Mulheres entram com ações nos EUA contra o Uber por assédios de motoristas

Nova York, 14 nov (EFE).- Duas mulheres denunciaram ter sido vítimas de assédios sexuais cometidos por motoristas do Uber nos Estados Unidos nesta terça-feira e entraram com ações contra a empresa, segundo a imprensa americana.

As passageiras, não identificadas, processaram o Uber no distrito norte da Califórnia. Elas dizem terem sido vítimas de "estupro, agressão sexual, violência física e assédio motivado por gênero" por parte dos motoristas da empresa nos últimos quatro anos.

"Pelo teor da magnitude do número de passageiros que sofreram assédio e violência sexual, o Uber deveria ter feito mudanças drásticas na maneira como revisa e controla os motoristas, assim como avançar em medidas de segurança no aplicativo e nos veículos", afirma a ação apresentada por ambas, segundo o site "Mashable".

Além de buscar uma compensação pelas agressões que sofreram, as mulheres pedem ao juiz ordene que o Uber implemente uma verificação de antecedentes mais restrito para seus motoristas.

De acordo com o "Mashable", uma delas foi agredida sexualmente após dormir no banco traseiro de um carro do Uber, em Los Angeles. A outra foi estuprada dentro de seu próprio motorista. Ele acabou detido e ela recebeu um reembolso da empresa de menos de US$ 10.

As mulheres alegam que esses não são casos isolados, mas que o Uber permitiu que "pessoas perigosas tenham acesso a vítimas vulneráveis". E criticam que a empresa não fez "nada significativo" para que os trajetos sejam seguros para os passageiros do serviço, especialmente para as mulheres.

"A Uber fez o possível para continuar usando verificações de antecedentes de baixo custo e manifestamente inadequadas, e errou ao controlar seus motoristas por condutas violentas ou inapropriadas depois que são contratados", alegaram as duas na ação.

A advogada das mulheres, Jeanne M. Christensen, disse que o "modelo de lucros acima da segurança do Uber fez com que um número incontável de passageiros pague o preço da vergonhosa incapacidade de atuar da empresa".

Na argumentação, o processo também cita o movimento "Me Too", que ganhou as redes sociais após a revelação dos abusos sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, e o atentado terrorista de 31 de outubro em Nova York, cujo autor era motorista do aplicativo.

Elas pedem que o Uber utilize medidas de segurança baseadas em impressões digitais e que revise a cada seis meses o histórico criminal dos motoristas.

Nos últimos meses, a empresa se viu envolvida em uma série de polêmicas relacionadas com uma cultura sexista e discriminatória em seu ambiente de trabalho, que foi alvo de uma investigação e provocou a renuncia cofundador e ex-executivo-chefe Travis Kalanick.

A escolha do novo diretor, Dara Khosrowshahi, foi interpretada como uma nova etapa do Uber. Ele e outros membros da diretoria se pronunciaram publicamente sobre os esforços da empresa em atuar bem e transformar seus valores corporativos.

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