Ex-funcionário no segundo mandato de Alan García é detido em caso Odebrecht

Lima, 20 mar (EFE).- O ex-presidente da Organização Supervisora do Investimento em Infraestrutura de Transporte (Ositran) durante o segundo mandato do ex-presidente peruano Alan García (2006-2011), Juan Carlos Zevallos, foi detido nesta segunda-feira dentro das investigações sobre o escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht no Peru.

O Ministério Público do país informou sobre a detenção de Zevallos e a operação de busca e apreensão em dois imóveis que a ele pertencem no bairro de La Molina, um dos mais exclusivos da capital peruana, pelo crime de enriquecimento ilícito.

Zevallos é investigado por supostas irregularidades durante sua gestão à frente da Ositran, período no qual foram assinados os adendos aos contratos de concessão dos trechos III (Inambari-Iñapari) e IV (Inambari-Azángaro) da Rodovia Interoceânica Sul ao consórcio liderado pela Odebrecht.

De acordo com uma ordem fiscal, publicada pelo jornal "El Comercio", Zevallos Ugarte tem cerca de 600 mil sóis (mais de US$ 180 mil) em patrimônio que não conseguiu justificar.

A inícios de mês, a Procuradoria criada para as investigações sobre as propinas da Odebrecht no Peru denunciou o ex-presidente García por crime contra a administração pública na construção da linha 1 do Metrô de Lima.

A procuradora Katherine Ampuero informou que a denúncia inclui também o ex-ministro de Transportes e Comunicações Enrique Cornejo durante o segundo mandato de García (2006-2011), e o ex-diretor executivo do projeto do Metrô de Lima Oswaldo Plasencia.

García, que também foi presidente do Peru no período 1985-1990, respondeu que está "disposto a qualquer investigação e a concorrer a qualquer convocação (para depor)", já que em fevereiro prestou esclarecimentos à Promotoria.

Os primeiros detidos devido às propinas pagas pela Odebrecht no Peru foram o vice-ministro de Comunicações Jorge Cuba, o ex-funcionário público Miguel Navarro e o ex-presidente do comitê de licitação Edwin Luyo pela acusação de terem recebido uma propina milionária para favorecer ao consócrcio liderado pela Odebrecht as obras de construção da linha 1 do metrô.

A Odebrecht admitiu à Justiça dos Estados Unidos que pagou US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 no Peru para conseguir contratos de obras públicas, um período que compreende os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016). EFE

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