Ataque do EI na Champs Elysées termina com um policial morto e dois feridos

Paris, 21 Abr 2017 (AFP) - Um policial foi morto, e dois ficaram feridos, além do atacante, que foi executado, em um tiroteio registrado na noite desta quinta-feira (20) na avenida Champs Elysées, em Paris, um ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial francesa.

O autor do tiroteio foi morto depois de atirar contra os policiais por volta das 21h00 locais (16h00 de Brasília) nesta concorrida avenida em pleno coração de Paris, declarou à TV o presidente francês, François Hollande.

O grupo Estado Islâmico reivindicou o ataque contra a famosa rua comercial, frequentada por turistas e parisienses.

"O autor do ataque na Champs Elysées, no centro de Paris, é Abu Yussef, o Belga, um dos combatentes do Estado Islâmico", reportou a agência de propaganda do EI, Amaq.

A seção antiterrorista do Ministério Público parisiense abriu uma investigação sobre o caso.

De acordo com as autoridades, o autor do ataque foi condenado - em fevereiro de 2005 - a quinze anos de prisão por três tentativas de homicídio com arma de fogo, incluindo contra dois policiais, ocorridas em 2001.

Uma operação estava em curso na madrugada desta sexta-feira no subúrbio de Seine-et-Marne, onde morava o atirador de 39 anos e nacionalidade francesa.

Segundo o promotor François Molins, a operação visa estabelecer "se há ou não cúmplices" no ataque.

"O agressor chegou em um veículo e abriu fogo contra uma patrulha policial com uma arma automática. Matou um dos policiais e tentou agredir outros, correndo atrás deles", indicou uma fonte policial.

Uma turista, cuja nacionalidade não foi informada, ficou levemente ferida durante o tiroteio, destacou outra fonte policial.

Choukri Chouanine, gerente de um restaurante localizado na rua de Ponthieu, uma rua adjacente, disse à AFP que ouviu um "tiroteio breve", mas "com muitos disparos".

"Tivemos de esconder nossos clientes no sótão", acrescentou.

Outra testemunha, que não quis se identificar, contou que estava a "dez metros" do lugar do tiroteio.

"Ouvimos disparos e vimos que policiais estavam sendo atacados. Saímos correndo", disse.

"Houve uma onda de pânico no metrô Franklin Roosevelt. As pessoas corriam em todas as direções", relatou uma mulher que estava perto do Champs-Elysées.

A área comercial permanecia isolada. Dezenas de policiais foram deslocados para o setor, sobrevoado pelo helicóptero. Estações do metrô foram fechadas.

Várias capitais deram seu apoio à França. O presidente americano Donald Trump, que qualificou rapidamente o tiroteio de ataque terrorista, apresentou suas condolências ao povo francês, enquanto a Alemanha destacou que se mantém firme junto ao seu vizinho.

"Antes de tudo, nosso país apresenta as condolências ao povo da França. Está acontecendo de novo, parece", disse Trump, em Washington, durante coletiva de imprensa conjunta com o premiê italiano, Paolo Gentiloni.

"Parece outro ataque terrorista. O que podemos dizer? Não acaba nunca. Temos que ser fortes e vigilantes. Digo isso faz muito tempo", acrescentou.

"Notícias chocantes de Paris. Nossos pensamentos estão com as vítimas. Nos mantemos de forma firme e determinada ao lado da França", publicou o ministério alemão das Relações Exteriores em sua página no Twitter.

O tiroteio ocorreu a apenas três dias do primeiro turno de eleições presidenciais que se anunciam disputadas na França, que serão realizadas sob estritas medidas de vigilância em um país em estado de emergência após a onda de atentados de extremistas islâmicos que castigam o país desde 2015, que deixou um balanço de 238 mortos.

Atos de campanha canceladosNo começo da semana, as autoridades francesas anunciaram ter frustrado um atentado com a detenção na terça-feira de dois homens que tinham o projeto de lançar um atentado "nos próximos dias em solo francês".

Clément Baur, de 23 anos, e Mahiedine Merabet, de 29, foram detidos em frente a um departamento na cidade de Marselha (sudeste), onde a polícia encontrou armas e três quilos de explosivos caseiros.

Os candidatos tinham sido alertados sobre a ameaça e as fotografias dos dois suspeitos foram distribuídas a seus serviços de segurança.

O ataque desta quinta-feira ocorreu enquanto os onze candidatos à Presidência eram entrevistados na televisão, na reta final desta campanha muito disputada.

Segundo as pesquisas de opinião, quatro candidatos têm possibilidades de passar para o segundo turno, que será realizado em 7 de maio: a candidata da ultradireita Marine Le Pen, o centrista Emmanuel Macron, o conservador François Fillon e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

Marine Le Pen, François Fillon e Macron anunciaram o cancelamento de seus atos de campanha previstos para sexta-feira devido ao ataque.

"A ameaça será parte do nosso cotidiano nos próximos anos", declarou Macron, que expressou sua solidariedade com a família do policial morto.

Marine Le Pen reiterou que se chegar ao poder será firme diante do risco terrorista.

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