G20 abre debate na Argentina para capacitar mulheres através da internet

Buenos Aires, 20 mar (EFE).- A digitalização do mundo e seu impacto sobre as mulheres de hoje foram discutidas no lançamento, em Buenos Aires (Argentina), da agenda de trabalho do fórum do G20, dedicado à igualdade de gênero.

O encontro foi marcado pela apresentação preliminar do estudo "Efeitos da digitalização na igualdade de gênero nas economias do G20", após comprovarem que no mercado de trabalho dos países do fórum seguem existindo brechas de gênero.

Eles explicaram que as mulheres que trabalham, fazem por pouco tempo e não optam por carreiras em ciência, tecnologia, engenharia ou matemática (STEM, sigla em inglês), as mais valorizadas atualmente pelo mercado de trabalho.

No encontro, com a presença de representantes do governo, setor privado e acadêmico, os oradores insistiram na influência da digitalização para capacitar as mulheres no mundo, tanto no trabalho como nas finanças, um fator-chave para melhorar sua situação.

Também destacaram que alcançar a igualdade de gênero não é uma questão que deva ser discutida somente pelo fórum, mas se trata um "tema transversal" que deve estar presente em todos os projetos que desembrulhe o G20, composto por países industrializados e em desenvolvimento.

"A participação da mulher é necessária no mundo da tecnologia do século XXI", disse Beatriz Nofal, designada pelo governo de Mauricio Macri, antes da cúpula do grupo de países que será realizada em Buenos Aires, em 2018.

"O trabalho cooperativo, possibilidade de empatia, habilidades interpessoais. (O mundo) precisa de outros tipos de habilidades e capacidades, muitas delas em que as mulheres estão bem posicionadas", disse Beatriz.

A atual gerente-executiva do fórum para a próxima cúpula, Juliane Rosin, insistiu que o G20, visando a estabilidade financeira dos países-membros, deverá dar prioridade à inclusão de gênero.

"Para tratar a estabilidade financeira, necessitamos falar de estabilidade econômica, trabalhar com sociedades estáveis, e isto funciona para capacitar as mulheres e inclusão de gênero", argumentou.

O encontro desta segunda foi realizado por instituições alemãs que atualmente presidem o fórum: o Conselho Nacional Alemão de Organizações de Mulheres (Deutscher Frauenrat) e a Associação de Mulheres Empreendedoras Alemãs (Verband deutscher Unternehmerinnen).

Do evento em Buenos Aires, que chegará ao fim nesta terça-feira, sairá a posição que a ascensão do fórum os países-membros do G20 durante a cúpula de Hamburgo (Alemanha), que acontecerá nos dias 7 e 8 de julho.

O fórum do G20 já previu que este evento é fundamental para alcançar a igualdade entre homens e mulheres na participação no mercado de trabalho para conseguir a meta de "igualdade de gênero", incluído nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Ele também levanta a necessidade de reduzir e fechar a lacuna salarial entre homens e mulheres e promover a igualdade na distribuição das tarefas de cuidado e trabalho doméstico.

Juliane Rosin disse que, embora "20 possam parecer (um número) pequeno", em comparação aos 194 países que compõem a ONU, estes poucos - entre eles a China, Estados Unidos, Argentina, Alemanha e Índia - representam "dois terços da população mundial, quatro quintos do Produto Interno Bruto global e três quartos do comércio mundial".

Claudia Grosse-Leege, co-presidente do fórum do G20, concluiu que "a digitalização não pode ser um tema subvalorizado" e que deve se transformar em "um tema importante para capacitar as mulheres".

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