A ex-modelo de 28 anos que se tornou chefe da Comunicação do governo Trump

  • MANDEL NGAN/AFP

Durante a campanha presidencial do ano passado, jornalistas especializados em política estavam certos de que Hope Hicks perderia seu emprego como secretária de Imprensa de Donald Trump.

Nas palavras da correspondente da BBC em Washington, Tara McKelvey, o trabalho era desastroso.

"De alguma forma, ela sobreviveu", escreveu McKelvey ao comentar o anúncio, feito na noite de segunda-feira, de que a ex-modelo é a nova diretora de Comunicações da Casa Branca - na verdade, foi efetivada no cargo que ocupava interinamente desde o início de agosto, quando o então ocupante, Anthony Scaramucci, foi demitido pelo presidente depois de ficar apenas dez dias no cargo.

Hicks, de 28 anos, consolidou-se em meio a um festival de "degolas". Apenas na área de Comunicações, houve quatro demissões em menos de um ano de governo.

E ainda que vá aparecer menos em frente às câmeras que a secretária de Imprensa, Sarah Huckabee Sanders, é Hicks quem terá a responsabilidade de cuidar da "mensagem" da administração Trump. E o poder de controlar o acesso ao presidente.

Embora trabalhe para o bilionário há quase três anos, a história da ex-modelo com os Trump é mais antiga.

Depois de trabalhar para a agência de modelos Ford e cursar Letras na Universidade Metodista do Sul, no estado do Texas - uma instituição de reputação discreta, ocupando o 61o lugar em uma ranking acadêmico dos EUA -, ela começou a trabalhar em 2012 para uma firma de relações públicas de Nova York, seguindo a carreira tanto de seu pai quanto do avô.

E um dos clientes era a empresa de moda de Ivanka, a filha mais velha de Trump. Hicks chegou a modelar para uma linha de rouplas da cliente antes de se tornar amiga dela e logo chamar a atenção do chefe da família.

Em outubro de 2014, Trump "roubou" Hicks da filha, colocando-a no comando do departamento de RP de sua empresa imobiliária. No início do ano seguinte, quando Trump ensaiou a candidatura à Presidência, ela o ajudou a fazer os primeiros movimentos e até o ajudou a adotar o Twitter como principal ferramenta de comunicação.

Apesar de ser vista ao lado do presidente, Hicks raramente se pronuncia e, desde que começou a trabalhar para o político Trump, deletou sua conta no Twitter e fechou a do Instagram.

Ela parecia querer evitar se tornar uma distração - ao contrário de outros integrantes do círculo de Trump, que acabaram excluídos. Agora, ela é a pessoa mais próxima do presidente na Ala Oeste da Casa Branca.

Segundo a mídia americana, Hicks frequenta eventos da família Trump e esteve ao lado do republicano e de poucos convidados quando ele se encontrou com o papa Francisco, em maio.

Setores da mídia americana criticam a ex-modelo, sob o argumento de que não é qualificada para o cargo. No ano passado, o jornal The New York Timesdisse que ela era a menos preparada assessora de imprensa presidencial na história americana recente.

Mas embora não tenha muita experiência em Washington ou mesmo na política, ela tem um trunfo: a confiança do presidente.

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