quando ocorreram três explosões perto dos portões, com diferença de um pequeno espaço de tempo entre elas, com início às 21h20. O presidente François Hollande acompanhava a partida no local e foi retirado às pressas para o prédio do Ministério do Interior. Três homens-bomba e um pedestre morreram. 

10. O que houve nos outros alvos dos terroristas?

Foram registrados ataques com armas de fogo em ao menos quatro ruas de Paris, nos distritos de número 10 e 11. Os tiroteios miraram bares e restaurantes com mesas nas calçadas, com grande movimento de clientes. Testemunhas relataram que os atiradores chegaram em carros pretos, fuzilando vítimas nas ruas. 

11. Quais medidas de segurança foram tomadas após os ataques?

As fronteiras da França foram fechadas, e o presidente decretou estado de emergência em todo o território francês. As forças militares foram convocadas para reforçar a segurança da região de Paris. 

12. A França sofreu outros ataques recentemente?

Em janeiro de 2015, foram cometidos atentados contra a revista satírica "Charlie Hebdo" e um mercado kosher, ambos na capital francesa, e uma policial foi baleada na região sul parisiense, em ações ocorridas entre os dias 7 e 9 de janeiro, com 17 mortos (12 na revista, quatro no mercado e a policial).

Outros incidentes foram registrados ao longo do ano. Em abril, um estudante argelino foi preso em Paris com armas de guerra. Ele confessou ter planejado ações terroristas, especialmente contra um trem, com o objetivo de "matar 150 infiéis". Em junho, nas proximidades de Lyon, um homem matou e decapitou o patrão e exibiu bandeiras islâmicas no local do crime. 

Em agosto, militares norte-americanos conseguiram evitar que um homem armado fizesse um ataque a um trem que ligava Amsterdã (Holanda) a Paris. (Com agências internacionais e BBC Brasil)
 
 
 
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